BoJack Horseman 3×07/08: Stop the Presses/Old Acquaintance

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Não tem nada mais legal do que ver que mesmo tão tarde na temporada, BoJack continua experimentando estruturas legais para a sua narrativa. Esses foram dois dos episódios mais legais da temporada até aqui precisamente por inovarem tanto não só nas suas ideias como também na forma como elas são apresentadas. Não tem sido raro nesse terceiro ano, eu sei, mas eu esperava que algum momento as coisas ficassem um pouco mais mornas. Não tem sido o caso, felizmente.

BoJack passa o sétimo episódio inteiro tentando cancelar a sua suposta subscrição num jornal, mas a administradora da empresa é astuta e consegue o convencer de que esse ódio que ele nutre pelo jornal é uma maneira dele evitar os seus verdadeiros problemas. A misteriosa Closer foi uma das figuras mais intrigantes que apareceram em toda a série e foi ainda mais legal o enigma continuar aberto. Mas a série não permite que nós fiquemos chateados com a falta dela no próximo episódio porque ela traz outro conceito estupidamente inteligente: mostrar que o Rutabaga e a Vanessa Gekko não são vilões, mas sim pessoas normais. Na cabeça deles, afinal, eles são os mocinhos.

Talvez não pareçam princípios tão inovadores quando eu os descrevo, mas BoJack tem um belo histórico de ousadia. Desde o seu piloto a série tem experimentado fazer coisas diferentes. Nem todas elas funcionaram, mas o que importa é tentar. As tramas não fogem tanto do espectro tradicional de maluquices da série, porém essa temporada tem parecido mais matura do que as anteriores, quase como se a animação tivesse compreendido que nunca será tão popular quanto alguns outros programas (mesmo dentro da Netflix) e que resolveu investir em se tornar ainda melhor para quem já gosta dela. Como a sua inventividade narrativa é uma das suas maiores qualidades, apostaram de vez nisso e estamos tendo os episódios mais imaginativos da série.

Outra coisa que está me agradando bastante na temporada é a aparente falta de propósito de BoJack. Sim, a sua busca por uma nomeação ao Óscar tem ditado os eventos da história, mas sentimentalmente, o personagem estar mais à deriva do que nunca. Ele não sabe se quer se tornar uma boa pessoa ou se tornar um babaca de vez. Um bom exemplo disso foi o seu pequeno arco com a Kelsey. Ele está disposto a deixar a oportunidade de trabalhar num blockbuster enorme com o David Pincher para trabalhar no filme independente dela simplesmente por se identificar com o que ela quis dizer e, possivelmente, pela vontade de compensá-la pelo que ele fez. Foi algo extremamente nobre e é uma pena que essa storyline provavelmente vá ser abandonada. Ah, e gostaria de deixar claro e marcado em cimento que a Kelsey é uma das minhas personagens favoritas de toda a série.

BoJack Horseman está me fazendo sentir cada vez mais que a série precisa de um novo começo. Não porque existe alguma coisa manchada que precisa de ser escondida debaixo do tapete, mas porque faria muito bem à narrativa experimentar algo ainda mais ousado. Imaginem o BoJack finalmente tomando as rédeas da situação e decidindo se afastar de todos que conhece e ir para um lugar novo? Uma quarta temporada sem todos esses personagens que conhecemos tão bem? Doeria no coração, mas seria algo muito legal de se ver. E faria com que nós ficássemos ainda mais alegres quando finalmente voltássemos a ver essa turminha.

Gags mais charmosas do episódio 

IMAGEM 1

A pedra Blarney é um bloco rochoso nos arredores do Castelo Blarney na Irlanda. Existem várias lendas em torno dessa pedra e a maior delas é que a pessoa que beijá-la ganhará o poder da eloquência. Nós a vemos na mesa da mulher eloquente o bastante para convencer o BoJack de que ele quer continuar recebendo jornais que não lê na sua casa. Não preciso nem dizer que entra pro hall de piadas mais inteligentes e obscuras da série, não é? Vou até confessar que só entendi depois de reler várias vezes a página da Wikipédia sobre essa pedra, mas vamos ver se o reviewer do AV Club pega essa!

IMAGEM 2

“Apesar do meu estilo ser muitas vezes comparado com o do Luis Buñuel, minha abordagem é bem cerebral.” Essa é cheia de si, hein?

IMAGEM 3

Não teve como rir dessa. A Margo achando que estava sendo discreta e que ninguém desconfiava de nada até que…

IMAGEM 4

BoJack está sempre preparado. Será que essas “merdas de espião” já apareceram antes? Fiquei com a impressão de que não foi a primeira vez.

IMAGEM 5

Provavelmente está escrito “Fancy Feelings University” no diploma. Ao menos espero que esteja, porque eu ri bastante com isso.

Outras coisas que eu adorei:

– Em algum momento os escorredores de macarrão do Mr. Peanutbutter vão trazer sucesso ou salvar a vida de alguém. Já ficou óbvio;

– Voltou a estimada atriz de personagem Margo Martindale. Depois daquela temporada terrível de The Good Wife, deu até pra notar o ânimo da atriz em dublar uma personagem em algo que preste;

– ‘Animals of New York’ foi uma ótima sacada.

– A Princess Carolyn bebendo um copo de leite foi a coisa mais adorável que qualquer gato já fez nesse planeta ou em qualquer outro.

– ‘Universo cinematográfico estendido de Horsin Around’. Ah, piadas atuais…

Falas que me fizeram uivar:

– “É como se toda manhã alguém batesse na minha porta e dissesse ‘aqui, joga isso no lixo pra mim’.” 

“E se fizéssemos o nosso lugar seguro para mulheres também disponível para mulheres?” “Esse é um mercado não aproveitado!” 

– “Ele está brincando com você, ele é um bom cachorro. Só ladra, não morde. Ah, desculpa, essa é uma expressão de labradores. Em termos humanos seria ‘ele só fala, não te fuzila com um rifle de assalto.”

  • Matheus Rocha Andrade

    a narrativa da serie é espetacular, bela review

  • Matheus Rocha Andrade

    a narrativa da serie é espetacular, bela review