Black Mirror 3×06: Hated in the Nation [Season Finale]

39
4927

Embora Hated in the Nation siga uma fórmula bastante típica do noir escandinavo e pareça tão familiar aos olhos do espectador à primeira vista, esse talvez seja o episódio mais peculiar de Black Mirror até aqui. Essa peculiaridade define uma característica que noutro lugar talvez fosse prejudicial, mas que aqui se torna uma qualidade: esse também é o episódio que menos parece pertencer à série, estilisticamente falando. A série nunca esteve tão longe da sua área de conforto ou do seu campo habitual de ideias, mas ainda filosoficamente relevante.

Dentro dos primeiros 10 minutos, nós estabelecemos que algo terrível irá acontecer; somos casualmente apresentados às abelhas (e pela engenhosidade do conceito; elas ficam imediatamente na cabeça, coladas com tanta força que talvez até torne o resto do episódio mais óbvio); descobrimos o caráter amargo porém humano de uma das nossas (fabulosas) protagonistas; navegamos pela vida pessoal da primeira vítima, Jo Powers, e por fim preparamos o terreno para o rapper que será a próxima.

Nos próximos 10 minutos, nós temos todas as informações de que precisamos para compreender a superfície de Karin e Blue. Karin está nesse mundo há tempo o bastante para justificar o seu olhar cansado e incrédulo. Ela acha que já viu tudo que tinha de ver e que as pessoas não podem surpreendê-la mais. Embora extremamente sagaz e eficaz, essa crença faz com que algumas das suas deduções sejam frágeis e faz com que ela demore muito mais tempo para processar o que está acontecendo. Blue é o oposto. Mesmo tendo visto coisas terríveis (sobre as quais vamos falar lá na frente), ela ainda tem um pouco de esperança na capacidade da polícia de evitar que coisas ruins aconteçam.

Black Mirror --- Hated in the Nation
Black Mirror — Hated in the Nation

Durante o episódio, ambas mudarão completamente. Karin irá descobrir que com o advento da tecnologia, o homem tem agora novas formas de ser perigoso e Blue descobrirá que é preciso mais do que uma pessoa boa para parar uma ruim, porque às vezes a linha que as separa é tão tênue.

Isso são 20 minutos. Hated in the Nation tem 90. O episódio final desse terceiro ano é um dos mais longos, mas também um dos mais próximos de você e eu e da vida que nós levamos a cada dia. E por ser tão complexo e pelos temas e ideias serem tantas, vamos ter de desconstruí-las em partes. Nada mais adequado para um episódio sobre a morte da individualidade, eu acho.

Se você quer saber o que eu acho do episódio e não quer se dar ao trabalho de ler o Velho Testamento que eu vou escrever sobre ele, eu já posso adiantar que para mim, esse season finale mudou a Santíssima Trindade de Black Mirror: ela agora é formada por The Entire History of You, Hated in the Nation e o insuperável White Christmas. É uma das histórias mais complexas, imprevisíveis, horripilantes e relevantes que Brooker já escreveu e talvez o meu episódio predileto do ano (junto do Fish Out of Water de BoJack Horseman). Eu amo tudo nesse episódio, já pode parar de ler. Daqui pra frente é só amor, absoluto e sufocante. 

Parte 1: A Ameaça do CCD & Vigilância em Massa

Vamos começar entendendo porque as ADIs existem em primeiro lugar. É mencionado por vários personagens em diversos momentos da história que elas foram a última tática para evitar um desastre global, mas a série nunca entra em detalhes sobre o assunto.

O Distúrbio do Colapso das Colônias (do inglês Colony Collapse Disorder, e daí vem o CCD) é mais uma manifestação preocupante das mudanças no ecossistema natural. É um fenômeno que acontece quando a maioria das abelhas operárias numa colméia desaparecem e deixam para trás a sua rainha, num lar aparentemente produtivo e completo com tudo que uma colônia precisa pra sobreviver.

Esse tipo de fenômeno vem sendo observado pelos apicultores há bastante tempo, mas tem se tornado preocupantemente mais comum desde 2006/07 e desde então mais de 10 milhões de colméias foram perdidas. Não há um consenso científico sobre a causa do CCD, mas as teorias mais mencionadas envolvem pesticidas (cujos efeitos não diferenciam as abelhas das pestes), mudanças climáticas, falta de diversidade genética e vários outros fatores, tanto naturais quanto estimulados pelo homem.

Black Mirror --- Hated in the Nation
Black Mirror — Hated in the Nation

A iminente extinção das abelhas pode levar ao fim do estilo de vida moderno, pelo simples e aterrorizante fato de que as abelhas domésticas são responsáveis por terço de todo alimento orgânico que você consome. O cultivo de alimentos como pêssegos, amêndoas, maçãs, abóboras, melancias, morangos, pêras e pepinos depende estritamente da polinização obtida com as abelhas domésticas, porque apesar de outros insetos serem capaz de polinizar essas plantas, eles certamente não seriam o suficiente para produzir os alimentos em escala comercial. Até mesmo a produção de roupas com fibras como o algodão sofreria, porque as abelhas também são grandes polinizadoras das plantas de onde nós o tiramos.

Em 2005, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação avaliou o valor dos serviços de polinização concretizados com as abelhas domésticas em 200 bilhões de dólares.

Esse desastre que parece tão próximo levou a comunidade científica a agir em conjunto para criar as ADIs (Insetos Drone Autônomos ou Autonomous Drone Insects). O homem não estava brincando de Deus quando as abelhas mecânicas foram inventadas e sim encontrando uma forma desesperada de proteger o ecossistema como nós o conhecemos; validando o escopo fundamental de qualquer tecnologia: tornar as nossas vidas mais fáceis.

Porém, dando voz às duras palavras do agente Shaun Li: “milhões daqueles troços voando por aí, cutucando no ecossistema? Nossa, que legal, salvem o planeta, aleluia! Governo nenhum vai investir bilhões nisso só porque um carinha num jaleco sugeriu e a ideia conseguiu 200 votos verdes. Eles viram uma oportunidade de conseguir mais e aproveitaram.” 

Black Mirror --- Hated in the Nation
Black Mirror — Hated in the Nation

Salvar um estilo de vida não foi o suficiente. Black Mirror descobre que o seu discurso pode ficar mais poderoso se mostrarem que às vezes boas intenções têm de ser mais do que isso. Num mundo pós-Snowden, toda e qualquer crítica ao modelo de vigilância global tem lugar, mas há algo de especialmente poderoso e desconfortante no ser humano transformando algo criado inicialmente para a sua salvação numa ferramenta de onisciência governamental. E é mais assustador ainda quando ambas as funções deixam de ser prioritárias e as abelhas se tornam uma arma invencível.

Em 2013, quando Snowden vazou informação classificada da NSA e revelou vários programas de vigilância global, o mundo questionou o poder dos Cinco Olhos, das empresas de telecomunicação, dos governos como um todo. Num ato de traição ao seu país, Snowden mostrou que havia um vão gigantesco entre a importância do indivíduo e da sua liberdade e privacidade e a segurança da nação. Dentro desse vão, tudo era permitido. Uma chaga do 11 de setembro que perdurou por muito tempo, até Obama tentar remediar a situação e recuperar a confiança da população com novas políticas limitando o acesso da NSA à informação privada dos cidadãos. O debate, é claro, não parou mesmo depois disso e ainda é fervoroso.

Black Mirror tem uma opinião bastante crua sobre o assunto: a liberdade é superestimada. No episódio, os usuários do Twitter têm a liberdade de colocar a hashtag #DeathTo no topo, mas ao fazê-lo esmagam a liberdade das celebridades de se expressarem em público. Nós vemos pessoas combatendo liberdade com liberdade. No fim do dia, não foi o governo espionando os seus cidadãos que levou à morte de 387 mil pessoas. Por mais que a tecnologia que possibilitou esse genocídio estivesse lá para ser manipulada pelas agências de inteligência, quem trouxe esse horror à realidade foram os espionados e não os espiões. Por trás de tudo, um homem como você e eu que tinha experienciado em primeira mão o perigo da liberdade incondicional e os males que ela traz àqueles que caem na boca do povo.

black-mirror-3x06-img4

Enquanto houver boas intenções, haverá interesses por baixo do tapete. Enquanto houver distrações, haverá pessoas para não considerar o poder delas. Enquanto houver liberdade, haverá quem pise na dos outros. E enquanto houver quem pise na liberdade do próximo, haverá alguém com más intenções. É um ciclo que se repete de novo e de novo não porque a tecnologia possibilita, mas porque as pessoas o estimulam. Hated in the Nation faz com excelência tudo que um episódio de Black Mirror deve fazer: introduzir uma tecnologia com o potencial de melhorar vidas, mas cujo propósito é pervertido. Não porque a tecnologia é perigosa, mas porque o homem é.

Parte 2: Mentalidade de Rebanho 

É aquela coisa: uma pessoa desgostando um pouco de você incomoda, mas dez pessoas desgostando de você só um pouquinho é perigoso. Se você colocar essas dez pessoas numa sala e você se tornar um tópico de conversa, elas vão descobrir novos defeitos em você e o desgosto se torna ódio. Aí você está em perigo, porque não importa o quão subjetivos sentimentos sejam, se torna uma questão de números, e na mente do grupo, um sentimento objetivamente lógico. Se dez pessoas não gostam de você, deve haver algo de errado com você, certo?

Quando Tusk humilha o garotinho ao vivo, a platéia não representa uma ameaça em longo prazo, mas quando o ódio pelo rapper vai parar a internet, o ódio é compartilhado por milhões e nasce uma multidão com um objetivo em comum: #DeathTo Tusk. Mais do que o amor, o ódio une as pessoas como ninguém. Tenha você 1 milhão ou 5 seguidores no Twitter, você se torna importante, parte da nobre causa de pregar a morte de um babaca. Mais tarde no episódio, as pessoas chegam até a se convencer de que se a hashtag vai continuar sendo usada independente do que elas façam, mais vale aproveitá-la para eliminar quem merece. Ninguém se imagina como sendo a pessoa puxando o gatilho, mas como comparsas inevitáveis.

Só que no processo, as pessoas param de se diferenciar das ADIs, já que assim como as abelhas, elas não estão seguindo um pensamento ou vontade original. Afinal de contas, o primeiro tweet com a hashtag letal foi gerado por um bot de Garrett Scholes. Também como as ADIs, elas se tornam extremamente perigosas pelo seu número ser tão grande, e embora elas não saibam, portarem um poder imensurável. Logo, novamente como a tecnologia desenvolvida pela Granular, o Twitter, criado para possibilitar a troca de ideia entre pessoas diferentes, é pervertido e nasce uma arma que não pode ser parada.

Black Mirror --- Hated in the Nation
Black Mirror — Hated in the Nation

Não é a primeira vez que Black Mirror aborda a mentalidade de rebanho e certamente não será a última, mas o perigo retratado aqui pareceu muito mais real do que o de White Bear, por exemplo. Talvez porque a série foque tanto nos problemas pessoais e dramas internos de pessoas ‘comuns’ que seja tão mais assustador. Além disso, quando mais tarde os membros desse rebanho são punidos, é chocante ver uma série que pareceu sempre tão ligada ao indivíduo mostrar a morte de quase meio milhão deles (e você se importar tão pouco com eles e talvez até achar que eles mereceram).

Dessa vez nós também sentimos que uma, ou no caso um grupo de pessoas, são realmente capazes de fazer uma grande mudança. Se Karin, Blue e os outros da equipe pegarem Garrett Scholes, nós sentimos que elas estarão evitando um evento crucial para o nascimento do mundo fatalista e alienígena com que nós já estamos acostumados. Num episódio tão focado sobre o poder que uma massa de indivíduos pode ter, nós conseguimos acreditar que esse pequeno grupo de pessoas é capaz de impedir o que está por vir. Não que elas consigam. 

Parte 3: A Pré-História de Black Mirror

Se você vem acompanhando Black Mirror desde antes da sua chegada à Netflix, já deve ter se deparado com várias teorias online (ou mesmo formado a sua própria) sugerindo que todos os episódios da antologia tomam lugar num mesmo universo. Só que na verdade, isso já deixou de ser uma teoria faz tempo. Essas histórias começam a se desenrolar num futuro não muito distante e esse season finale faz parte dos pontuais episódios que tratam da fase pré-histórica desse mundo. Agora que temos a terceira temporada fechada, podemos especular um pouco melhor sobre isso.

Black Mirror --- Hated in the Nation
Black Mirror — Hated in the Nation

Pelo que tudo indica, The National Anthem, o piloto da série, é também o início da queda e transformação desse mundo. Aquele inesquecível episódio em que a princesa é raptada e o Primeiro-Ministro tem de fazer amor com o porco em televisão nacional. Muita gente acha que a visão pública sobre as figuras governamentais começou a entrar em declínio e isso que possibilitou um cartoon a ganhar poder político em The Waldo Moment. Eu diria que o próximo na linha temporal é Shut Up and Dance, com os sujeitos que chantagearam Kenny tendo talvez até se inspirado na brincadeira com a porca. Até porque você vê o Waldo num adesivo no notebook do Kenny. Faria sentido, porque parte do que Waldo significa é que as pessoas não confiam mais nas pessoas do poder, então porque esperar que elas prendam os pedófilos quando eles podem simplesmente fazê-los lutar até a morte?

Playtest definitivamente acontece antes de Hated in the Nation, já que nós vemos num noticiário que o Shou está anunciando um “novo sistema de jogabilidade imersiva”. O Iain Rannoch que Blue diz ter ajudado a prender no caso do assassinato das crianças é o noivo da protagonista de White Bear, Victoria Skyllane. Essa Victoria, aliás, tem o seu apelo no tribunal negado, e é outro dos easter eggs que vemos na TV nesse último episódio. Depois dele, a ordem é bastante discutível, mas White Christmas definitivamente vem antes de San Junipero, já que a tecnologia da imortalidade na nuvem deve ser baseada nos cookies. Nosedive infelizmente também é parte da timeline e só deve preceder Men Against Fire, com as ‘baratas’ do episódio provavelmente sendo as pessoas com menos estrelas.

Black Mirror --- Hated in the Nation
Black Mirror — Hated in the Nation

Voltando ao que eu disse ali em cima, a sensação é a que estamos vendo o prólogo de um mundo e torcendo para que os protagonistas sejam capazes de evitá-lo. O surgimento das ADIs. A chegada dos carros autônomos. E no fim, possivelmente um dos maiores atos de terrorismo da sua história. É difícil se sentir otimista por Blue ter encontrado Garrett quando sabemos que a única coisa que ela pode conseguir é vingança, porque o futuro já está se formando e ele não pode ser parado. A Netflix só acerta ao tornar o episódio no season finale, pois nós sabemos que embora seja o último da temporada, as coisas vão piorar bastante. É por isso que ele parece tão grandioso.

A série tem orgulho dessa posição fatalista, já que ela prefere te mostrar o criminoso se disfarçando e saindo impune ao invés das 400 mil pessoas que ele está matando. Ela quer que você saiba que apesar do que te convenceu de que era possível ao longo do episódio, Karin, Blue, Lin e os outros não podem fazer nada a não ser ver todos ao seu redor morrendo. Se Men Against Fire realmente está no fim da linha, Garrett Scholes foi apenas o começo.

Essa temporada veio para mostrar que não tem ninguém melhor em enfiar o dedo na ferida e torcer que Charlie Brooker. Nosedive mancha sim o ano e é definitivamente o mais fraco da antologia inteira, mas dá até pra entender quando você descobre que Brooker estava somente responsável pela história, não necessariamente tendo o escrito o roteiro. Ainda assim, conseguiram trazer três dos episódios mais legais de Black Mirror (Shut Up and Dance, San Junipero e você obviamente já sabe quem) e isso é bastante impressionante quando você leva em conta que o habitat natural de Brooker mudou completamente em relação às duas temporadas iniciais.

Esse episódio foi inesperado e mórbido. Foi um encontro entre Arquivo X e Memórias de Um Assassino, mas ainda com aquele gosto ácido que só essa série consegue deixar na boca. Falou sobre os nossos maiores medos (estamos sendo vigiados) e sobre aqueles que deveriam ser maiores (o CCD); ao mesmo tempo em que nos disse que deveríamos agir com cautela, pois talvez a capacidade da Internet de nos tornar onipotentes seja mais poderosa do que qualquer outra arma. O que é conveniente para a criação, também é para o seu oposto.

> Teorias Bizarras de Westworld

Hated in the Nation é uma declaração de amor de Netflix ao legado de Black Mirror. Mal dá pra acreditar! Nós temos múltiplas temporadas garantidas agora… é uma certeza! Que tempo bom para se gostar de Black Mirror.

  • Flavio Batista

    Excelente temporada e a review tb! Parabens!
    Só q o meus preferidos sao San Junipero, Man Against Fire e Hated in the Nation

  • Carcosa, the Yellow

    Excelente episódio e review.
    Mto interessante foi q essa temporada saiu do esteriótipo da série. Elas são mto mais próximas da gnt do q a gnt quer enxergar ou admitir.
    Mto boa msm essa temporada.

  • Carcosa, the Yellow

    E eu sabia q a Faye Marsay era mais bonita do q a pintavam em GoT.
    Eu tenho uma queda por essa mulher.

    • Flavio Batista

      sabia q conhecia ela de algum lugar rs

  • Matheus Brito

    Aaaaaaaaaaah como é bom saber que o reviewer tem a mesma opinião que eu <3

    Velho, quando eu terminei esse episódio eu tava literalmente arfando com tanta genialidade. Corri pro Whats e falei pros meus amigos, que iriam assistir a temporada que mais tarde, que esse era simplesmente o melhor episódio de toda a história de Black Mirror.

    Por que eu disse isso? Por quê pra mim esse episódio teve absolutamente todos os elementos que uma série tem que ter, e ainda contou com a peculiaridade presente em Black Mirror. Teve suspense, ação, tecnologia, humanos corruptores e, ainda, um plot twist gigantesco. Sim, pra alguns as abelhas ficaram bem na cara logo no começo, mas eu só descobri sobre elas junto com Karin e Blue.

    Algumas cenas me deixaram verdadeiramente tenso, como a menina sendo morta naquela casa de campo. Que agonia daquelas abelhas procurando os buraquinhos pra invadir a casa, o banheiro e depois entrar no nariz dela! Fiquei bem triste por aquilo, apesar de ter conhecido a personagem há menos de 10 minutos.

    O outro ponto que me fez admirar demais "Hated in the Nation" foi o fator humano envolvido. A nossa realidade foi totalmente mostrada ali, com as pessoas desejando coisas ruins ou morte à outras na internet por questões totalmente desimportantes. Eu já tinha reparado isso há algum tempo: no Twitter, as "massas de manobra" são gigantescas. Basta aparecer uma tag que todo mundo automaticamente quer fazer parte do assunto, mesmo quando em casos podem nem saber do que se trata. O "#DeathTo" foi uma sacada genial, pois, na vida real mesmo, as pessoas usam isso como "brincadeira", mas, dentro do escopo da série, essa brincadeira toma contornos bem sérios.

    Agora, quando todos os 387 mil morreram, eu fiquei dividido entre emoções. Um lado meu ficou triste por tanta gente morrendo daquela forma. Do outro, ficou um certo senso de justiça, pois as pessoas brincam e julgam as outras como se de alguma forma fossem superiores. E ainda mais no episódio, quando, já perto do fim, maioria daqueles usuários já estavam cientes das consequências e o que fizeram? Usaram ainda mais! As tags de "#DeathTo" foram parar no topo e quase todos queriam ver o Primeiro Ministro morto. Que espécie de justiça é essa?

    Foram 90 minutos de genialidade (que passaram voando, vale frisar) e que faço questão de rever quantas vezes possível. Hated in the Nation é a "coroa" da minha Santíssima Trindade, seguido por White Bear e um empate técnico entre The Entire History of You e White Christmas.

    Feliz demais em saber que a série com a Netflix não perdeu um centímetro de sua qualidade, e que mais uma temporada de 6 episódios já está a caminho. Vida longa à Black Mirror <3

  • Catarina Estrela

    Olá, só queria saber se vcs vão fazer as reviews da nova temporada de Shameless US, pois já está no quarto episódio e nada…..

    • Estamos cobrindo normalmente Catarina. Olha aí http://seriemaniacos.tv/tag/shameless/

      • Catarina Estrela

        Obrigado pelo link!!
        Deixando claro que não escrevi uma crítica, e sim quis só saber pois não havia achado nada sobre a temporada nova.
        Bjão!!

        • Ah sim, eu entendi. Desculpa se fui meio seco, apenas estava naquele momento de responder vários comentários de uma vez em múltiplos posts. rs

          • Catarina Estrela

            Relaxa, querido! Eu tbm entendi… kkkk
            na verdade eu achei que você pensaria que EU estava cobrando a postagem sobre a série, mais quis perguntar porque não havia encontrado sobre ela nos reviews ( e eu AMO a série).
            Tudo resolvido, Michel!! KKKK
            Tenha uma boa tarde!
            😀

      • Jaime Guimarães

        Michel, deixa eu aproveitar pra perguntar de MasterChef Br profissionais. Vai rolar não?

        • Não vai. Ninguém do SM está acompanhando.

          • Danilo

            Michel, deixa eu te perguntar… o que aconteceram com as reviews do X-Factor UK? pararam no primeiro Live Show! :/

          • O Rodrigo teve problemas e não pode continuar, infelizmente 🙁

  • Larissa M.

    Muuito boa a review. Os meus preferidos foram Hated in the nation,Men against fire e Playtest.

  • Wagner Lutterbach

    Clap! Clap! Clap! Parabéns pela review. Já tinha lido algo sobre o universo de Black Mirror estar conectado pelos episódios aparentemente desconexos entre si, mas gostei desse resumão que vc colocou aqui.

  • César

    Esse episódio não funcionou para mim. A review é excelente, destrinchou todos os temas que “Hated in the Nation” se propõe abordar, mas é essa trama policial tão convencional que me deixou desinteressado… Mais se parece um piloto de série procedural do que um episódio de Black Mirror.

    Enquanto nos outros episódios nós temos protagonistas mais complexos, as duas policiais desse episódio, apesar das atrizes serem muito carismáticas, são personagens muito rasas, definidas quase que binariamente: uma é incrédula, aversa à tecnologia; a outra é esperançosa, gênia dos computadores…

    A trama segue muito previsível, não senti tensão quando as abelhas invadem a safehouse, sabia que iam dar um jeito de matar a menina… E se a Blue descobriu desde tão cedo que as abelhas operam por reconhecimento facial, porque não enfiaram logo um capuz na cabeça dela? Quando descobrem o manifesto do Scholes, já fiquei imaginando que iriam dar um jeito de matar quem usou a hashtag, e foi justamente o que aconteceu…

    As melhores ideias do episódio (ex. a mídia influenciando as redes sociais para mudar o placar dos odiados, queria que explorassem mais isso), que a review aprofundou bem mais, eram abandonadas rapidamente para dar prosseguimento à trama policial… Acharia mais interessante se tudo fosse visto do ponto de vista de uma vítima, da mídia ou mesmo de um hater… Não curti a resolução de aprofundar um ativista superhacker por trás de tudo, achei pouco inspirada.

    Mas essa é a beleza de uma série de antologia, não há consenso, os rankings de episódios nunca vão estar iguais. O Charlie Brooker acertou em cheio em brincar com vários gêneros esse ano, o sci-fi é um grande playground que funciona bem com tudo. Os temas da série continuam muito instigantes e mais próximas da realidade do que nunca, essa é a força de Black Mirror e já estou empolgado para os próximos seis episódios!

    Segue o meu ranking pessoal para essa temporada: 1) San Junipero, 2) Engenharia Reversa, 3) Cala a boca e dança, 4) Nosedive, 5) Playtest e 6) Odiados pela Nação.

    • Flavio Batista

      Cara, eu preciso concordar com vc. Mas ainda colocaria Odiados pela naçao em 3 e inverteria as duas primeiras colocações. Engenharia reversa é bom demais.

    • gabix

      “Mas essa é a beleza de uma série de antologia, não há consenso, os rankings de episódios nunca vão estar iguais.” Perfeito. Acho que em Black Mirror o ranking de cada um varia conforme as experiências pessoais e as relações desse indivíduo com esse mundo informatizado/virtual. Quanto mais os dilemas postos pela série estiverem próximos de você, maior a identificação.

      • César

        Sim, é bem isso! Eu gosto dos episódios que apresentam um conceito tecnológico e exploram os seus limites éticos (o Entire History of You e Be Right Back são uns dos meus preferidos).

    • Jeferson Huffermann

      Curti bastante esse episódio, tive uma melhor experiência assistindo os três últimos do que os três primeiros (todo mundo tem seu ranking mesmo).

      Sobre ser um piloto: se a cronologia especulada tá certa, é meio que o piloto pro futuro que ambienta os episódios mais longínquos da série.

  • gabix

    Boa review, episódio muito bom (está em 2° no meu ranking da série). A temporada manteve o altíssimo padrão qualidade, e Nosedive não é tão horrível assim ;D

  • O meu episódio favorito de Black Mirror. Assisti pensando:

    1) parece cinema. Pagaria pra assistir na telona
    2) adoraria assistir mais dessas detetives. Atrizes excelentes e carismáticas

    https://66.media.tumblr.com/fa0d07e4f708f76d082410ba3908d6da/tumblr_ofkpaaBkjP1qc2jbwo3_r1_250.gif

    Vi que os críticos têm elogiado mais as temporadas anteriores. Já eu acho que a temporada do Netflix é a melhor. Foi uma temporada mais próxima do que vivemos hoje. Isso é o que mais assusta e faz refletir.

  • Karllos Silva

    Fechou com chave de ouro esse epi. Meu segundo preferido dessa temporada (o primeiro é San Jupinero)

  • Vine

    Adorei esse ricochete na população. Tachem-me de sociopata que nem me importo.

    • Flavio Batista

      Claro q nao se importa, posto q vc é um sociopata KKKKK

      • Vine

        Haha

  • Marcos Bastos

    Eu suspeitava há um tempinho que todas as histórias aconteciam num mesmo universo, amo universos compartilhados! Amei o episódio, pra mim foi o segundo melhor da temporada (San Junipero realmente me conquistou) e um dos melhores de toda a série (perde pra 15 Million Merits, White Bear e San Junipero).
    Nosedive é, infelizmente, o pior de todos (amo a Bryce Dallas Howard e fiquei feliz quando soube que ela protagonizaria um dos eps, pena que foi ruim).
    Amei, esse foi o encerramento perfeito pra temporada

  • Marcelo

    Sua santíssima trindade é bem herege viu!

    • Ana Júlia

      só vim aqui dizer que seu avatar é lindo. HIM <3

      • Marcelo

        Hahahahaha melhor banda né <3

  • Antony

    Obrigado Netflix por voltar com Black Mirror esse ultimo episodio é o meu terceiro favorito os 2 primeiro dessa temporada foram disparados superiores e o 4 e 5 os mais fraquinhos .

  • Olly

    Episódio incrível, melhor para mim da temporada (depois vem “San Junipero” que vai morar no meu coração). Tema e atuações excelentes. Tipico episodio que você passa um tempo matutando na cabeça.

  • Letícia Menezes

    Adorei a parte que fala das abelhas, já que vi sobre a importância delas na faculdade.
    “Nosedive infelizmente também é parte da timeline e só deve preceder Men Against Fire, com as ‘baratas’ do episódio provavelmente sendo as pessoas com menos estrelas.” Discordo, não tem como ser assim, As ‘baratas’ são pessoas cujo DNA tem genes que podem dar origem ou pré-disposição a doenças, eles falam isso no episódio. É uma teoria interessante, mas não tem como distorcer os fatos para que se encaixem.
    Esse episódio foi um dos melhores da série, espero por mais ótimos episódios na próxima temporada. Hugs.

  • João Carlos

    Gostei do episódio e por mais que eu ache que não deveria ter 90min de duração não foi um episódio cansativo de assistir.

  • klaus

    praticamente um filme

  • Érico Lucas de Oliveira

    Baita análise, parabéns!!
    Mas ó, nesse ep queria ressaltar a possibilidade de continuidade – que pela primeira vez ficou em aberto na série – achei que você iria falar sobre isso.

    Mas levanto outros pontos:

    1) Nosedive é um dos mais próximos da nossa realidade nessa relação de rankeamento, e que agonia as cenas em que todos ficam olhando incessantemente para as telas, passando o dedo pra lá e pra cá. Achei um dos melhores entre todos de todas as temporadas.
    2) Shut Up and Dance também achei muito verossímel, por isso tão assustador.
    3) San Junipero achei MUITO chato. Primeiro porque tem um final feliz, não tô vendo BM pra ter finais felizes, e segundo que, além ter muita cena escura (um tônica nessa temporada), se passam 30 fucking minutos pra ter uma ideia sobre o que estão falando!! Sei que a série nunca revela o que tá se passando de cara, mas 30 minutos foi demais, pensei até em desistir do episódio – e não teria me arrependido muito se o fizesse.
    Ranking da temp:

    Do melhor pro pior:
    6, 1, 3, 5, 2, 3, 4
    Valeeu!

  • Bel Ribeiro

    Fiquei com uma dúvida: Algumas pessoas estavam usando a hashtag para denunciar (‘Não usem #DeathTo’ ‘Quem criou #DeathTo?’), será que essas pessoas também foram mortas?

  • Walber Lima

    Meu ranking é o mesmo do review. Para mim o 3×03, 3×04 e o 3×06 foram os melhores, e acho que nessa ordem, sendo o 3×03