Black Mirror 3×05: Men Against Fire

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A tecnologia como uma aliada da Guerra e da consciência humana em Men Against Fire.

Os períodos de guerra são notoriamente reconhecidos como grandes propulsores do avanço científico e tecnológico. A título de curiosidade, os computadores, GPS e máquinas fotográficas digitais são alguns dos equipamentos desenvolvidos para guerras que foram incorporados à sociedade.

Em Men Against Fire é a primeira vez que vemos Black Mirror aprofundar-se na discussão da evolução tecnológica aliada aos conflitos armados e o que vemos é uma reflexão extremamente pertinente que traz ecos do nosso passado em um futuro ficcional que soa perfeitamente possível. Black Mirror tem essa habilidade de trabalhar aspectos futuristas, às vezes até surreais, mas que se tornam extremamente críveis ao serem sustentados pelas questões comportamentais de nossa sociedade. Assistimos os episódios acreditando que nosso futuro pode não ser tão distante do que a série nos apresenta e isso não podia ser mais emblemático que nesse episódio. A eugenia com o discurso do ‘combate a linhagens inferiores’ que conhecemos tão bem da Alemanha Nazista nos é apresentada em uma nova roupagem e cenário, mas as palavras e muitas das implicações são essencialmente as mesmas. As baratas desse mundo futurista de Men Against Fire são – infelizmente – comparáveis aos judeus das décadas de 30 e 40 na Alemanha de Hitler e, por que não, aos refugiados sírios que atualmente deflagram uma crise de Imigração na Europa. Questões recorrentes em nossa História que provavelmente terão terreno para retornar em um futuro cujo avanço tecnológico implicará em novas abordagens para enfrentá-las.

E, assim, Men Against Fire é mais um soco no estômago dos espectadores de Black Mirror e, acredito, o episódio mais violento dessa nova temporada. Apesar de alguns diálogos bastante expositivos e uma trama que não me pegou completamente de surpresa, reconheço mais um ótimo e brutal episódio da série.

O título é uma clara referência ao livro ‘Men Against Fire: The Problem of Battle Command’ escrito em 1947 por S.L.A. Marshall, um combatente da 1ª Guerra Mundial e historiador militar na 2ª Guerra Mundial, que entrevistou mais de cem mil combatentes da 2ª guerra concluindo algumas das informações que vimos o personagem de Michael Kelly (House of Cards) expor nesse episódio: a cada quatro soldados em campo apenas um disparava suas armas com a real intenção de matar os inimigos. Esse estudo teve enorme repercussão nas Forças Armadas Americanas que reformulou todo seu treinamento militar resultando em números muito mais expressivos na Guerra do Vietnã. Mas ainda havia um problema: a consciência e empatia dos homens que viam, ouviam e sentiam o cheiro das mortes que provocavam. E é dessa brecha que nasce a famigerada máscara militar abordada nesse episódio.

Men Against Fire prova que é muito mais fácil atirar mirando em um bicho-papão

Monstros, doentes que colocam em risco a existência da espécie humana. É assim que somos apresentados às baratas que, de fato, inicialmente se revelam criaturas disformes que causam medo, horror e afastam a empatia dos militares americanos e dos civis que mesmo enxergando-os em sua real forma ‘foram ensinados a odiá-los’. Perturbador é refletir que isto não nos deve soar inverossímil uma vez que o nosso próprio passado é a prova que mesmo sem máscaras tecnológicas as pessoas foram capazes de classificar outras como criaturas inferiores, menosprezá-las e desejar seu extermínio. Particularmente eu adoro quando Black Mirror expõe os conflitos de nossa natureza humana a sua maneira absurda e incisiva que dialoga tão bem com seu público.

A visão que as baratas tinham do seu algoz, Stripe (Malachi Kirby). lack Mirror --- Men Against Fire.
A visão que as baratas tinham do seu algoz, Stripe (Malachi Kirby). Black Mirror — Men Against Fire

Ao longo do episódio acompanhamos a primeira caça do jovem Stripe (Malachi Kirby) que participa da invasão à casa de um homem que se diferenciava dos demais civis, pois auxiliava as baratas e não as desprezava. Achei toda a sequência que se conclui na revelação das criaturas bem conduzida e bastante eficiente em gerar a tensão e curiosidade acerca do quê e como seriam essas criaturas. Mas confesso que frases como “Ele tem problemas mentais por ajudar baratas”, “Como alguém pode ser burro de ajudar uma barata?”“Não é possível que ainda as veja como humanas” aliadas ao discurso de ‘raça superior’ da comandante Medina (Sarah Snook), dispararam meu desconfiômetro, calejado dos plot twists de Black Mirror, de que talvez as coisas não fossem exatamente como nos eram apresentadas. Aí reside minha principal crítica ao episódio: um excesso de explicações e diálogos expositivos para que entendêssemos a configuração desse novo mundo e seus conflitos. Acredito que as imagens e os comportamentos apresentados já transmitiriam a mensagem desejada, sem precisarmos de frases de efeito que apesar de fortes, não imprescindíveis para criar o impacto almejado.

Se o mundo se voltou contra as baratas, nada mais justo que elas lutem por sua sobrevivência e esse esforço reside na esperança de que os militares voltem a enxergá-los como iguais e sensibilizem-se com isso. Stripe acaba sendo a primeira cobaia do instrumento que inativa a máscara e então passamos a acompanhar progressivamente os efeitos dessa engenharia reversa: dores de cabeça, desconfortos e sensações desconhecidas.

Em seu primeiro contato com o psicólogo Arquette (Michael Kelly), Stripe relata que não sentiu nada – nem mesmo remorso – ao matar as baratas, afinal o fez de forma rápida e em autodefesa. Matar em autodefesa extingue praticamente todo sentimento de culpa, não é mesmo? A autosobrevivência mascara a brutalidade do ato. E é esse exatamente o tipo de relato que os líderes das Forças Armadas americanas esperavam conquistar ao introduzir as máscaras no exército. É claro que algumas pessoas não precisam de tal artifício para assassinar semelhantes e o episódio até evidencia isso ao confrontar a visão de Stripe e de sua parceira, Ray (Madeline Brewer). Enquanto ele afirma que matar civis os atormentaria por toda sua vida, ela já não precisa de máscara para ver defensores de baratas como pessoas que também merecem morrer. A máscara é uma tecnologia que pode não ser necessária para todos os combatentes, mas afasta as menores e as maiores crises de consciência e empatia que alguns humanos possam vir a ter durante o combate, o que torna o exército e seu poder de fogo muito mais eficiente.

A partir do encontro de Stripe e Arquette também descobrimos que os sonhos dos soldados são igualmente manipulados por suas máscaras militares. O psicólogo promete ao soldado uma ótima noite de sono, como se os prazeres noturnos fossem recompensas aos feitos durante os combates. O implante de Stripe continua dando sinais de defeito quando seu sonho é povoado por diversas réplicas de sua esposa (?) e é extremamente perturbador quando ele desperta na madrugada e vê todos aqueles soldados entorpecidos por seus sonhos eróticos manipulados.

A máscara é uma amiga. Sem ela você vai lembrar tudo o que você fez

A revelação que as baratas não eram humanos transfigurados, mas pessoas normais foi contundente. Vimos uma mulher aterrorizada e um Stripe consternado ao vê-la – como  ela é – sendo assassinada friamente por Ray. Ray fica incrédula com o comportamento do parceiro e, sinceramente, como julgá-la enquanto ela enxerga monstros aliciando um colega?

A sequência final do embate entre Stripe e Arquette foi excelente. Todas as explicações foram dadas e o desespero do jovem militar a cada revelação foi devastador. Ali ficou evidente que os militares são completamente controlados através da máscara e que podem até não ser as baratas que desprezam, mas também estão longe de ter qualquer autonomia. São verdadeiras máquinas de matar a serviço de interesses que não são os próprios. E quando Stripe revê as imagens e escuta os sons de seus assassinatos, a verdade não poderia ser mais dolorosa. Afinal, se houve autodefesa, foi a do jovem brutalmente esfaqueado por ele.

Confrontado entre continuar agindo de uma forma que julga injusta – mas que esquecerá e que lhe dará prazer às noites – ou viver eternamente aprisionado física e mentalmente com um peso na consciência imensurável, Stripe opta pelo natural egoísmo humano que tem até certo instinto de autosobrevivência. Entre sofrer com a verdade e causar sofrimento com mentiras ele opta pela segunda opção e o que temos é uma cena final bastante amarga que nos faz refletir sobre quais seriam nossas escolhas. A máscara lhe dá uma visão reconfortante, uma ilusão é verdade, mas ali ele já não tem mais consciência que enxerga mentiras e isso lhe bastou.

Black Mirror --- Men Against Fire
Black Mirror — Men Against Fire

“É melhor ser infeliz, porém estar inteirado disso, do que ser feliz e viver sendo feito de idiota” é uma famosa citação de Dostoiévski que vai à contramão da escolha de Stripe. E vocês, o que fariam? Será que a máscara seria mais uma invenção que transcenderia os conflitos armados e seria inserida no nosso cotidiano?

PS – Você pode ler as críticas dos episódios anteriores de Black Mirror clicando aqui.

  • carla machado

    Adorei a review.

    • Steffi

      Valeu Carlinha! 🙂

  • Jaime Guimarães

    òtima review! Sdds reviews de GOT da Steffi. <3

    • Steffi

      Obrigada Jaime! Que venha GoT hahaha

  • Marcelo

    Eu gostei do ep mas foi o que ”menos” gostei da temporada perto dos outros, ficou abaixo.

  • Matheus Brito

    Acho que esse foi o 2º episódio que mais curti dessa temporada. O paralelo entre o Nazismo e a atual crise de refugiados não podia ser mais pertinente. Episódio inteligente e interessante. E, apesar de óbvio pra muitos, confesso que só percebi a revelação das baratas serem normais juntamente com o protagonista. Foi um bom plot twist pra mim, e todo o diálogo final entre ele e o Arquette foi excelente.

    Achei o episódio espetacular, e mal podia esperar que o próximo seria ainda melhor…

  • Bruno Souza

    Cara, eu senti o mesmo desespero do Striper ao ver que estava matando humanos normais. Poucas séries conseguem fazer com que o telespectador se coloque na pele dos personagens e BM faz isso com maestria.

    Mais um excelente episódio.

  • César

    Ótima review! Não sabia que o nome do episódio era referência a um livro, legal mesmo.

    É na escolha dada pelo Arquette que surge a ideia mais assustadora do episódio, porque ele ameaça o soldado de ser preso e ficar revendo em loop a cena de sua matança. Não julgo mesmo a escolha do Stripe, sendo refém de seus sentidos.

    Apesar do episódio pesar a mão em alguns diálogos, é o meu segundo favorito dessa temporada. Esses temas de doutrinamento do corpo e mente são sci-fi clássico, inserido em uma campanha militar contra o que poderiam ser mesmo refugiados imigrantes, não ficou tão distante da realidade.

  • Lord

    Ótima review Steffi!!! Espero que BM seja renovada.

    • Steffi

      Já tem mais seis (acho) episódios garantidos! 🙂

  • Matheus Ramos

    Excelente review, estava com sdds Steffi! <3

    • Steffi

      Valeu Matheus! 🙂

  • João Paulo

    Mais uma ótima review da Steffi, como já é de praxe.

    Muitas obras tentam recriar o soldado perfeito, geralmente com alterações genéticas e tudo mais, e aqui em Black Mirror nós vemos esse conceito da máscara, que foi trabalhada de forma muito criativa e inteligente.

    Que arma de guerra é melhor que uma que altera os seus soldados a ponto de melhorar os seus sentidos, sua mira, eliminar aqueles problemas indesejáveis de uma guerra, como o cheiro, até mesmo a empatia pelo outro e de quebra transforma seus inimigos em monstros? É simplesmente genial.

    Todo esse conceito é incrível, e a forma como foi exposto na série, durante aquele diálogo entre o psicólogo e o Stripe foram sensacionais e o ponto alto do episódio.

    Já não é novidade, os episódios de Black Mirror costumam trazer twists avassaladores e aqui não foi diferente. Descobrir que as baratas eram apenas humanos comuns, com “problemas” no sangue e personalidade, que levaram a uma segregação forçada por parte dos “poderosos que apenas querem o bem da sociedade”, foi chocante. O paralelo com o mundo real não podia ser mais propício.

    Enfim, pode não ter sido o melhor episódio de Black Mirror, na verdade, não fica nem no meu Top-3 da temporada, mas ele tem uma das melhores e mais pesadas críticas de toda a série.

    • Steffi

      Valeu Joao Paulo. Concordo com tudo que voce colocou. Tb n está no meu top3 da temporada, mas é uma critica mt forte e pertinente.

      • João Paulo

        Qual o seu Top-3?

        • Steffi

          3×03, 3×04 e 3×06 🙂

    • Letícia Menezes

      As ‘baratas’ não tem problemas no sangue, e sim, genes defeituosos, o que ‘macha’ as futuras gerações. Logo ao exterminá-los a população se tornaria mais ‘perfeita’.

      • João Paulo

        É verdade, é no DNA, obrigado pelo complemento.

  • Carcosa, the Yellow

    Ótima review. E ótimo episódio.
    Aquelas informação q o Michael Kelly apresenta na sala branca. Uau. Sério. Uau.
    15% dos soldados com arma atiram. 15%. Uau. Excelente episódio.

    • Steffi

      Valeeeu! Realmente tb fiquei UAU hahaha

  • Flavio Batista

    Quando o medico vai falando quais os males q eles queriam evitar, eu fiquei em choque ao perceber que se tratava de eugenia.

    • Steffi

      Um assunto sempre tenso e delicado :/

  • gabix

    A princípio, esse foi um dos episódios que eu menos gostei da série. Após ler sua opinião, entretanto, pude perceber como essa temática e esses dilemas estão postos na ordem do dia. A crise humanitária na Europa está aí instalada, e os imigrantes sírios são percebidos, e por vezes representados, como baratas.
    Enfim, Steffi, sua review tem ótimas colocações e está, como habitual, muito bem escrita.

    • Steffi

      Muito obrigada Gabix! 🙂

  • Ótima review! Mencionou muito do que eu percebi no episódio.

    Vale observar o comportamento e mentalidade de Stripe antes de aceitar a máscara. Nesse universo do episódio, o exército claramente deve tirar proveito das pessoas mais ingênuas ou em desespero. O fato do exército explorar essa deficiência humana adiciona mais uma cada a história.

    • Steffi

      Valeu Luis! Bem pontuada sua observaçao. Adoro todas as reflexoes que podemos tirar de cada episodio de BM!

    • Flavio Batista

      é verdade, da pra notar bem q ele era bem diferente do Stripe que conhecemos no episodio. Parecia mais desligado e inconsequente, ate

  • Marcos Bastos

    Eu amo como a mesma música do 1×02 e do White Christmas apareceu de novo. Já é uma marca da série

    • Steffi

      Verdade, bem observado!

      • Pablo Meireles da Rosa

        qual música?

        • Eu também venho reparando nisso, haha
          A música é “Anyone who knows what love is”.

  • Wagner Junior

    Eu não sei mas eu acho que o diapositivo de the entire history of you pode ser essa mascara adaptada para a sociedade

    • Thiago luis

      Eu acho que se passa no msm universo, vide uma citação em 03×06 a Iam ranocch, assassino de crianças com aquele sequestrador de urso branco que tinha o msm nome

  • Antony

    Mais um episodio muito bom ! Verdade que não teve nenhuma surpresa tinha 50% de chance de ser ou não baratas e sim pessoas normais, tbm achei que não precisava ser tão didático explicando o ocorrido , de qualquer maneira mais um super tapa na cara de Black Mirror na sociedade .

  • Letícia Menezes

    Ficou claro que os sonhos eram manipulados e uma recompensa na cena que ele atira com a Ray e comentam a caçada e ela diz que ele terá uma ótima noite e que ela queria porque tá precisada. Também quando o médico diz que vai dar a ele uma boa noite de sono quer dizer que as várias versões da mulher seriam a tal recompensa. Afinal, melhor que transar com uma pessoa é transar com várias versões dela (lógica puuuura), aí bugou a máscara no meio da orgia e ele acordou. Vi assim pelo menos.
    Gostei do twist e me deixei ser enganada e descobrir a verdade com o protagonista. Claro que ele ia ceder no fim, eu cederia, instinto de sobrevivência.

  • Alysson

    Os gays, soropositivos, negros, deficientes e outros, sabem muito bem como é essa mascara. Tratados com indiferença pelos grandes que levam essa politica de exclusão para a cabeça do restante da sociedade.
    Profunda depressão, mas não identifiquei o motivo, não sei se é pela mascara que eu insisto em usar, se é pelo fim do episódio ou ainda pelo fim da serie que já se aproxima.

    • Steffi

      Bem isso, uma reflexão extremamente pertinente e perturbadora.

  • João Carlos

    Sensacional esse episódio. Essa série sabe trabalhar muito bem temas bem importantes da nossa sociedade.

  • Filipe Dias

    Steffi, quero te agradecer por essa bela resenha que escreveu. muito boa e reflexiva. Principalmente por trazer a fonte do discurso de Arquete, que fiquei muito curioso para saber de onde vinha aquelas informações e se elas realmente existiam, ou era mentiras do personagem para manipular o soldado. E tudo fica muito mais forte sabendo que é de uma fonte verdadeira

    • Steffi

      Muito obrigada Filipe! 🙂

  • JohnnyVhe

    Ótimo review! =)

    • Steffi

      Valeeeeu!

  • Amanda Veloso

    Excelente review… só não entendi muito bem o final, o q terá acontecido a esposa dele?

    • Zé Higídio

      Na minha interpretação ela sequer existiu… Só nas projeções da máscara.

  • Zé Higídio

    Excelente review para um ótimo episódio!
    O plot twist realmente não foi totalmente imprevisível, mas a crítica social foi mais uma vez bem profunda e colocada de forma muito criativa.

  • Walber Lima

    Review perfeita.

    Olhei o episodio com o pé atrás pq não me interessa muito esses temas de guera, mas no decorrer a série me conquistou pela crítica a segregação e todos os conceitos envolvidos.

    Vejo que o pessoal se incomoda se descobrir as coisas antes, para mim isso é até mais bacana, não acho que tira a graça, e não achei previsível, mas desde o começo imaginei que eles não tavam infectados ou eram aberrações pq Black Mirror nunca foi disso, sempre foi sobre teconologia, mas a série foi muito boa em abordar a realidade das baratas. Assim como os tais diálogos expositivos, não me incomodaram. O que me incomodou foi imaginar uma sociedade capaz disso. E as informações sobre a guerra foram sensacionais.

    Esse episódio foi o que mais mostrou o quanto esse mundo pode ser perigoso.

    A decisão do rapaz era a normal, mas isso que ela irá viver não é uma vida, assim como ficar preso não teria, mas acho que seria melhor pelo menos saberia o que está acontecendo e não tiraria mais vidas inocentes