Code Black 2×07: What Lies Beneath

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“Ninguém disse que era fácil. Ninguém jamais disse que seria tão difícil assim.”

– Coldplay

Assim como dito nessa parte da música do Coldplay, pudemos acompanhar por meio das duas histórias contadas nesse episódio, que mesmo se preparando para o caos, nunca será fácil e nada, nem ninguém conseguirá te mostrar o quão difícil é até acontecer. Independente de ser médico ou não, conseguir deixar seus sentimentos de lado e pensar imparcialmente é uma das atitudes mais difíceis de ter no dia a dia. Desde conflitos dentro de casa até o ambiente de trabalho, todo dia somos influenciados por fatores externos e por valores pessoais que direcionam nossas opiniões e ações. Em “What Lies Beneath” vimos um pouco disso, porém o episódio prometeu demais e não atendeu às expectativas.

Começando pelo caos criado com a chegada dos detentos, ficou previsível ao longo de todo o episódio que algo aconteceria com Jackie e que isso traria sérios problemas. Quem não é um principiante no mundo das séries, provavelmente já assistiu Greys Anatomy, E.R. ou outras séries médicas e com isso já se formou e tem até PhD na área. Dessa forma, no instante em que Jackie ganhou um leve destaque, comentou sobre a filha e Heather prometeu que tudo ficaria bem, meu alarme de tretas disparou e já fiquei esperando a tragédia acontecer. Depois disso, só quem realmente estava submerso na trama e inocente a tudo que estava acontecendo não percebeu que era o fim de Jackie quando ela soltou uma das algemas e ficou sozinha com Damien. Essa previsibilidade ainda se seguiu quando Damien apareceu na sala da Rorish, porém a partir desse instante a história me ganhou.

Diferente do que eu esperava e é comum de acontecer, não houve nem sequer o início de uma fuga, com Rorish tentando avisar alguém ou escapar, enquanto fingia ajudar Damien. Não. Com todo seu conhecimento, calma e prepotência do detento, ela conseguiu sobreviver sem problemas e trouxe para o episódio uma das melhores e mais importantes discussões atuais. Em um mundo cada vez mais conservador, onde escutamos frases como “bandido bom é bandido morto” serem levantadas como uma bandeira é necessário discutir sobre os direitos fundamentais e os direitos humanos de todos, sem exceção. Não é difícil entender o posicionamento de Pinkney e pensar como ela, o difícil é realmente abstrair de tudo o que ocorreu e pensar que não somos juízes, não devemos fazer justiça com as próprias mãos e não temos esse direito. Embora revire o estômago que pessoas boas estejam morrendo, enquanto as “más” estejam vivas, o discurso de que as pessoas podem mudar é real. Pode ser um tanto quanto idealista e difícil de acontecer, mas acontece. E se acontece, o que nos dá o direito de selecionar quem merece e quem não merece uma chance?

Ainda nesse caso, adorei ver Pinkney em ação e tendo uma relação com as outras personagens durante todo o episódio e não apenas de modo superficial em uma cena. Em minha opinião, a personagem tem potencial e poderia ser muito melhor, porém depois de seu passado com Mario, virou apenas uma sombra de Campbell, infelizmente.

Seguindo para a outra história do episódio, quando vi Campbell e Willis juntos e sozinhos no meio do mar em um local de caos, comemorei e criei expectativas imensas. Os dois vêm tendo ao longo de toda a temporada uma relação conturbada, não respeitando um ao outro e sempre discordando quando possível, porém, dessa vez, o trabalho em conjunto, a parceria não era apenas obrigatória, mas necessária. Em um local onde todos falam russo, escondem as verdadeiras intenções e o que está acontecendo, e não existe qualquer ajuda do lado de fora, Campbell e Willis precisavam um do outro.

O início da história me prendeu completamente, me fazendo criar teorias malucas do motivo daquele capitão não querer sair da sala e querer cuidar apenas de um paciente, sem dar maiores informações sobre o que aconteceu. A troca de olhares e a sintonia entre os antigos inimigos e agora parceiros também me empolgou muito e foi criando um suspense do que os dois ainda teriam que fazer. Entretanto, quando a história chegou ao seu clímax, armas estavam sendo apontadas, gritos surgiam de todos os lados e em todas as línguas, possibilidades infinitas surgiam na tela, um balde de água fria foi jogado. Senti como se a história tivesse afundado junto com o navio e fiquei sem reação com o que aconteceu. Com a possibilidade de atirarem em Campbell ou Willis e um ter que ajudar o outro, criando uma ligação entre eles ou várias outras alternativas que fazia os dois se unirem e ter uma tensão, o paciente desconhecido simplesmente levantou, falou seu nome e depois desmaiou. E agora eu te pergunto:

  • Se o capitão nem sabia o nome do paciente, que preocupação era aquela para salvá-lo?
  • O paciente desconhecido era cunhado do Putin? É isso?
  • Por que raios toda a história foi mantida em mistério se ela não precisou ser revelada para dar fim à história?

Com essas perguntas e provavelmente várias outras que nem lembro mais, fiquei extremamente decepcionado com essa parte do episódio e apenas comemorei que agora, se todas as santidades permitirem, Campbell se tornará alguém tolerável.

Por fim, mais uma vez Guthrie destilou veneno para fugir da verdade, mesmo escutando de vários amigos que eles estão ali para lhe ajudar. Tentaram até colocar um pano de fundo para esse plot, mas não funcionou comigo e continuo achando toda essa história muito chata, mas talvez seja porque acho Guthrie tedioso e que estejam desperdiçando completamente Malaya.

Black Tags:

– Mario e Angus a cada episódio mostram o porquê de serem amados pelo público e continuam protagonizando uma das melhores, senão a melhor, relação da série.

– Pergunta que não quer calar, e os residentes do primeiro ano? Esqueceram no churrasco.

– Acho engraçado ver esse povo bebendo vodka pura e fazendo cara de que bebeu água. Dica do coração: Não faça isso em casa, é mentira e nunca dá em algo bom.

  • Maria Canova

    Oi Fernando, pelo que eu entendi, os russos sabiam quem ele era, mas não queriam falar para os americanos que tinham um membro da família Putin no submarino que estava em águas americanas. De resto, concordo contigo, o melhor da série há muito tempo é a amizade entre o Mario e o Angus <3

    • Fernando Coletinha

      No início pensei assim também Maria, aí voltei na cena para ver se não tinha perdido nada e vi que depois do “Putin” mandar deter o capitão, o capitão fala “who do you think you are?”. Com isso, fiquei sem entender nada kkkkkk
      Sim, brotp demais.