Black Mirror 3×03: Shut Up and Dance

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Não dá para evitar: é mais fácil saber o que queremos do que quem somos. Da mesma forma, é mais fácil sermos definidos por nossos erros, e não acertos. Assim como, quando há o direito de escolha, sempre optaremos por negligenciar o confronto, principalmente se ele vier através de humilhação, do constrangimento. Que a penitência seja adiada até que não possa ser! Sabe o que é? É que evitar a realidade, mesmo que por pouco tempo, nos dá a esperança de que aquilo pode ser diferente, mudado… E quem pode culpar um cidadão por ter esperança? Kenny, por exemplo, foi dos que insistiu. Sabia já ter sido gravado, já ter em mãos a possibilidade do vídeo parar na internet, mas, mesmo assim, insistiu.

Em cena: o ator Alex Lawther como Kenny. Quando revista após o fim do episódio, essa imagem se torna assustadora.
Em cena: o ator Alex Lawther como Kenny. Quando revista após o fim do episódio, essa imagem se torna assustadora.

Puxando novamente a conversa para a sobreposição de coisas, em algumas histórias, não dá para evitar, o final é o mais interessante — o onde em vez do quem. Em Shut Up and Dance, terceiro episódio da terceira temporada de Black Mirror, a sensação é essa. A percepção de que eu não saberia quem é o responsável por comandar o jogo desenvolvido durante o episódio esteve presente comigo desde o começo. Conforme os minutos passam, percebemos, isso não é importante: tudo o que precisamos saber é qual é o próximo plano, quem está levando uma lição (o porquê já sabemos) e o quê será encontrado na reta final. Conforme os minutos passam, passamos a desejar que o protagonista não se machuque e que aquilo apenas acabe.

A trama desse terceiro episódio, o domínio do humano através de outro pela tecnologia, lembra algumas investidas pelo assunto no cinema como Controle Absoluto de Steven Spielberg, mas sem aquela superprodução, ou, mais recentemente, Nerve, filme desse ano estrelado por Emma Roberts.  Shut Up, assim como outros seguimentos da série, não estabelece nada novo, mas trabalha, de forma criativa e intrigante, conceitos já levantados em outras obras e costura-os, entregando-nos algo bem estruturado, coeso e profundo.

Escrito pelo criador da série, Charlie Brooker, e o produtor e escritor William Bridges, a direção coube ao inglês James Watkins, responsável por dirigir e escrever Eden Lake, um dos meus filmes favoritos de horror e que também tem um final amargo. Na tela pequena, ele mostra bastante competência e traduz o roteiro para uma linguagem visual que sabe se conter e exagerar nos momentos certos, parecendo sempre possível.

Em cena: o ator Alex Lawther em um dos momentos mais desajeitados do episódio, mas que não o compromete.
Em cena: o ator Alex Lawther em um dos momentos mais desajeitados do episódio, mas que não o compromete.

Não demora para que o conflito seja estabelecido. Com sete minutos, Kenny, interpretado pelo ator  Alex Lawther, que aqui está excelente, já está entregue aos estranhos e à espera de novas ordens. A partir de então temos mais de quarenta minutos de angústia para, impotentes, assistirmos às escolhas duvidosas que o jovem faz enquanto adia o constrangimento de si próprio. Ter um protagonista jovem para esse episódio foi essencial, porque muitas escolhas fazem mais sentido dessa forma, principalmente porque notícias relacionadas a consequências ruins após um vídeo de um adolescente ter sido espalhado pela internet são assuntos o tempo todo. A personagem também é carismática e ganha nossa empatia muito fácil.

Mesmo não perdendo tempo para jogar sua protagonista em sua jornada, entretanto, o episódio demora a ganhar fôlego, e, somente após os vinte minutos, quando Kenny sai de carro com  Hector, que ficamos instigados pela história. A escolha de Jerome Flynn para integrar a dupla foi ótima. Talvez porque o conheçamos de Game of Thrones, mas ele fica bem crível no papel desse homem comprometido com conversas que o ligam a garotas de programa. Sua personagem tem momentos de crueldade e ele se sai bem nessas alternâncias. Os dois atores funcionam bem quando juntos e isso contribui para nossa paranoia quando precisam se separar. A diferença de idade também serve para mostrar como temos sempre algo em nossa vida que nos envergonha, não importa a nossa idade, e o quão rápido fugimos para não encarar isso.

Em cena: os atores Alex Lawther, à direita, como Kenny, e Jerome Flynn, à esquerda, como Hector.
Em cena: os atores Alex Lawther, à direita, como Kenny, e Jerome Flynn, à esquerda, como Hector.

Natasha Little faz uma participação de três minutos no episódio como Karen, que não acrescenta muito e foge literalmente da proposta. O melhor da série é justamente o foco em poucos personagens, então não acredito que ela tenha contribuído muito e sua participação poderia ter sido facilmente cortada. No curso do episódio, há outros momentos bem improváveis, mas nada que nos distraia.

O melhor a respeito de Shut Up é, sem dúvida, sua resolução e a desesperança trazida por ela. Quando alguns segredos são revelados, há um senso perverso de justiça, seja na informação de que uma das marionetes é racista ou na derradeira descoberta sobre Kenny. Esta nos faz questionar nossa torcida por ele e o destino que gostaríamos que tivesse, afinal, o pensamento de que ele era apenas um adolescente comum fazendo algo comum se vai e o encaixamos em uma categoria da qual não se pode ter pena. O vilão também dá a sua lição através da exposição, deixando claro que a oportunidade de aceitar a verdade esteve ali o tempo todo. Será que se o garoto não tivesse cedido ao medo não teria seu segredo revelado? Nunca saberemos, por mais que não dê para evitar o pensamento.

Em cena: os atores Paul Bazely, à esquerda, e Alex Lawther, à direita. Essa imagem abre um debate gigantesco.
Em cena: os atores Paul Bazely, à esquerda, e Alex Lawther, à direita. Essa imagem abre um debate gigantesco.

Os créditos chegam para coroar a devastação do momento acompanhados por Radiohead e sua Exit Music (For a Film), música que toca em um episódio que não se enfeita com trilha. Thom Yorke, vocalista da banda, disse uma vez, em entrevista, que a música é sobre duas pessoas que deveriam correr antes que coisas ruins acontecem — que é basicamente o que vemos no episódio. Na letra, ele canta “nós esperamos que as suas regras e sabedoria te sufoquem” — que é basicamente o que nos acontece, uma vez que nem mesmo compaixão nos permitimos sentir por Kenny. Black Mirror debocha o tempo todo de nossos constrangimentos, nossa sociedade e nossa tecnologia. Nós também debocharíamos, se não estivéssemos ocupados demais com nossas próprias vergonhas ou com os julgamentos e sentenças que precisamos lançar sobre os pecados alheios.

Em cena: o ator Alex Lawther, como Kenny, uma das melhores performances em Black Mirrror.
Em cena: o ator Alex Lawther, como Kenny, uma das melhores performances em Black Mirrror.

Please, Kenny, tell me it’s not true.

  • Messinho’

    Acompanhei o episódio pra saber o desfecho da personagem, porque ja tinha sacado o que ele tinha feito desde o momento na cafeteria, a série ainda dá outra dica de uns desenhos em que ele tá admirando, saquei logo de primeira.
    Saber isso não tornou o episódio menos perturbador, só deixou que eu prestasse mais atenção nos detalhes e criasse umas teorias, tipo, achei durante boa parte do episodio que o Jerome fosse o sadico por tras de tudo. E no final não deram em nada pq era algum justiceiro criativo e só

  • Luís Henrique Ximenes

    No fim, todos os culpados foram, realmente, culpados.

  • Carcosa, the Yellow

    Caraca. Q jeito foda de começar uma review hein?? Pelo amor de Deus.

  • Matheus Brito

    Black Mirror aqui brincou bastante com o nosso senso de justiça. A princípio, todos tínhamos a impressão que ele era inocente, fez o que qualquer outro jovem faria, não era culpado, só tinha medo da exposição. O “troll” era o vilão da história. Tudo caminhou, veio a cena da luta, ele sai vivo, e então temos a revelação de que o que ele tava vendo na internet era sujo, o menino era um pedófilo. A partir daí, olhando em retrocesso e com o auxílio das cenas finais dos personagens envolvidos na trama, vemos que cada um foi obrigado a fazer o que fez de acordo com o crime. Kenny lutou pela vida com outro pedófilo; o Hector só precisou despachar o carro, pois o crime dele foi “menor”. Mas no fim das contas todos foram expostos, e mereciam isso. O fim do episódio mudou totalmente nossa concepção, e ficamos com aquela sensação de que a justiça foi feita. O troll, inclusive, assume a posição de justiceiro, e até ficamos satisfeitos com seus atos. Simplesmente genial.

  • Antony

    Black Mirror lacrando sempre já fiz maratona de tudo de todos episódios esse 03×03 foi o mais previsível mas claro que não perde em qualidade .Dona netflix tem que colocar Black Mirror todo ano 😀

  • Paulo Frank

    Não estou curtindo muito essa nova temporada sob a produção da Netflix. Os episódios estão parecendo joguinhos sádicos em que o protagonista só vai ladeira abaixo e também há pouca ficção científica nesses episodios, coisa q era abundante nas outras temporadas. Espero que os próximos episodios melhorem…

  • Marcelo

    Esse episódio só perde para o 4º dessa temporada, simplesmente genial.

  • Matheus Ramos

    It’s true! rs
    Excelente review, exatamente tudo que percebi e senti assistindo ao episódio. Angustiante!

  • João Paulo

    Ótima review, achei bem melhor que a do episódio anterior.

    Cada episódio de Black Mirror é uma porrada, e esse foi uma pesada.

    A gente passa o episódio todo torcendo pelo Kenny, e fica se perguntando qual o grande problema, é só uma punhetinha, e ai vem aquele final … e você entende porque ele deu tanta moral para aquele menininha no começo do episódio.

    E outro ponto muito interessante, é que esse, assim como o Series Premiere de BM (S01E01) não se passa no futuro e sim no tempo presente, esse tipo de comportamento acontece todo dia, toda hora ao redor do mundo, a diferença é que não temos Elliot’s (Mr. Robot haha) para desmascará-los.

    Enfim, assisti os 4 primeiros episódios até agora, e esse foi o melhor, e já entra no hall dos melhores da série, ao lado do especial de Natal e do White Bear.

  • João Carlos

    A revelação final muda tudo. Torcemos para Kenny, para que ele saia ileso de tudo, porém nos momentos finais tudo isso cai por terra. Esse episódio foi muito bom.
    PS: A cena do Kenny entregando o brinquedo para a menina nao sera vista com os mesmos olhos

    • Filipe Dias

      A princípio parece que ele deseja chamar a atenção da mãe. Depois eu fui rever e realmente a coisa é muito mais complexa e doentia

    • Graziela Rodrigues

      Nossa, concordo, foi o episódio que mais bugou minha cabeça.
      Você torce para o Kenny se dar bem e conseguir não ser exposto na internet, porém na luta no final quando é revelado que o garoto é nada mais que um pedófilo e por isso o desespero dele por ter sido hackeado, você começa com outros olhos ver o porque ele colocou trava na porta não deixando a irmã mexer no seu computador, a fixação dele pela criança no restaurante que parecia até então ser pela mãe. No final você vê como aquele menino que a gente ficou com dó o episódio todo nada mais é que um molestador de crianças, é bizarro a sensação quando acaba o episódio.

      • Ricardo Gelatti

        Acho que ainda não era molestador, provavelmente no futuro seria.

  • Caio Olimpio

    Se não viu, fuja dos comentários pois eles estragaram a sua experiencia do episódio.Se tivessem me avisado este óbvio…..

    • Erica Vasconcelos

      Digo o mesmo viu, acabei não sentindo tudo o que poderia com o episódio por causa disso.

  • Letícia Menezes

    Mas gente, que episódio maravilhoso hehehe, muito bem feita a review. Confesso que demorou cair a ficha para mim, mesmo com o cara da luta, caiu mesmo com a mãe ligando para ele.
    Uma coisa que ninguém deu atenção (com toda essa história também), é os vírus que a irmã baixou com programas aleatórios, quero dizer que esse tipo de vírus já me passou muita raiva, esses sequestradores de navegador e afins. Mas não instalo nada para excluir, vai manual mesmo.
    E que fique a dica. Deixe a WebCam tampada com fita isolante ou adesivo #fikdik.
    O ator principal deu um show todo o episódio, suas expressões quando aflito ó.
    Confesso que me perguntei muito o que eu faria em tal situação. Deixaria os vídeos vazarem? Até onde iria para me esconder? Fingiria minha morte e mudaria para o Canadá? hahaha

  • Ricardo Gelatti

    Episódio muito bom. Mas como o cara sabia que ele era pedófilo só pela webcam? Ele tinha fotos impressas?

    • Thiago Elias

      sé o cara tem acesso da webcam voce acha que nao ia ter foto da tela do cara? wtf

      • Zé Higídio

        E aquela trollface do final pode até abrir margem pra interpretação de que “eles” talvez quisessem fazer tudo aquilo por diversão apenas, e coincidentemente as suas vítimas eram pedófilos, racistas, infiéis ao casamento. Mas eu fico com a s palavras do Thiago Elias ali em cima e a opinião de que eles sabiam de tudo e queriam punir severamente essas pessoas pelo que elas fizeram.

  • Fábio

    O tempo todo fiquei pensando: ele está sendo extorquido, por que não procura a polícia? Só no final entendi o motivo.

    • Zé Higídio

      “eles” poderiam vazar o vídeo no momento em que ele procurasse a polícia

  • Jéssica Fernandes

    Eu achei bem previsível, talvez por já ter visto muito filme /série com o assunto, no momento em que eu vi ele entregando pra menina o brinquedo imaginei a relação, ainda mais depois quando ele começa a ser ameaçado e toda aquela reação seria exagerada se não tivesse algo a mais, daí foi só esperar a confirmação.

  • Westb

    Nossa, ninguém parou pra pensar que talvez o episódio nos faça justamente criar empatia pelo personagem e perceber que o “monstro pedófilo” talvez pudesse ser um jovem curioso que sim, apenas “viu 2 fotos” como ele mesmo alega? Que a brutalidade por que ele passa nos joga outra perspectiva ao invés do moralismo punitivo e impiedoso como o do Mr. ROBOT? Ninguém tem um pingo de misericórdia e não pensa que aquilo foi extremo? Vocês deviam se lembrar do episódio Hated by the nation e analisar se vocês têm mesmo o direito de julgar se alguém merece uma crueldade dessas.

    • Alan Cruz

      Cara se vc rever a ligação da Mãe dele no final verá que ela fala “Eram crianças”! Dando a entender que ele estava consumindo mais do que uma ou duas fotografias.

  • Melhor episodio da terceira temporada até o momento.

  • Daniel

    Eu fiquei tentando ainda defender a personagem posterior ao final, pensando “não é possível que seja verdade. Talvez eles tenham pego o que o cara que ele matou fez e tenham jogado a culpa pra ele de alguma forma.” Porém… não fora isso que ocorreu.

  • Zé Higídio

    Review muito bom…. E o episódio…. Na minha opinião ele quebrou todas as barreiras da série de uma só vez, o mais polêmico, o mais ousado, e para mim… O melhor episódio da série. Mas isso não significa que eu quero assistí-lo de novo tão cedo. Até porque a agonia e a angústia desse episódio nos atinge tão profundamente que não acho que seja possível simplesmente desligar o aparelho antes do fim dos créditos e ir fazer qualquer outra coisa antes de pensar bastante sobre o episódio. Terminei de assistir com uma grande sensação de satisfação pela qualidade do episódio, mas que estava quase totalmente mascarada pela sensação de mal estar com toda a situação… Com as descobertas… E com a grande e enigmática trollface, para a qual não vou mais conseguir olhar sem pensar no agonizante desfecho desse episódio.
    Simplesmente sensacional.

    • Zé Higídio

      E não quero nem mencionar o susto que levei quando meu celular anunciou uma notificação de mensagem exatamente no mesmo momento em que “eles” enviavam mais uma mensagem com os comandos para o Kenny…

  • Artur Rodrigues

    É engraçado ver algumas pessoas daqui julgando e até achando relevante a punição dada a Kennen somente pelo fato de descobrirem, ao final do episódio, que ele era pedófilo.

    Há um engano profundo em acreditar que todo pedófilo é um molestador, e que todo molestador de crianças é pedófilo (nesse último caso, não necessariamente).
    É preciso reconhecer que pedofilia está a par de qualquer outra parafilia (lê-se: fantasias, anseios sexuais ou comportamentos recorrentes, intensos e sexualmente excitantes, em geral envolvendo: 1. objetos não-humanos; 2. sofrimento ou humilhação, próprios ou do parceiro, ou 3. crianças ou outras pessoas sem o seu consentimento) como voyeurismo, sadomasoquismo, etc.
    O pedófilo sente atração sexual por crianças, mas tal satisfação dura somente do começo ao fim do ato (masturbação),e, logo após isso, existe o sentimento de culpa e vergonha, pois há o conhecimento de que tal comportamento é inadequado, violento, ilegal, etc. E sim, um pedófilo pode passar a vida somente fantasiando com crianças, segurando seus impulsos sexuais e não chegando a praticar o ato libidinoso.

    O certo é tal pessoa (pedófilo) procurar tratamento psicológico para o seu comportamento, mas nem sempre isso ocorre porque existe o medo do julgamento/linchamento.

    Esse episódio é bem interessante porque ele facilmente consegue trazer (por fora) o julgamento humano (algo que é tratado por toda a série). O que se vê aqui (nos comentários) é mais parecido com o circo de “White Bear” com um misto de um “The National Anthem”. Vocês mesmos estão reproduzindo algo que a série jogou na nossa cara.

    Pedófilos precisam de orientação (como é o caso do Kennen), e não serem humilhados e manipulados da forma como ele foi. Talvez seja difícil entender isso, mas são pessoas, e realmente acredito que ninguém mereça passar/viver a situação que esse episódio nos oferece.

    Fonte:https://eduardocabette.jusbrasil.com.br/artigos/121937989/pedofilia-crime-ou-doenca

    • Walber Lima

      Até que enfim uma opinião sensata, o povo aqui adora julgar mesmo, dizer que o menino mereceu tudo aquilo e etc acho muito pesado, acho que você pontuou muito bem a questão de pedofilia.

      Gostei muito do episódio, mesmo nível do 1×01, achei tão genial quanto, e a descoberta no final (que diferente de muitos inteligentes aqui, não saquei a pedofilia) não me deixou com menos pena do menino, imagino o quanto a vida dele seria destruida se um video desse vazasse

      Sobre a amiga do cara que pegou carona e que disseram que não teve serventia, eu a achei importante para tirar qualquer impressão de que ele poderia ser o responsável por tudo, a menos que ela tivesse combinado com ele e tal, a aparição dela foi para passar veracidade da situação do personagem que tava dirigindo.