Code Black 2×05: Landslide

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Como avisado pelo nome do episódio, em Landslide fomos levado ao desmoronamento, desabamento de todos os personagens frente à morte de Charlotte. Ainda que duas semanas tenham se passado, a maneira como se deu a morte e a contínua lembrança nos corredores e na portaria do hospital, não ajudam a aceitar o que aconteceu. A frase citada por Willis e criada por Steven Pressfield encaixa perfeitamente com a realidade do Angels Memorial nesse momento. Embora aquele local não seja uma guerra e o caos seja totalmente diferente, a dor de ver uma colega, uma amiga morrer e ter que lidar com a impotência de fazer algo a respeito desperta os mesmos sentimentos.

“A guerra invoca tudo o que é nobre e honrável em um homem. Ele o une a seus irmãos e os une em um amor altruísta.”

– Steven Pressfield

Se em “Demons and Angels” houve uma preocupação de que a morte de Charlotte fosse uma derrocada para a série, em “Landslide” pudemos ver mais uma vez a morte sendo uma personagem incrível e gerando um desenvolvimento em quase todos os outros personagens. Com uma exceção aqui e ali, esse episódio nos proporcionou algo que estava faltando e fazia de Code Black uma série mediana, a identificação com os personagens.

Iniciando pelos novatos, Elliot desde o primeiro episódio não havia despertado qualquer interesse ou aparentava ter potencial para ser um bom médico ou alguém que nos interessássemos saber sobre, entretanto, sua parceria com Angus nesse episódio funcionou perfeitamente e me fez ter esperança quanto ao seu futuro. Ganhando um maior espaço, o antigo “sugar bear” agora começa a fazer seu nome e mostra que passado o nervosismo, ele pode sim ser um bom profissional. Espero que continue crescendo e consiga nos encantar.

Fazendo parceria com outro residente do segundo ano, Noa começou a me conquistar nesse episódio e mostrou que tem carisma até mesmo nos piores momentos e situações. Sua maneira de lidar com Mario e tudo que estava acontecendo demonstrou que ela não apenas é uma boa médica, mas pode ser uma grande amiga, uma questão que no início dessa temporada parecia ser distante, quando ela e Charlotte brigaram por um paciente. Sinto que com a morte da amiga, Noa ganhará um maior destaque e honrará o potencial que ela tinha.

Avançando um ano de residência, Angus finalmente voltou à ativa após a chacoalhada da rainha Leanne. Acredito que todos tenham sido compreensíveis com Leighton, visto que seu irmão está em coma e ele teve que enfrentar seu pai e Campbell, entretanto, já estava na hora de vermos ele de volta como médico, aprendendo e ensinando os mais novos. Porém, mais do que isso, pudemos ver nesse episódio um Angus diferente, mais maduro, racional, atento e confiante. Não apenas no momento em que ensinou o procedimento a Elliot e ajudou o menino a passar pelo nervosismo, Leighton soube dar apoio a Mario como ninguém conseguiu e isso mostra um desenvolvimento gigantesco do personagem, já que há pouco tempo atrás ele surtava com cirurgias, ficava ansioso ao dar um “oi” para Heather e precisava sempre de Savetti ajudando-o com conselhos. A amizade dos dois é uma das melhores relações construídas, em minha opinião, e espero que isso apenas continue ajudando Angus a crescer como profissional e pessoa.

Ainda sobre Mario, estava ansioso pela volta de seu pai, pois essa era uma oportunidade de mostrar sua vida pessoal e uma parte de seu passado que lhe atormenta. Admito que fiquei apreensivo de apenas vermos mais uma vez Vince chegar bêbado, ser um pai horrível e ir embora, porém nessa nova Code Black, tivemos mais uma morte, com impactos totalmente diferentes, mas tão importantes quanto. Vince não possuia carisma ou qualquer característica que nos fizesse gostar minimamente dele e assim, sofrer com sua morte; entretanto, assistir Savetti chorar enquanto dizia que estava bem, foi mais uma cena para cortar nosso coração e pensar que mesmo sendo ausente e péssimo como pai, no final, ele era importante para Mario e sua morte deixou uma relação pai-filho mal resolvida que agora não há o que fazer. Savetti desde o início era muito frio e não parecia gostar de falar sua vida, e agora dá para entender um pouco do motivo. Isso me fez gostar muito mais do que já gostava do personagem e causou uma identificação que acho ser necessária em cada um nessa série, porque dessa forma nos importamos com cada pequeno detalhe da vida deles, sofrendo e comemorando juntos.

Code Black --- Landslide
Code Black — Landslide

Continuando com os residentes de segundo ano, meu desejo maior nesse momento era afirmar que Malaya também está um momento ótimo e que agora crescerá com o plot sobre a tremedeira de Guthrie, mas minha esperança está negativa. Malaya é uma médica excelente e uma pessoa que se dá bem como todos os outros personagens, alguém que merecia uma história própria, que merecia um air-time digno e que merecia ter um maior cuidado com seu desenvolvimento pelos roteiristas. Na primeira temporada, ela foi uma das personagens mais amadas e infelizmente nessa segunda temporada, está sendo jogada de lado em todos os episódios, servindo agora de muleta para uma história do Guthrie. Sério? Sério mesmo que é essa a utilidade dela na série? Esse descaso com nossa querida Dra. Pineda está sendo um dos erros absurdos da série e espero fortemente que além desse semi plot que ela está inserida, que os roteiristas a tratem como ela deve ser tratada.

Como não posso ignorar Guthrie e o que está acontecendo com ele, ainda mais por ser uma história importante, devo mencionar a analogia perfeita utilizada com o paciente taxista, Oscar. Ignorar às vezes parece ser uma solução, pois assim seria como se o problema não existisse e é exatamente dessa maneira que grande parte da população e Guthrie age. Fingir que nada está acontecendo e que tudo ficará bem não ajuda em nada e muito menos é uma solução. Quero ver no que isso vai dar e como Mama e Malaya agirão sobre.

Por fim, Willis mais uma vez teve seu lado humano que tanto tenta esconder à tona e vimos que seu passado no Afeganistão ainda o afeta profundamente. Com certeza vivenciar uma guerra não deve ser nada fácil e todas as mortes e situações lá vividas devem afetar o psicológico das pessoas de uma forma que somente quem passou por isso pode entender. Porém, é nessa negativa que a série consegue trazer algo positivo. Esse passado difícil e toda essa tristeza que Willis passou podem ser usados para ajudar aqueles que não conseguem e não sabem lidar bem com perdas e outros problemas afins. Embora Willis não queira ser visto como um conselheiro e tente não se apegar a ninguém, é impossível dizer que ele, Leanne e Mama já não tenham uma amizade, seja essa motivada por um inimigo em comum ou pela mesma preocupação em ajudar aqueles que têm menos conhecimento. Willis é um dos personagens com maior potencial na série e que sempre consegue enriquecer aquele outro com quem conversa. Não aceito essa possibilidade dele voltar para o exército, até porque quero meu trio lutando contra Campbell.

> Veredito da 3ª temporada de Black Mirror!

Black Tags:

– Campbell deu uma melhorada, mas minha antipatia com ele continua me impedindo de gostar nem que seja minimamente dele.

– Heather, cadê você? Não entendi terem criado todo esse plot dela brigar com Campbell, perder o direito de ser cirurgiã e depois ganhar de volta, se agora nem mesmo aparece no episódio.

– #MikeVoltaLogo