Code Black 2×04: Demons and Angels

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Code Black arriscou tudo em Demons and Angels e saiu de sua zona de conforto. Trazendo em 45 minutos momentos de tensão, cenas para se emocionar e chorar de alegria e tristeza, a série passou por uma linha que não tem como voltar, a morte.

“I’m a Doctor”

– Dra. Charlotte Piel

Desde o primeiro episódio da segunda temporada, os residentes do primeiro ano pareciam ser apenas o mais do mesmo, com exceção de uma pessoa, Charlotte Piel. Ex-atriz, famosa por um trabalho quando era adolescente, Charlotte não tinha como desafio para ser uma médica apenas o vestibular, residência e todas as provas que a profissão já demanda, ela precisava ser ela mesma, ela tinha que mostrar para os outros que Jessamine ficou no passado e nesse momento, ela era uma médica e uma ótima médica. Seu problema em aceitar ordens superiores quando elas não parecem fazer sentido e sua constante luta para ser respeitada, nos fez sentir uma empatia e acredito que todos começaram a torcer para que ela se tornasse uma médica badass.

Entretanto, como nem tudo é um mar de rosas e às vezes a vida, ou a morte, nos pega de supetão, sua morte veio de maneira inusitada, rápida e sem nos dar chance de nos prepararmos. Em pleno quarto episódio, a decisão de mata-la é sábia e arriscada ao mesmo tempo. Se uma personagem consegue em apenas 4 episódios criar uma simpatia com o público e fazer com que sua morte seja tão sofrida, com certeza ela teria muito o que acrescentar para a série e seria uma daqueles personagens que até plot ruim fica assistível só por tê-la protagonizando. Todavia, a morte sempre funciona como uma personagem e se utilizada de forma correta pode ser infinitas vezes melhor que as ações daquela pessoa viva.

Agora que Charlotte morreu, veremos (assim espero) mudanças em todos os residentes e médicos do Angels Memorial. Campbell poderá aprender um pouco sobre o que é humildade, os residentes do primeiro ano poderão aprender que eles não estão entrando em uma brincadeira, Rorish poderá aprender a não se culpar pela morte de pessoas próximas a ela e todos em geral deverão enfrentar todos os dias as lembranças que aqueles corredores trarão. Mais do que uma amiga e médica, Charlotte era filha de alguém, tinha sonhos e agora não poderá mais realizá-los. Sua morte possibilita que outros personagens sejam mais humanos, se abram mais e tenham relações mais profundas, nos permitindo conhecer mais sobre suas vidas, suas aspirações e seus medos. Espero que assim como o passado de Willis, outros passados sejam trazidos à tona e possamos nos identificar e emocionar com outras histórias.

Se o maníaco que via o demônio gerou o caos no hospital e acabou matando uma personagem incrível, fora do hospital, Willis foi o anjo do episódio e protagonizou um dos melhores casos da série até hoje. Assistir uma criança tendo que agir como adulto para salvar vidas alheias ou a própria sempre é um acerto em cheio e dessa vez não foi nem um pouco diferente. Vestido de Batman, simpático e engraçado, Ian foi a criança perfeita para nos fazer revirar na cadeira temendo pela sua morte. Toda a história em si foi conduzida de forma perfeita e conseguiu somar dois aspectos essenciais em uma série médica, caso da semana de tirar o fôlego e uma amostra do passado de um personagem. É praticamente impossível não se emocionar com a história contada por Willis e não querer saber mais. Já sabemos o motivo dele possuir tanta dificuldade em aceitar ordens do Campbell (não que eu reclame disso por um segundo) e descobrimos um pouco do porquê de ele preferir não falar sobre o que aconteceu no Afeganistão, porém espero que os roteiristas o façam contar mais e mais, seja para Amanda ou para Rorish.

Code Black --- Demons and Angels
Code Black — Demons and Angels

Ainda comentando sobre o lado feliz desse episódio, após vermos Angus não fazer praticamente nada e o plot de Mike andar o mesmo tanto que ele, finalmente houve um desenvolvimento e pudemos ver Angus batendo no peito, enfrentando o pai e Campbell e, mostrando que ele é sim um bom médico e sabe do que está falando. Claro que ele precisou de um empurrão do Mario e contou bastante com a sorte, porém foi maravilhoso assistir a reação dos Big Bosses quando Angus sambou na cara deles e Mike respirou sem ajuda de aparelhos. Sei que é pedir muito, mas já quero os irmãos de volta trabalhando juntos, porque essa é uma das melhores relações que a série vem construindo.

Por fim, o último acontecimento que promete o que falar para frente, é a tremedeira de Guthrie e suas falhas tentativas de fingir que está bem. Por sua sorte, apenas Malaya viu o que está acontecendo e como os dois possuem uma relação praticamente de pai e filha, ela provavelmente tentará ajudá-lo escondendo de todos os outros. Isso dará coisa boa? Não. Provável que dê problema? 110%. Entretanto, não temos como julgar e aposto que quase todo mundo faria o mesmo, então vamos apenas esperar pelo que vai acontecer e torcer para que não seja algo irreversível.

Em geral, “Demons and Angels” foi o episódio chave para o futuro de Code Black. A partir de agora os roteiristas possuem a chance de melhorar relações interpessoais, criar uma maior identidade do público com os personagens e trazer vários casos que despertem esse lado humano neles, nos fazendo sofrer em dobro. Entretanto, o pior sempre pode acontecer e a morte de Charlotte pode acabar sendo tão impactante quanto a existência ou não-existência de Christa e Neal. Caso essa segunda possibilidade aconteça, perderei todo meu respeito pela série, logo espero de coração aberto que não estraguem essa chance maravilhosa que Code Black tem de crescer.

> Teorias Bizarras de Westworld!

Black Tags:

– R.I.P Charlotte. Você ficou pouco tempo, mas gostei de você pacas. Pra mim você foi badass o tempo todo.

– Heather continua perdida e alheia a tudo o que está acontecendo, não importa quantas interações tenha com o pessoal da E.R.

– Campbell, essa sua carinha de bom moço não me engana, continuo torcendo para que você seja tombado.

– Só eu achei que Ethan teve clima tanto com Amanda quanto com Rorish? Quero muito ele, Mama e Daddy reinando neste hospital.

  • Pâmela

    Ia adorar o Ethan com a Rorish.. o roteiro poderia explorar bem a história trágica de ambos.

  • Anderson Luis

    Poxa, gostava da Charlotte ainda mais pelo o que você disse sobre ela lutar pra ser respeitada. Fiquei sentido pela Rorish se sentindo culpada.