Class 1×03: Nightvisiting

1
330

 

Sobre o amor e a perda.

Depois de uma estreia frenética, “Class” resolveu diminuir o ritmo de ação nessa semana e ainda assim conseguiu entregar um episódio de qualidade. “Nightvisiting” é um daqueles episódios que se mostram emocionais já nos primeiros momentos: em pouco mais de três minutos somos apresentados à história da família da Tanya, desde o primeiro encontro de seus pais, passando pelo seu nascimento e indo até o dia em que o pai da garota sofre um derrame e, infelizmente, acaba morrendo. Tenho que elogiar a construção dessa sequência que foi extremamente singela e tocante e conseguiu nos posicionar dentro da realidade da garota.

“Almas nunca podem ser forçadas, apenas persuadidas.”

E mais uma vez “Class” vem falar sobre a perda, mas ao contrário do modo como esse tema foi trabalhado com Charlie e Ram, o tratamento usado com Tanya é muito mais calmo, sutil e emotivo. A garota precisa encarar um ser que se apresenta como seu pai e pede para que ela o acompanhe. A forma como os Lan Kin trabalham é muito efetiva, principalmente para uma sociedade que dificilmente aceita a perda e acredita que após a morte exista um novo lugar onde todos possam se encontrar novamente, acontece que Tanya é uma garota muito esperta e ela não se deixa levar facilmente por aquilo que está acontecendo, pois mesmo quando o seu pai conta histórias da infância, ela se mantém racional e diz que isso só é possível por causa da habilidade de leitura da mente do alien.

 Eu posso segurar sua mão, mas... E esse tentáculo muito suspeito nas suas costas?
Eu posso segurar sua mão, mas… E esse tentáculo muito suspeito nas suas costas?

Todas as cenas entre Tanya e seu pai foram habilmente construídas. Existe uma tensão, um desconforto que permeia os momentos de diálogos entre eles, uma confusão de sentimentos que nos leva a pensar se em algum momento ela vai ceder à pressão ou vai resistir à insistência da criatura.  Por fim, vemos surgir uma força que parecia não existir na personagem. E aqui vão os meus parabéns para Vivian Oparah que consegue segurar muito bem todas as sequências da personagem.

E do outro lado April vai construindo seu caminho de modo mais contido. Enquanto não temos um foco maior na personagem vamos conhecendo sua história e personalidade aos poucos. Dessa vez ficamos sabendo dos problemas causados pelo pai alcoólatra e os efeitos que isso causou não somente dentro da família, mas também na forma como as pessoas passaram a vê-la. Talvez por ter sido exposta a esse tipo de acontecimento tão cedo ela teve bastante tempo para desenvolver uma visão mais crítica e adulta sobre a vida e a maturidade com que ela trata dessas questões chamou a minha atenção.

“Eu não sou feita de vidro.”

Outra coisa que também chamou minha atenção foi a aproximação entre April e Ram. Eu ainda acho que seja um pouco cedo para unir esse casal, ainda mais se considerarmos que, antes desse episódio, nenhum deles possuía um contato mais estreito com o outro, nem mesmo a amizade entre eles parecia ser algo muito presente: Ram estava muito mais próximo da Tanya, enquanto April e Charlie possuíam um vínculo maior, mas vamos esperar para ver até onde isso vai chegar. Se isso for benéfico para ambos eu não vou achar ruim, até porque eles formam um belo par.

 Ram e April: Será que vinga?
Ram e April: Será que vinga?

Enquanto o romance entre April e Ram ainda pode ser visto como uma incerteza, a relação entre Charlie a Matteusz parece se encaminhar para algo mais concreto e promissor. Já rolou “Eu te amo”, conversa filosófica, amasso embaixo do edredom, mudança de casa e até consentimento por parte da Miss Quill, embora ela não pareça se importar muito com isso.

E personalidade fria e indiferente que pode ser tida como a principal característica da Miss Quill se dissolveu um pouco. Diferente da imagem de durona que ela pretende passar, Quill parece sofrer muito mais que Charlie pela perda do seu povo. Ao passo que Charlie não tem dificuldades em seguir a vida, fazer novos amigos e encontrar um amor, ela permanece solitária, talvez seja a forma que ela encontrou para lidar com o luto, mas é possível perceber que ela gostaria de pertencer a algum núcleo. A cena em que ela observa o grupo comemorando a derrota dos Lan Kin mostra como ela permanece isolada, nem mesmo os jovens parecem querer incluí-la como parte da equipe.

Não negue: nós sabemos que você quer um pouco de carinho.
Não negue: nós sabemos que você quer um pouco de carinho.

“Class” continua criando uma narrativa de qualidade, com histórias cuidadosamente construídas e personagens fortes. Desse jeito fica difícil não continuar assistindo.

Nota de um diário de classe nº1: Três palavras: THE HUNGER GAMES.

Nota de um diário de classe nº2: Como evitar a histeria após um ataque alienígena? Com uma amnésia coletiva, é claro. Ainda bem que a própria série reconhece isso como uma saída conveniente.

  • Ronaldo

    Class é bem divertido, e os personagem apesar de poucos episódios estão sendo bem trabalhados. Está matando minha sede de aliens até Doctor who voltar!