Crítica: Inferno

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Dante Alighieri. Considerado o maior poeta da língua italiana, seu nome remete imediatamente a “Divina Comédia”, obra essa que já foi adaptada nos mais diversos meios e mensagens. A riqueza imagética e de detalhes criadas definiram a visão do mundo pós Renascentista de inferno. Hoje ainda há dúvidas sobre os círculos infernais, punições e fogo eterno, mas a semente plantada ainda persiste na ficção. “Inferno” (2016), adaptação da obra de Dan Brown, é a mais recente prova dessa máxima.

Acordando em Florença sem lembrar de como foi parar lá, Robert Lagndon (Tom Hanks) terá de contar com a ajuda da Dra. Sienna Brooks (Felicity Jones) numa corrida contra o relógio pela Europa, seguindo pistas deixadas na obra de Dante Alighieri, para encontrar o vírus Inferno, que tem a capacidade de eliminar metade da população do planeta.

Descubra o segredo antes que o inferno se liberte. Ou quase isso

A habitual verve de Dan Brown para detalhes históricos capciosos e teorias conspiratórias em objetos canônicos do mundo das artes e literatura retorna de modo simples nessa terceira incursão do personagem nas telas. Passagens que ganham camadas de significados e atiçam a imaginação do leitor são transpostas de modo fiel, mas sem o peso emocional devido ao ritmo imposto pelo roteiro de David Koepp. Assim como “Anjos e Demônios”, o sentido de urgência é que dita os trâmites da narrativa, criando um bom filme de ação, mas que toca de maneira débil o cerne do conteúdo literário criado por Brown. Ron Howard marca pontos por gravar in loco a maioria das cenas dos lugares descritos no livro. Os jardins toscanos, os pátios e corredores do Palazzo Vechio, a Batalha de Marciano, o intricado adornamento árabe nas paredes da Hagia Sophia… São elementos que saltam aos olhos e dão ainda mais veracidade a imaginação do escritor americano, porém são jogados nas duas horas de filme, dando o background necessário, mas falhando em criar a conexão destes com o espectador.  As poucas pausas de ritmo acabam parecendo desconexas frente ao escopo geral de ação da obra. Talvez o modelo utilizado em “O Código Da Vinci” tenha sido considerado deveras lento ou didático, dando essa abertura de “correr” com elementos importantes dali em diante.

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O vilão Betrand Zobrist (interpretado por Ben Foster) tem uma motivação humana, passível de acontecer. Zobrist joga com a questão da superpopulação do planeta e o lento apocalipse para qual caminhamos, com o carisma de um televangelista e o dinheiro de um bilionário. Nos poucos momentos em que aparece no filme, Foster demonstra mais insanidade e ameaça do que os que agem ativamente na narrativa. Outros destaques ficam por conta de Irrfan Khan, no papel de um peculiar facilitador internacional e Sidse Babett Knudsen, na pele da Dra. Elizabeth Sinskey, interesse romântico latente de Langdon. Omar Sy tem certo destaque, mas entra no rol de personagens (involuntariamente) mal aproveitados pelo roteiro.

Misturando o medo arcaico clássico com uma ameaça moderna e real, “Inferno” comprova que é um bom filme, mas que tem defeitos latentes provenientes da questão da adaptação cinematográfica. As reviravoltas que se acumulam e acabam perdendo força de impacto aliadas a constante troca de antagonista dá a sensação de que algo não encaixou bem, principalmente para aqueles que leram a obra original e sabem do alcance narrativo de Brown. Talvez a culpa seja do espaço de tempo entre o segundo e terceiro filmes ou o salto que deram sobre “O Símbolo Perdido” decidindo adaptar o último volume (dos quatro existentes), que carrega um certo tom de despedida. Com o anúncio de um quinto volume das aventuras do professor para 2017, é questão de tempo que um novo filme seja anunciado no encalço. O inferno, afinal de contas, são os outros.

* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Sony Pictures Brasil

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  • Luis Fernando

    Estou lendo o livro no momento e estou gostando. Sempre nas NOVELS a historia ganha mais detalhes.

  • Reader

    Faz anos que não desgostei tanto de um livro como esse de Dan Brown. O tempo todo ele tenta nos convencer de seu ponto de vista apocalíptico. Eu fiquei metade do livro GRITANDO mentalmente pra ele q o problema não é a falta de alimento e espaço agrícola e, sim, a má distribuição de renda e acúmulo de riqueza na mão de poucos, (será que ele já ouviu falar no MST?) argumentos que não aparecem nem por meio da Dra. Elizabeth. E aquele final… que final broxante… Só devo assistir quando passar na TV e olhe lá…

    • Vitor

      Tire as terras das mãos dos produtores agrícolas e as entregue ao MST, e você verá o que é injustiça, improdutividade e má distribuição de riqueza.

      • Reader

        Ok. Vamos deixar como tá então, que tá ótimo.

  • Ray

    Quem gosta dos demais filmes da franquia com ctza tbm gostará desse, mas pra mim o Código da Vinci ainda é o melhor

  • Jordison Francisco

    Inferno é um filme nada inteligente. Além de ser desmotivante. Sendo que presume constantemente a burrice de seu público. A nota na escala de 0 a 10 o resultado é 3.3