The Crown 1×10: Gloriana [Season Finale]

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O desabrochar do conformismo em The Crown com Gloriana.

É esplêndido como a caprichada produção da Netflix foi capaz de transformar cada episódio desta primeira temporada em um filme, fazendo com que o telespectador sinta uma sincera empatia pelos membros da intocável família real. No decorrer de nove horas, observamos o crescimento de uma jovem princesa aprendendo a lidar com o peso de representar a dignificante monarquia britânica.

Assim como Wolferton Splash teve a função de arquitetar cada elemento da série e a sua influência perante a coroa, em Gloriana se torna claro que a monarca entendeu que não importa o quanto se esforce, suas decisões serão limitadas e o dever estará em primeiro lugar. A jovem nunca mais será Elizabeth de Windsor, agora ela é Elizabeth Regina (Rainha Elizabeth em latim).

Elizabeth II e o primeiro-ministro se reúnem em um cenário incomum.  The Crown --- Gloriana.
Elizabeth II e o primeiro-ministro se reúnem em um cenário incomum. The Crown — Gloriana.

Elizabeth representa uma nova monarquia com relação direta com os interesses políticos das nações e conectada aos pilares da igreja anglicana. Aos poucos, ela abre os olhos para as promessas que não pode cumprir e é orientada a priorizar a função para a qual foi ungida. Nesta finale, a irmã e o marido são os maiores afetados pela decisão da rainha (que na realidade, Elizabeth foi forçada a tomar).

O amor entre Margareth e Peter tinha a torcida do Flamengo a seu favor, mas contrariava a lei sacra. Embora estivéssemos torcendo por um final feliz, no fundo sabíamos que a voz da rainha não teria força perante o gabinete (de divorciados) ou perante a igreja. Gostaria que o roteiro tivesse explorado mais o fato da rainha Elizabeth ter ficado no escuro em relação a lei de casamentos reais e, principalmente, iluminasse para a princesa quem foram os verdadeiros vilões (representados por Michael, Tommy e a rainha-mãe).

A coroa da irmã machuca o coração de Margareth.  The Crown --- Gloriana.
A coroa da irmã machuca o coração de Margareth. The Crown — Gloriana.

Se tem um personagem que me causa asco é Philip, interpretado canastrosamente por Matt Smith. O seu pouco tempo em cena quase não justifica o seu envio para a Oceania, mas a arrogância e frustração de Philip são notáveis em cada frase proferida pelo doctor. Sinto pena da rainha por seu amor que desde a morte de seu pai se torna cada vez mais sério e sem fôlego como o seu retrato final.

A crise de Suez bate à porta do Primeiro-Ministro britânico, tanto o conflito com o líder egípcio como a sua saúde fragilizada parecem lembranças deixadas por Churchill. Gostaria de ver um político notável e por isso, fico triste em saber que veremos apenas a derrocada de Anthony Eden na próxima fase da série.

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The Crown encerra a sua primeira fase com um ótimo episódio dentro de uma excelente temporada. É um drama que viajará pela Comunidade das Nações e pelo mundo como a rainha o fez, sendo ovacionado com classe e merecimento. A série não surpreende por sua história, mas por sua maneira de contar a história, através da beleza nos detalhes técnicos (figurino, fotografia, trilha sonora), coerência no script e autenticidade no elenco. God Save The Queen (e The Crown)!

  • carla machado

    “review maravilhosa, o oposto de quem escreveu”

    • Lord

      Concordo! 😁

  • Nie

    Achei que a Série, apesar do numero reduzido de episódios para uma serie original da Netflix, cumpriu o que prometeu e nos deixou com um gostinho de “Quero mais”. Nesse episódio eu realmente achei que Elizabeth iria lutar contra tudo e todos para apoiar a irmã, mas pelo que se sabe a relação das duas ainda tem muita coisa para ocorrer Já se o verdadeira principe Phillip for como está realmente sendo retratado na série, olha esse casamento só durou esses 68 anos por que ela não quis causar escândalo heim ?

  • Patrícia Salomão

    Afffff outra review feita de madrugada

    • Lord

      This.

  • Caio R

    The Crown se despede de forma majestosa (sim, o trocadilho foi proposital), e além dos cenários e figurino, merece parabéns pela abordagem de pessoas como o ‘Rei que abdicou’, Winston Churchill, Rei Jorge VI, Princesa Margareth, Philip e a inesquecível Rainha Mary. A apresentação da Rainha-Mãe foi modesta e até decepcionante. Claire brilhou na pele da Rainha.

    – Que comentário maldoso sobre os próprios filhos foi aquele do Philip? E ficou claro que o príncipe Charles foi quem se tornou alvo da necessidade de mostrar-se como macho-alfa latente em Philip. Soa como desculpa por todo o aspecto frágil e fraco de quem o príncipe se tornou. Renato Russo na trilha sonora, cantando Pais e Filhos. Ah, e Philip tem a sogra que merece, ponto para a Rainha-Mãe que disse na cara dele o que todos nós achamos: adolescente. Adolescentezinho. Entendo o quanto é difícil saber que o pinto da mulher é maior que o seu, mas ele pensou mesmo que seria diferente?

    – O dilema sobre o casamento da Princesa só serviu para mostrar de vez o peso da Coroa (não que isso já não estivesse claro), e a Rainha teve que agir de acordo com o que é por ela representado. Por mais duro que seja estar na pele de Margaret (e a Rainha passa a ser uma vilã pela visão da irmã), ela poderia ter renunciado, como o tio. Era uma opção, já que amava Peter.

    – Pobre Peter.

    E que venha a segunda temporada!
    PS. Alguém aí está ansioso para a chegada da década de 70, com Margareth Thatcher como primeira-ministra? E… A década de 80, com Lady Di :O
    O furacão Margaret vai continuar, talvez mais suave com o passar dos anos, mas teremos substitutas à altura.

    • Pedro Duzzi

      Criticou o machismo de Philip mas terminou o seu comentário com uma frase machista.

      • Caio R

        Pra você ver. Entendo Philip completamente (como disse no comentário). Só que ele está demorando para entender onde ele está.