Black Mirror 3×04: San Junipero

66
12810

Entre viagens no tempo, enfrentamento da morte e uma linda história de amor, Black Mirror entrega para o telespectador uma trama que, no conjunto geral dos episódios da terceira temporada, destoa ao nos deslocar para os anos 80. Quando li a descrição da sinopse de “San Junipero”, na caixinha de diálogo do Netflix, fiquei me indagando: como é que esse quarto episódio irá tratar da complexa relação entre homem e tecnologia em 1987, uma vez que os demais episódios sempre focam na atualidade? É essa quebra de horizonte de expectativas que a quarta história de Black Mirror ganhou a sua singularidade e se tornou, para mim, o melhor episódio dessa temporada.

“Parece que, a partir do momento em que [os homens da democracia] se desesperam de viver pela eternidade, eles se dispõe a agir como se fossem existir por não mais que um dia.”

– Alexis de Tocqueville

Inicialmente, quando somos apresentados as duas personagens que protagonizam a história, fiquei incomodado pelo tom maniqueísta dos perfis femininos: Yorkie (Mackenzie Davis), a jovem ingênua, tímida e amedrontada por sua sexualidade, e Kelly (Gugu Mbatha-Raw), extrovertida, sensual e despreocupada em seguir regras, formavam aquele casal em que as diferenças se transformariam em objeto de sedução e aproximação. E assim foi. Porém, a caracterização de cada personagem, feita de modo tão oposto, estava cumprindo uma função que somente saberíamos no final de “San Junipero”.

San Junipero é uma cidade praiana, de turistas, uma espécie de ilha. Aqui vale lembrar que esse tipo de espaço, o da ilha, é o símbolo que marca o nascimento das teorias sobre o utopia, sobre o não lugar, sobre o que imaginamos e não necessariamente existe. A utopia é uma partida para um outro lugar melhor, para uma sociedade oposta, que conseguiu se livrar de suas mazelas. Será esse essa cidade corresponderia a essa descrição…? Esse episódio é o único da temporada que tem como título um lugar, fato que dá ênfase que estamos num plano do imaginário, além das apropriações de simulacros.

O primeiro encontro entre as duas meninas ocorre numa boate, lugar que, em geral, as pessoas se perdem uma das outras. Porém, no caso delas, foi local de encontro. Kelly, na tentativa de fugir de um rapaz, esbarra em Yorkie e começa a decifrá-la, percebendo que os seus óculos são somente um acessório de moda. E assim começa, com muita leveza e pureza, o jogo de sedução. Kelly leva Yorkie para a pista dança que, muito inibida e desconfortável, vai logo embora. O som quase ensurdecedor da boate aparenta indicar que aquele espaço é uma espécie de tentativa exagera de bloqueio do mundo exterior, como se os frequentadores tivessem a necessidade de sentir tudo muito intensamente. Quanto mais anestesiados e absortos em uma camada da realidade diferente, mais aliviados ficamos.

Quando as duas se encontram pela segunda vez, temos uma primeira passagem de tempo, a de uma semana. No segundo encontro, mais uma semana se passou. As personagens estão sempre vivendo num sábado, uma pista para pensarmos nos espaços de tempo vazios como um indicativo de que estamos diante de uma realidade simulada. Yorkie volta para a boate e não encontra Kelly. O barman, então, a aconselha ir ao Quagmire, um bar estilo inferninho. Após isso, o telespectador vê, de forma mais direta, a primeira troca de época de Yorkie, quando ela vai até os anos 90 e depois para os anos 2000 em busca de sua amada. As poucas horas de vida no sistema são utilizadas para encontrar novamente Kelly.

Black Mirror --- San Junipero
Black Mirror — San Junipero

O reencontro ocorre nos anos 2000 e Kelly deixa claro que só buscava diversão. O soco no espelho do banheiro, em que o vidro não se quebra e nem a mão sangra, deixa evidente que Kelly está numa espécie de prisão: não pode ferir fisicamente e nem ser ferida. O tempo eterno também possui um preço e, aparentemente, é bem caro. Sentir dor faz parte da nossa humanidade. Como nos sentiríamos se perdêssemos essa característica? Quando as duas sentam para conversar sobre a relação nesse novo tempo, vem à tona a realidade em que estão vivendo: ambas estão dentro de uma ucronia, um tempo imaginário. A maioria das pessoas que estão ali já estão mortas e são chamadas de permanentes, pois morreram e escolheram viver na eternidade desse tempo em brumas, frágil e fugidio.

Kelly não sabe exatamente quando irá morrer. Logo, não sabemos até quando elas estarão juntas, pois também não conhecemos a situação de vida de Yorkie fora dessa realidade. Ou seja, a vida fora da simulação, ironicamente, talvez, torna-se uma ameaça para a concretização do amor das garotas. Por isso, Kelly sugere que elas se encontrem fora dali, independente da resistência da sua parceira em rejeitar a proposta, pois teme que ela possa se assustar. Kelly acha que isso não é possível, pois já está morrendo: o que ela não sabe é que Yorkie está mais próxima da morte do que ela. O telespectador, a todo mundo, é colocado diante de uma belíssima história de amor que tinha tudo para nunca ter acontecido.

Ao nos transportar para a vida fora daquele tempo imaginário, os roteiristas da série tematizam, através da melancolia, o preconceito. No caso de Yorkie, a rejeição de seus pais em relação a sua sexualidade custou a sua própria vida, uma vez que isso a levou para o estado vegetativo. A vida que foi perdida quando era jovem pode ser recuperada anos depois através desse sistema terapêutico que oportuniza pessoas a terem horas de vida em épocas passadas. O sistema deu mais horas de vida para Yorkie do que ela própria viveu. Será que isso não seria também uma metáfora para nós, usuários de redes sociais, que às vezes vivemos mais em avatares do que fora deles? Às vésperas de sua eutanásia, Yorkie opta pela eternidade em San Junipero, onde viverá para sempre após a sua morte, sem limitação de horas.

Nesse momento, temos o grande impasse da trama e uma grande DR: poderia Kelly, ao morrer, juntar-se à Yorkie? Até então, não conhecemos o passado de Kelly, fato que apenas ocorre quando ela explica que não deseja ficar em San Jupinero e ser uma “morta permanente”. Quando esse sistema foi criado, a filha de Kelly com o seu marido já tinha morrido e ele recusou participar dessa experiência porque não queria viver eternamente sem a filha. Logo, permanecer no sistema, para Kelly, seria uma espécie de traição à memória do marido.  Todos os 49 anos que ela deu para o marido e vice versa iriam ser rememorados por toda a vida eterna, mas sem ele e sem a filha. Essa seria uma das formas mais cruéis e violentas de solidão. Para Kelly, San Junipero representava um “cemitério”, um lugar onde nada tem importância e as pessoas tentam, desesperadamente, sentir algo. Todavia, para Yorkie, esse sistema representava a oportunidade de viver que lhe foi arrancada tão cedo.

O final da história, para alguns, pode ser considerado feliz. A meu ver, é dúbio. Que felicidade se pode esperar vivendo no círculo da eternidade? E para Kelly, que teve muito mais anos de vida do que Yorkie, as memórias familiares serão lembradas como amor ou como fardo? San Junipero não “existe”, é um não lugar de simulação virtual. Entretanto, o amor das duas existe. Teria o amor a capacidade de vencer as barreiras do espaço e do tempo, da ucronia que desfaz a materialidade, o corpo, e as transforma em seres que vagam e transitam entre variadas épocas? Em Amantes Eternos (2013), de Jim Jamusch, a eternidade, do ponto de vista dos vampiros, é vista como um peso, pois traz sofrimento, uma vez que a vida se torna uma prisão. O carpe diem vive um declínio, visto que a morte não é mais uma certeza, uma possibilidade. Outro ponto importante de destaque é que a “Terapia de Imersão Nostálgica” é um produto de consumo. Portanto, é como se o indivíduo fosse engolido num ciclo interminável pelo poder de aquisição de bens (cada vez mais “duráveis).

E vocês, gostaram desse passeio a San Jupinero? Vocês gostariam de ser permanentes e passar o resto da vida badalando no Tucker’s?

> 5 Novas Séries Imperdíveis!

Take 1: A timidez de dançar de Yorkie na primeira cena era resquício dos preconceitos já sofridos pelos pais. Ela estava ali, na pista de dança, violentada pelo seu passado e presente.

Take 2: Gostei muito diálogo da trilha sonora instrumental com os hits dos anos 80 (lembrou bastante Stranger Things, pelo ar de suspense) e com uma atmosfera futurista.

Take 3: O fliperama, naquele contexto, era uma imersão dentro de uma simulação, uma espécie de duplo encaixe.

Take 4: San Jupinero era um lugar de turistas, pois representava esse espaço de passagem, onde as pessoas não podem ficar muito tempo, sempre ameaçadas pela chegada da meia noite.

Take 5: Na conversa com o noivo de Yorkie, Kelly corrige-o e pede para que ele se refira a partida de sua companheira como “morte” e não como “Ida”. Tal como em “Be Right Back”, primeiro episódio da segunda temporada de Black Mirror, também escrito por Charlie Brooker, a compreensão da morte (e como “vivê-la”) é tematizada.

Take 6: Netflix, alô alô, a história não se trata de uma “intensa amizade entre garotas”, é um romance mesmo.

Take 7: O final “feliz” não me incomodou. Nós precisamos de finais felizes também e, principalmente, quando se trata dessa série, que já nos põe bastante na bad. E ter um desfecho bonitinho é algo que nos desloca do que esperávamos habitualmente ver em Black Mirror.

Take 8: Será que Kelly e Yorkie teriam, um dia, se encontrado, na “vida real”, fora do sistema de simulação?

  • Ricardo

    Eu já penso totalmente o contrário… Pra mim esse foi o episódio mais fraco da temporada (os melhores foram o terceiro e o sexto). A história se desenrolava de forma lenta e o episódio parecia não ter fim. Sem falar que foi uma história muito otimista (confesso que estava esperando um final trágico)!

    • Diogo Souza

      Oi, Ricardo! É legal ver essas outras opiniões. Quem gostou, gostou muito, quem não gostou, desgostou mesmo. Sobre o final: ele não foi tão bonito quanto pareceu. E se foi, agradou-me por isso, ao romper o padrão do trágico e nos dar uma alegriazinha.

      • Ricardo

        Eu falei ali que meus preferidos foram o terceiro e o sexto, mas na verdade foram o quarto e o sexto. Os melhores que achei foi o “Cala a boca e dança” e o das abelhas (que mais parecia um filme por causa da sua duração)!

  • Vinicius

    adorei o episódio e sua opinião sobre ele.
    apenas dois comentários. Elas se reencontram em 2012.
    e eu ACHO que elas podem se desligar de San Junipero no momento que quiserem. Ou Kelly ou Yorkie falam isso rapidamente, mas não tenho certeza, preciso ver novamente. Tomando base que ela pode se desligar de lá a qualquer momento, acredito que ela possa viver por um tempo com Yorkie e quando o passado pesar, se desligar e seguir o caminho do marido.

    • Ela fala isso sim. Só fica eternamente lá se quiserem, caso não a consciência é retirada daquele banco de dados mostrado no final e a pessoa se vai.

    • Diogo Souza

      Vinicius, obrigado pela observação. Eu me empolguei com a Alanis Morissette e troquei as datas. É muita andança no tempo, hehehe. Concordo com a sua leitura do final, mas, a meu ver, aquele espaço da eternidade não deixa de ser um túmulo, principalmente no final, quando vemos as vidas ali trancadas em gavetas. Elas podem sair, porém, estão, de certa forma, aprisionadas.

  • Matheus Brito

    Eu curti o episódio, mas pra mim passa beeeeem longe de ser o melhor da temporada. Pra mim essa vaga tá disparada com o “Odiados pela Nação”, que inclusive se tornou o meu preferido de toda a série.

    Sobre San Junipero em si, gostei do incômodo que senti no início ao não perceber nenhuma ligação com a tecnologia. Apesar, que, lá no fundo da mente, havia uma vaga teoria que aquilo poderia ser uma realidade simulada. Mas só com a passagem de tempo mais elástica, quando ela pulou décadas, é que eu entendi direito o episódio. Aliás, detalhe pro banner de Scream aparecendo ao fundo da imagem de 1996, preocupação com os mínimos detalhes…amei demais!

    Curti também que esse episódio foi diferente da aura dos outros apresentados. Aqui a problemática presente em todos os episódios de Black Mirror foi reduzida. Tivemos uma trama mais alto astral, “esperançosa”, que apesar de alguns percalços, terminou numa espécie de final feliz. E as duas protagonistas, tão amorzinhos <3

    • Diogo Souza

      Oi, Matheus! Obrigado por compartilhar a sua leitura. Eu não acho que a temática foi reduzida, e sim trabalhada de um jeito mais inesperado. Sabe o que essa caraterização do tempo me lembrou? A série Cold Case.

  • Sthefani Cordeiro

    Meu episódio preferido da temporada junto com Odiados pela nação. A mudança de foco, do que geralmente acontece na série, me supreendeu e agradou porque já estava esperando um final fatídico como é o costume de Black Mirror. Apesar de não soar pessimista como os demais, ela trás uma reflexão poderosa sobre o que seria eternidade e se da forma como ela foi apresentada, realmente vale a pena. Como vc bem apontou, o final é muito mais cinza do que aparenta ser. Adorei o episódio e sua review

    • Diogo Souza

      Muito obrigado, Sthefani! O episódio 6 também se tornou o meu favorito. Gostei muito desse leve distanciamento de um pessimismo pesado.

  • João Fiuza

    Otima review para o meu episódio favorito dessa 3a temporada de Black Mirror. E só uma pequena correção, o reencontro das duas acontece no inicio de 2000 (provavelmente 2002), quando a trilha sonora da festinha era Can’t get you out of my head, da Kylie Minogue, lançada há 15 anos atrás! 😊

    • Diogo Souza

      Oi, João! Putz, 15 anos dessa música! Obrigado pela observação. Que bom achar alguém que favoritou também! 🙂

    • Douglas Couto

      Era 2002 mesmo, eles fizeram questão de jogar várias dicas como essa da música (que eu nunca ia pegar rs) e também dos filmes em cartaz. A Identidade Bourne de 2002, Pânico de 1996, Os Garotos Perdidos de 1987 e tem um que aparece no segundo encontro das duas que não lembro. Achei massa isso.

  • Ótima review.

    Quando li a sinopse, eu achei que eles realmente iam contextualizar a serie nos anos 80 com os personagens temendo o mau uso de uma tecnologia atual mas que pra eles ainda soasse distópica e perigosa… Seria uma ótima oportunidade de roteiro.

    • Diogo Souza

      Obrigado, Felipe! Cara, por um rápido momento, pensei que a série faria isso também. Vamos ver se essa abordagem pode aparecer na próxima temporada. Seria uma maravilha.

  • César

    Meu preferido da leva e uma ótima review!

    Concordo sobre o final dúbio, li muitas críticas por aí que o consideram um final feliz, mas não acho que a perspectiva de viver uma eternidade sem consequências seja tão boa não. É só reparar na aparência de San Junipero, mudavam-se as décadas e a cidade permanecia com aquela aparência de uma felicidade plástica, fabricada artificialmente. Isso é ainda mais reforçado pela cena das fileiras de HD, desconstruindo a ilusão do reencontro das duas.

    Só que você pode ter uma visão mais otimista sim, de que o amor das duas poderia superar tudo isso.

    • Diogo Souza

      Obrigado, César! San Junipero é tão plástica e superficial. E aquelas fileiras reforçam a ideia de aprisionamento.

  • Netflix arrumou a sinopse depois das reclamações.

    • Diogo Souza

      Eu vi agora, Edu. Fui conferir agora depois do seu comentário. Valeu!

  • Marcelo

    Fazia tempo que não me emocionava tanto com uma série, chorei e ainda não me recuperei. Pra mim o melhor episódio da série.

    • Diogo Souza

      Massa, Marcelo. Mais um para a trupe!

  • Jaime Guimarães

    Cara, vc deveria ter escrito todas as reviews.

    • Diogo Souza

      Poxa, Jaime, muito obrigado 🙂

  • Gordura do Ultra

    Gostei do episódio , foi interessante descobrir que tudo era de fato simulado , e me surpreendi quando vi que a Kelly ja era uma senhora , e que ja tinha vivido uma vida inteira , e que a maior preocupação era se envolver e escolher viver eternamente nesse mundo simulado , deixando o marido e filha , com certeza não foi uma decisão facil , mas é uma perspectiva sobre a vida e a morte, coisa que a humanidade tenta sempre vencer …

    • Diogo Souza

      Isso! São coisas que sempre procuramos vencer e esbarramos numa certa impotência.

  • João Paulo

    Devo ser um dos poucos que não curtiu muito o episódio, por sinal, achei o mais fraco da temporada.

    Achei a premissa incrível, todo as reflexões que ele levanta são geniais, porém foi tudo muito mal aproveitado, lento e raso.

    A história demorou a ser contada e por várias vezes se tornou desinteressante. A gente demora muito a ingressar na trama e começar a entender o que de fato está rolando ali, muito por conta do início confuso, além do ritmo bem arrastado.
    Com a temática revelada deu pra assistir, curtir e ver até o final sem reclamar.

    • Diogo Souza

      Oi, João Paulo! Muita gente não gostou. Eu não achei que o desenvolvimento foi raso. Inclusive, a primeira coisa que acontece é o encontro das duas. O roteiro dá pistas sutis que estamos diante de uma simulação, aproveitando bem os detalhes.

  • Kin Jordan

    Pra mim foi o melhor da temporada, de longe.
    História belíssima, contada de maneira impecável e de sensibilidade ímpar, além de belas atuações.
    Foi o episódio que mais me fez refletir sobre diversas questões, e provavelmente o mais diferente de toda a série. Entra pro meu top 3 ao lado de White Bear e White Christmas!
    Excelente review Diogo!

    • Diogo Souza

      Oi, Kin! Não poderia concordar mais. Ao invés de White Bear, no meu top 3, entra Be right back. Muito obrigado 🙂

  • Matheus Ramos

    Por isso que gosto de review. Esse, na minha opinião, tinha sido um final realmente feliz de Black Mirror, mas olhando pelo seu ponto de vista, não é bem assim. Ele se distanciou do que a série vinha fazendo mas, independente disso, não foi um final feliz. E com essa sua análise, eu agora já fico com outra reflexão. Obrigado, pela sua excelente review! (=

    • Diogo Souza

      OI, Matheus! Fico feliz em poder ter contribuído em sua reflexão 🙂

  • Antony

    Foi um final feliz SIM , por isso foi disparado o que menos gostei , Black Mirror nasceu para terminar episódios na Bad tentaram mudar já me incomodou bastante .Mas foram tantos episódios bons que a Netflix está com credito

    • Diogo Souza

      OI, Antony! Será que se todos os episódios terminasse na bad, a série não cairia numa obviedade?

    • Galão

      Eu acho q se vc achou q o final foi feliz, vc n entendeu o ep

    • Nathaly Guimarães

      O episódio pode ser considerado feliz por ela poder ficar a eternidade com alguém que ama…. E extremamente triste por tudo aquilo não ser real. Mas cada um tem a liberdade em interpretar qual tem realmente peso.

  • Carcosa, the Yellow

    Um dos melhores episódios de qualquer série já feita. Sem mais. Nossa Sra. Q episódio brutal. Brutal.
    Embora tenha final feliz, mas cara… q trama é essa?? Espetacular.
    E Diogo, me desculpa. Mas acho q vc tá pensando demais em um final dúbio. Pq ele é feliz justamente pra ser diferente dos outros episódios q sempre acabam na pior.
    Se tem uma coisa q aprendi na aula de roteiro do curso de cinema é q a gnt não pode pressupor oq não é mostrado. Diferente de Amantes Eternos, aq não mostra a “eternidade” como um fardo. Só mostra elas juntas no final e felizes. Acho q o final foi justamente pra mudar a dinâmica da série. Afinal nem tudo pode ser ruim.
    E cara. Se tem duas séries q eu acho foda, foda msm e q curto bastante, mas q me irritam são The Wire e Black Mirror. Cara, são duas séries de qualidade narrativa e de personagens absurda. Absurda. Mas ao msm tempo me irritam pq são cruas, viscerais e me fazem perder a fé na humanidade.

    • Diogo Souza

      Olá! Concordo com quase tudo que tu falou. Sobre o final: ele abre margem para mais de uma interpretação, o que é mérito e marca da série. Pelo o que eu estudei de roteiro, nos cursos que já fiz, não se pode pressupor o que não é mostrado no momento da escrita, mas o leitor tem essa liberdade, afinal, estamos falando de ficção e textos ficcionais precisam ser questionados, pois não são obras fechadas. Mas eu repito que gostei muito dessa alegria no fim, rsrsrs.

      • Carcosa, the Yellow

        Hum. Será? Vou perguntar para o meu professor depois. Mas ele disse isso aí tbm. Nada deve ser segredo na hora do roteiro.
        Faz anos q não falo com ele.
        Vamo ver.

        • Diogo Souza

          Hehehe. Será? Inclusive, tive muita dificuldade nisso. Queria deixar lacunas nos roteiros que escrevia, mas ele deveria estar “claro” para o diretor. Nunca gostei muito disso. Queria ser metafórico e não podia. O cargo das outras leituras ficava, nesse caso, pra o leitor. Deu pra me entender?

          • Carcosa, the Yellow

            Hahahahahaha. Deu pra entender.
            É pq a gnt pensa como espectador qnd começa msm.
            Mas pra quem faz o filme não pode haver surpresas.

      • Walber Lima

        Concordo com o Carcosa, para mim a série quis mostrar um final feliz sim. Mas depende se a pessoa que assiste interpreta aquela realidade mostrada como triste, mas não acredito que tenha sido a intenção da série.

        Achei o episódio magnífico, adorei o conceito e toda abordagem, geralmente sou ruim para perceber aonde Black Mirror quer chegar, mas esse foi o unico episodio que imaginei meio que certo, logo quando mostrou ser anos 80 (diferente do que a série aborda) e aquele uma semana depois sempre a noite.

        Entretanto, ficaria muito satisfeito se a pessoa decidir ficar naquele mundo para sempre não teria como desistir mais. Seria muito mais complexo a decisão, eu particularmente nunca ia querer ficar preso na eternidade, mas ao partir do momento que posso desistir dele fica muito mais tranquilo (para a empresa isso logico é mais vantagem, mais pessoas devem aderir )

        Só achei que o episodio podia ter mostrado melhor como funciona essa realidade (a passagem de tempo, a pessoa escolhe a década, o ano? e o local é só aquele mesmo?)

  • Michonne

    Olá! Não vejo a série, tá na minha lista da Netflix ainda, mas só pelo que ouvi desse ep. começarei a ver a série hj msmo. Resolvi comentar pelo fato de que em pelo menos uma série um casal de mulheres consegue ficar junto e feliz no final! Parabéns Blackmirror! Esse ano foi bem difícil para nós!

  • João Carlos

    A duas ficarem juntas no final achei lindo, mas isso será até quando? Quando tudo é novidade é lindo e maravilhoso, mas imagino até quando alguém aguenta e começa a frequentar o Quagsmire afim de sentir algo.

    • Thiago Elias

      mas se for ver de outra maneira as duas morreram , e o que ficaram juntas no final foram apenas dois softwares

      • João Carlos

        A morte de todos é fato, mas acho que a ideia de passar para as outras pessoas, familiares, daqueles que usam o programa de que seus entes queridos estão bem além vida pode trazer um certo conforto na hora de lidar com a morte.

  • Filipe Dias

    O final foi feliz, mas a montagem final mostra a fragilidade daquela tecnologia. A impessoalidade de tudo. Robôs controlando códigos. E esse monte de 01 pode parar de funcionar a qualquer momento.

    Você conhece o livro Ubik? Do Philip k Dick? ele trabalha a ideia de meia vida, nesse livro, onde a pessoa, depois da morte é mantida em um aparelho, e é possivel conversar com essa pessoa depois da morte.

    • Gordura do Ultra

      Na segunda temporada 2×01 “be right back” trabalha ja com esse conceito quando a mulher perde o marido e uma empresa cria um fake dele baseados nas informações das redes sociais para aigir igual o cara , olha a tecnologia ai , alias me pergunto se realmente são mesmo as almas das mulheres mesmo la ou são só informações codigos que continuam existindo na eternidade e não mais as pessoas como acham que são

      • Filipe Dias

        Para mim são códigos. Nem dor elas setem. Será que não da um tédio?

        • Eckner Barcelos

          Acho que sentem dor sim, dor e prazer. So nao podem se ferir.

      • Thiago Elias

        no caso da 2×01 foi uma consciência criada baseada no comportamento da pessoa ,ja nesse episodio foi uma copiada direto da cabeça, assim como no white christimas, é como se fosse uma copia de voce,e onde a consciencia ha vida, de forma biologica ou nao.

  • Thiago Manoel Berlim

    Como achei bem apontado pela rewiew, o final foi dúbio. Na verdade, na minha humilde opinião(e como é bom viver em um planeta em que nem todos possuem a mesma opinião!), o final triste foi o que foi apresentado. Por mais que se possa surfar entre décadas, imagina a monotonia, e extrema rotina de viver em um “mundo” em que o lugar é sempre o mesmo, e as escolhas de “diversão” são sempre as mesmas, mesmo com as mudanças de época? Eu acredito que final feliz mesmo, seria Kelly decidindo seguir em frente, e honrando o “acordo” familiar, deixando a dúvida de se ela se reencontrou com a família ou não para os que acreditam e os que não acreditam na vida após a morte.

  • marcia

    Engraçado, eu curti mais a sua review do que o episódio em si. Acho que eu vi sem prestar muita atenção e achei bem arrastado. Mas após ler a review irei ver novamente com mais atenção. Obrigada pela reflexão.

  • Letícia Menezes

    Na verdade o acidente não deixou Yorkie em estado vegetativo, que é quando o cerébro morre, mas o corpo não, acho que foi uma paralisia do pescoço para baixo.
    Muito fofo o episódio, as pistas que de aquele mundo não era real estavam ali desde o começo, adorei a cena que Yorkie troca de roupa conforme as músicas, rs.

  • Dinho

    Tenho uma dúvida, ficando permanente a pessoa poderia pular de época ou ficaria na época que escolheu na hora de morrer?

  • Tais Kmila

    Acredito que foi um final feliz por um tempo, pois quando a Yorkie morreu ela pode começar a viver tudo que ela tinha perdido,mas depois de uns anos acho que vai cair no tedio e angustia. Mas tem uma parte que ela diz pra Kelly que eles podem se desligar depois de um tempo, então acho que seria essa a decisão final delas.

  • Wanderson Camus

    alguem pode me dizer o nome da musica que toca no final desse episodio??
    achei ela muito linda!!!

    • Marcelo Aguiar

      Belinda Carlisle – Heaven is a Place on Earth

  • Vinícius Silva

    não foi o melhor ep dessa temporada na minha opinião, até pq essa temporada tem alguns eps fracos como o Nosedive que a primeira vista parece algo que vai levar o espectador a imaginar como aquele universo é além do q é mostrado (como no Fifteen million merits consegue fazer isso de levar o espectador a imaginar oq tem além daquele universo) mas não o faz. talvez esse ep seja aclamado como melhor pela maioria pela liberdade da netflix em abordar esse tema (homossexualidade) q pra alguns pode ser “polemico” e colocou o romance na trama que suavizou tal impacto para os que acham “polemico”, mas, de longe é o melhor ep não só da temporada mas como da série na minha opinião.

    • Vincius Adriano

      bipolar kkkkkkkkkkkkkkkk

      “não foi o melhor ep dessa temporada na minha opinião”
      “de longe é o melhor ep não só da temporada mas como da série na minha opinião.”

      • Mariel

        kkkkkkkkkkkkkkk

        • Vinícius Silva

          Maria vai com as outras 👍

      • Vinícius Silva

        Caraca n se pode mais errar uma coisinha que vem os donos da verdade e sabedoria suprema com comentários bem toscos “bipolar hueheuehue (imagine uma risada retardada ou só ria msm q a tua deve ser assim) faltou um não ali, só isso amigo, para com isso, coisa de retardado msm “de longe não é o melhor ep…” entendeu?

        • Vincius Adriano

          quanto sangue, quem disse que eu sou o dono da verdade e sabedoria suprema? foi uma piada só isso amigo. relaxa ai não precisa ter uma hemorragia por causa disso

    • Gustavo

      também achei o episódio mais fraco da temporada.. mas de longe o melhor da série !!

  • Zé Higídio

    Gostei bastante do review, mas não posso dizer o mesmo do episódio. Aliás, na minha opinião, o mais fraco da série. O romance é bem bonito, a ideia, como sempre, é bem criativa, mas não achei bem executado, não conseguiu passar todas as emoções da situação como os outros episódios, e o que ainda restava da discussão moral da coisa parece que se perdeu no final feliz.

  • Mariel

    Achei que o final seria mais impactante se elas não ficassem juntas, nos levaria a refletir mais sobre as vantagens de uma vida eterna em um lugar tão perfeito. Além disso senti falta de mostrarem melhor como é a sociedade real e quais foram os impactos desse sistema, etc. Fiquei curiosa pra saber qual seria o papel daquele cara nerd que ficava jogando, mas ele não teve nenhum, aparentemente :/