Code Black 2×03: Corporeal Form

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Desde a premiere da segunda temporada de Code Black, foi possível observar que além de residentes novos e casos interessantes, Angels Memorial sofreria bastante com a junção do O.R. e E.R.. O problema principal não é a junção da administração em si, mas o nome da pessoa responsável por tudo, Campbell.

“Humildade. Abre o dicionário e faz osmose do significado em você Campbell.”

– MUNDO, O

Quem não tem memória de Dory e lembra-se da primeira temporada, se recorda de como Campbell chegou ao hospital se achando o “bam bam bam”, não apenas no quesito profissional, mas também sobre relacionamentos amorosos. Assim como Rorish, acredito que todos o rejeitaram e tentaram apenas conviver com ele. Entretanto, como já diziam meus avós, quer descobrir de verdade como uma pessoa é, dê a ela poder.

Como já vimos em vários episódios, ser médico não significa ser superior a ser enfermeira, e com certeza, ser cirurgião não lhe faz ser melhor do que ninguém. Essa falta de humildade gera consequentemente um orgulho e uma imaturidade quando embates ocorrem e opiniões se diferem, levando essas pessoas “superiores” a serem rudes e injustas com seus “inferiores”, simplesmente pelo fato de não aceitarem estarem erradas ou por acharem que todo mundo tem que ser perfeito. Assistir Dra. Piel, Heather e Willis sofrerem repreensões de Campbell mostrou claramente que o Dr. Sabichão e Bonitão não consegue aguentar quando se prova estar errado ou quando outros não se calam perante a ele, uma clara demonstração de insegurança.

Com essa atitude e decisões patéticas, acredito que Campbell já ganhou o selo de personagem desnecessário e nem mesmo para odiar serve mais. Todo mundo gosta de um vilão, mas ninguém gosta de uma criança birrenta no corpo de um adulto que se acha o melhor de todos. Entretanto, na filosofia de que sempre podemos tirar algo bom de coisas ruins, a relação Jesse/Rorish/Willis está cada vez melhor e vê-los lutando contra Campbell juntos é delicioso de assistir.

Acredito que com o tempo, todos se juntarão no #TeamWillis e mais cedo ou mais tarde, sendo um bom cirurgião ou não, a administração terá que ser modificada, ou veremos uma greve não só de enfermeiras, mas do Angels como um todo. Posso ser bem sincero? Espero ansiosamente.

Todavia, essa briga interna em relação ao sistema está se mostrando cada vez mais prejudicial aos residentes, principalmente àqueles em seu primeiro ano. Dra. Piel ganhou destaque desde o primeiro episódio não só por ter sido antes uma atriz famosa, mas por saber de cor e salteado os livros que leu e por mostrar um potencial muito bom para um ambiente como o E.R.. Sua punição por ter cometido um erro vai de encontro a todos os princípios de um hospital-escola e me faz questionar, assim como Willis, se Campbell realmente se preocupa em salvar os pacientes dos outros médicos ou se só se preocupa com os dele.

O caso do Barry foi uma clara demonstração da linha tênue entre o Black Tag e a desistência. Se estivéssemos como na primeira temporada, no meio de uma rodovia, com dezenas de pacientes e um tempo limitado para salvá-los, seria prudente considerar Barry um caso perdido, visto que gastar tempo com ele seria perder outros vários em situações mais brandas. Porém, nesse caso, nem mesmo em Code Black o Angels Memorial estava, não se tratando de Black Tag, mas sim um jogo de orgulho e de procedimentos formais. Campbell não queria dar o braço a torcer e dar espaço para Willis conquistar respeito e admiração dos outros, ainda mais que seus métodos se diferenciam bastante. E é com essa discussão e a cena em que Heather está animada com o procedimento sem se preocupar ao menos em saber o nome do paciente, que Code Black critica a falta de foco às vezes de alguns sistemas de saúde. Não importa se seu orgulho foi ferido, se seu dia foi ruim ou qualquer acontecimento lhe deixou triste, estressado, o paciente deve ser prioridade sempre.

Code Black --- "Corporeal Form"
Code Black — “Corporeal Form”

Essas discussões trazidas à tona por Code Black, nos fazendo refletir sobre a sociedade e sobre os sistemas, são incríveis e me alegram bastante ao assisti-las, porém, vejo ao longo desses três episódios uma falha em distribuir o air time entre os personagens. Mais uma vez Malaya praticamente não apareceu no episódio e continua sem ter uma história própria na segunda temporada. Savetti, Noa, Charlotte e “Sugar Bear” continuam aparecendo um pouco nos casos, mas sem ter um desenvolvimento maior sobre seus passados ou sobre suas relações dentro e fora do hospital; o que achei que mudaria depois que o pai de Mario apareceu, entretanto, foi apenas um episódio pelo visto.

E, assim, ficamos com dois plots centrados em 4 pessoas apenas. De um lado Rorish, Jesse e Ethan lutando contra Campbell e, do outro lado, Angus continua tendo que lidar com o coma de Mike, tendo o papel invertido e precisando agora tomar conta do irmão que sempre lhe protegeu e ajudou e, ainda, lidar com outra pessoa que podia dar as mãos para o Dr. Sabichão e pular de um abismo, o pai dele. Não entendam que esses plots estão chatos ou que não exista uma curiosidade para ver o tombo de Campbell e Angus se impondo, porém, o descaso com alguns personagens, praticamente os tratando como figurantes dá um sinal de incompetência da produção em dividir as histórias e lidar com todos os personagens que quiseram criar, vide Christa e Neal não terem a explicação de sua saída até hoje.

Code Black continua nos proporcionando episódios sólidos, com casos interessantes e plots para nos contorcermos na cadeira, porém precisa tomar cuidado para não continuar se sustentando apenas nos pacientes e acabar perdendo o amor do público por seus atendentes e residentes, afinal nós acompanhamos a série em grande parte pela vida desses funcionários e não pensando nos casos da semana.

Black Tags:

– Dica do dia: Não peça uma mulher em casamento colocando a aliança no pênis. Isso não é um close certo.

– Começo aqui a campanha ao #TeamWillis e às atividades de macumba para ver Campbell tombar.

– Pai do Savetti apareceu uma vez, Angus mencionando sua rehab, ‘Sugar Bear’ falando que foi abandonado pelos pais… Code Black, história para contar vocês tem, parem de enrolar.

– Alguém sabe se Janie foi uma referência a Raising Hope? Ela estava realmente morta? ‘We see dead people’? O que aconteceu?

– Preciso saber do passado do Willis e o que ele quis dizer com “já estive morto”. Por favor roteiristas, nunca te pedi nada.