Black Mirror 3×01: Nosedive [Season Premiere]

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Como quase todo mundo que conheceu a série quando ela estava no ar pelo Channel 4, eu me apaixonei imediatamente por Black Mirror. Era original na medida certa, mas ainda trazia o charme britânico e a estranheza social que chamavam a atenção em outras produções do canal que eu também adorei, como This Is England e The IT Crowd. Tendo um histórico sublime com o canal, eu resolvi dar uma chance. E também ajudava ter aquele elenco. Óbvio.

Ainda como todo mundo, eu tenho The Entire History of You, White Bear e White Christmas em pedestais quase que inalcançáveis. Talvez a minha maior particularidade como espectador seja não desgostar tanto assim de The Waldo Moment. De resto, eu gosto de Black Mirror do mesmo jeito que qualquer um, pelas mesmas razões. Acho que o choque de ver o Primeiro-Ministro do Reino unido fazendo sexo com um porco ao vivo na televisão nacional faz de Black Mirror uma experiência única e ao mesmo tempo uniforme pra todo mundo corajoso o suficiente pra continuar vendo depois daquele piloto.

Black Mirror é especial e ver a série renovada pela Netflix, indo parar na mesma mão da gente maravilhosa que trouxe BoJack Horseman e House of Cards pra gente, me deixou êxtase. Já estava aprendendo a aceitar que o especial natalino seria o fim e me convencendo que uma conclusão tão inigualavelmente fantástica era o bastante, mas lá no fundo eu continuava faminto. Eu nunca senti que Black Mirror se definia como “aquela série lá que mostrava como a tecnologia anda ferrando tudo”, como ela aparentemente está sendo vendida. O que eu enxergava era um mundo de riqueza tecnologia ímpar, onde cada emoção humana encontrava uma forma de ser mecanizada e manifestada. Não é sobre a tecnologia estar destruindo a sociedade e sim sobre o homem encontrando novas formas de se distanciar. Não uns dos outros, mas do mundano e das coisas chatas que às vezes vem com ele. Por isso, como muita gente, fiquei um pouco preocupado com o primeiro trailer, onde tudo parecia claramente mais americano e… óbvio. Começou a vir aquela preocupação de que Black Mirror iria pelo mesmo caminho que Arrested Development foi na Netflix.

Em Be Right Back, nós temos uma esposa combatendo o luto e eventualmente descobrindo que no seu tempo, a morte deixou de parecer tão terrível. Com o marido morto, mas num mundo semi-futurista, o próximo passou deixa de ser a negação e passa a ser… arrumar um robô para simular a personalidade e memórias do marido, ué. Tendo esse recurso, parece a forma mais racional de se lidar com essa dor. Nós entendemos isso. Por mais alienígena que essa tecnologia apareça, por mais longe que ela pareça estar das nossas mãos, dá pra entender e pra se relacionar. Não é uma questão de você ou eu conseguirmos comprar ela numa loja. Se torna uma questão de você e eu entender porque ela existiria. Isso sempre foi constante em Black Mirror: era tudo muito esquisito, sim, e consequentemente icônico, mas parecia orgânico. Aquele mundo parecia funcionar e as coisas pareciam existir e acontecer por uma razão além da estética de ficção científica.

É exatamente por isso que, infelizmente, eu detestei Nosedive. A premissa saiu quase que diretamente do episódio dos MeowMeowBeenz de Community, mas acho que funcionou melhor debaixo do humor ácido do Dan Harmon do que debaixo da lupa niilista do Charlie Brooker, porque lá a gente não tinha de acreditar na funcionalidade daquele mundo. Aqui, eu simplesmente não acredito numa sociedade que decide para quem dar descontos em compras imobiliárias baseadas em classificações em redes sociais. A metáfora é óbvia, sim. Apreciada, aliás. Mas muito similar ao título, ela é muito on the nose. As pessoas são viciadas em redes sociais, a gente entende. Já foi dito de novo e de novo, e quando eu vi que Black Mirror falaria sobre isso, já me preparei para uma visão completamente nova no assunto. Mas não foi o que aconteceu.

Logo de início, a personagem de Bryce Dallas Howard parece não ter qualquer outro interesse que não se baseie em conseguir pontos. E dava pra simpatizar com esse objetivo se soubéssemos mais sobre o seu passado como a garota bulímica, mas aqui ela simplesmente não é carismática (até a conclusão espetacular do episódio, que fique claro). Por uma boa parte da premiere, eu só fiquei me perguntando porque eu não conseguia sentir nada pela personagem. Black Mirror consegue fazer você sentir pena do personagem do Rafe Spall no especial de natal, um cara que, no fim das contas, perseguiu a companheira e levou uma criança a morrer de fome e frio. E você, de alguma forma, sentia pena dele! Lacie não. Ela tem um irmão e os dois não se dão bem, mas você não tem um momento que sugira que ela sente algo real por… ninguém. Pelo menos até a metade do episódio. As cenas que ela compartilha com a senhora do caminhão são bem legais, por mais que praticamente gritem a mensagem já clara do episódio.

Você pode achar que eu estou pegando no saco da personagem ou da premissa, mas vamos comparar ela e o tema do seu episódio com Bingham de Fifteen Million Merits. O episódio das bicicletas, a materialização máxima do conceito de que nós, enquanto seres humanos, temos de nos distrair para fugir da mais sombria e transparente das realidades: nós não temos para onde ir. Bingham é extremamente empático. Nós vemos o personagem demonstrar um leque absurdo de emoções e motivações. Ele se sente anestesiado pelo seu mundo, mas também conectado à ele. Parece ridículo ver ele ou qualquer uma daquelas pessoas correndo naquelas bicicletas, mas ao longo do episódio nós vamos entendendo que os pontos que eles ganham são a moeda daquele mundo. Entendemos a funcionalidade. Enquanto isso, Bingham vai demonstrando o tédio que o devora. Nada parece satisfazê-lo. Até o mundo pornô daquele mundo a gente consegue entender. Quando ele conhece Abi, nós vemos plenamente como o mundo dele vira de cabeça pra baixo. E não só isso, o episódio também.

Aqui, a mera ideia de alguém ir pro trabalho e ao invés de trabalhar passar o dia numa rede social já destrói a minha suspensão de descrença. O fundamento é legal: qualquer banco precisa fazer um background check antes de te dar um empréstimo. Só que isso parece ser tudo que existe, quando nos episódios anteriores nós sempre tivemos sugestões de que sempre havia algo muito maior por trás de tudo. Não era a sombra de uma única tecnologia ou corporação cobrindo o mundo, era um amontoado deles. O mundo de Bingham parece ter um backstory rico o suficiente pra gerar o próprio episódio. As pessoas corriam naquelas bicicletas, mas elas também tinham outros interesses, faziam outras coisas. Em Nosedive, você tem de acreditar que uma mulher obcecada por novas tecnologias não conhece o símbolo universal para configurações na hora de mudar o idioma do carro.

Como eu disse lá em cima, tudo parece mais mastigado e fácil nesse episódio. Você não tem de pensar muito, enquanto eu estou até hoje pensando nas logísticas de White Bear e daquele reality show bizarro. O posto de carga onde Lacie vai para recarregar o seu carro se chama Charge e o cabo que ela usa pra fazer isso é um micro-USB gigante. Sai do território de on the nose e entra no de idiota. Esse não é um mundo que parece estar esperando para ser desvendado. Em The Entire History of You, você tem uma tecnologia que traz mil e uma possibilidades para histórias e o autor te resolve mostrar uma história sobre adultério. Uma história pequena e insignificante para o status quo da própria tecnologia que ele representa, mas grande para o protagonista que você é incentivado a gostar. Através dessa história, você descobre um monte de coisas legais sobre a mitologia dessa invenção, mas chega ao fim do episódio querendo mais. E o mais importante: sabendo que poderia haver muito mais naquele mesmo cenário. O mundo de Nosedive não parece ter muito mais a oferecer. Ele parece existir só pra fazer uma crítica ao Facebook, ao Instagram, ao Twitter. Poxa, as pessoas até se chamam pelas classificações que têm, exatamente como no episódio dos MeowMeowBeenz. É uma tentativa de se aproximar da nossa realidade que acaba tendo o efeito contrário. É escandaloso, como aquelas charges contra Pokémon Go compartilhadas pelas mesmas pessoas que competem por likes na mesma rede social.

Apesar de tudo, ainda teve muita coisa bacana no episódio. Embora eu não tenha achado a estética do episódio tão ousada, teve muita coisa sutil aqui e ali que me fez sorrir, como quando a música na parte final do episódio se torna quase que indistinguível dos sons de Lacie recebendo más avaliações. E já falando dessa parte final, falta palavras pra descrever o quanto a virada me surpreendeu. Se eu estava detestando o episódio até Lacie entrar naquele banheiro e convenientemente achar o pessoal que ia pro mesmo lugar que ela, quando ela chega naquele casamento, eu não conseguia parar de sorrir.

Você aprende a se importar com Lacie quando ela cai, quando ela se suja, porque são as únicas vezes que você vê nela um ser humano mesmo. Se nós tivéssemos mais motivos para nos importar com o que ela estava fazendo (já que nunca somos levados a acreditar que ela tem qualquer motivação que não sejam os pontos), teria sido ainda mais poderoso, mas já valeu só de ver ela saindo da zona de conforto. O discurso também é ótimo, mas ainda não carrega a mesma força que o discurso de Bingham com o caco de vidro. A cena no casamento acabou fazendo o figurino à lá Community do episódio se redimir, porque Lacie estava inegavelmente idêntica a uma maluca foragida ali no meio, procurando por aprovação entre os narizes torcidos e os sorrisos passivo-agressivos. É realmente uma pena que a personagem tenha sido escrita de forma tão indiferente no começo.

A cena final, com Lacie e o outro encarcerado se xingando com direito a uma série de palavrões, foi a Black Mirror que eu amo. Não é sobre a tecnologia e os seus perigos ou sobre gente lutando contra o sistema. O ser humano está condenado a procurar por distrações porque ele está condenado a morrer e ninguém quer pensar nisso. A tecnologia entra no meio dessa dança complicada entre. Um app para simular as memórias de alguém que a gente perdeu ou um reality show que nos permita torturar eternamente alguém que cometeu uma atrocidade. Invente esses e você não tem de pensar no inevitável.

Black Mirror é sobre distrações. Black Mirror não é pessimista ou um discurso de ridicularização. Ela enxerga as interações humanas e as distrações pífias que as dificultam. Não é sobre pegar uma tendência e fazer um episódio jogando na sua cara que ela é estúpida. A tecnologia não tem lado e muito menos é superficial. Nosedive poderia ter nos mostrado também algo de de belo sobre o app em torno do qual o mundo de Lacie gira. Pessoas se conectando, talvez conhecendo o amor da vida delas através deles ou familiares distantes conseguindo compartilhar as suas aventuras. Depois disso, nós poderíamos conhecer o lado vicioso e tóxico da coisa, ao invés de já saltarmos achando aquelas pessoas fúteis. Infelizmente, o que o episódio faz é não entender que nós já nos distraíamos antes dos smartphones e que vamos continuar o fazendo depois deles. Pior: o faz da forma menos humana possível, quase como um vídeo sensacionalista que você veria circulando pelo Facebook.

Eu não poderia estar mais triste por me sentir assim sobre Nosedive, mas tenho certeza que quem escreveu sobre The Waldo Momento na época sentiu o mesmo. Um episódio abaixo das expectativas não é o suficiente pra manchar Black Mirror, porque uma das coisas mais legais da série é que ela se reinventa semana após semana. Então apesar de tudo, estou absolutamente confiante na melhora. O Charlie Brooker continua no comando e deve estar cheio de boas ideias naquela cabeça. Só espero que elas sejam mais no estilo da Black Mirror do Channel 4 do que da Black Mirror US. Se não forem, só vou dar 2 MeowMeowBeenz pra ele (ou 2 estrelas, se ele preferir).

Mas olha, espero ser o único a me sentir assim e que todo mundo tenha adorado Nosedive, porque isso significa mais temporadas de Black Mirror pra gente. E quanto mais Black Mirror, já sabe.

  • Messinho’

    Acho que não ajudou também terem dirigido a atriz sendo tão idiota forçada
    E ao contrário de você, fui ficando entediado pro final, no começo esperei um pouco aprofundarem a relação do copeiro(?) lá da empresa q ela trabalha. Não fiquei plenamente satisfeito com esse episodio, mas não cheguei a desgostar tanto

    • Sr. Hericles

      Tinha umas caretas que a Bryce fazia que eu tinha de fechar os olhos, hahaha. Mas ela manda muito bem na cena do casamento.

  • Leonardo

    Eu gostei do episódio. Até concordo com você em alguns pontos, principalmente quando compara algumas situações de Nosedive com os já épicos episódios anteriores, mas ainda assim Nosedive teve algo que me agradou, no fim das contas.
    De qualquer forma, os episódios restantes da temporada são melhores e já posso afirmar que Black Mirror teve um grande ano, de novo.

    PS: Pelo que li em alguns sites gringos, parece que a série já está renovada para a 4ª temporada. Esperando apenas a confirmação oficial pra comemorar.

    • Sr. Hericles

      Pra mim Nosedive não é digna de Black Mirror. Acho que não passa nem perto, talvez só ali pro final.

      Tem sim, inclusive a Jodie Foster vai dirigir um episódio.

  • FelipeJose

    Essa review me contempla em tantos niveis que não consigo nem explicar. Um deles é a referencia a Bojack Horseman <3 (inclusive vi aqui que é você que faz as reviews e depois que dormir vou lá ver se eu já tinha conferido e ler tudo). O principal no entanto é a sensação de que "tudo parece mais mastigado e fácil nesse episódio". Confesso que permaneci com essa impressão em mais episódios ao longo da temporada, mas olhando em retrocesso me convenço cada vez mais que isso foi só uma impressão que ficou no primeiro episódio… mesmo que nos outros episódios tenham deixado as coisas muito jogadas no texto principal como tá aqui… sobrou espaço para subtextos se desenvolverem, coisa que não consigo observar com esse primeiro episódio.
    "Não é sobre a tecnologia estar destruindo a sociedade e sim sobre o homem encontrando novas formas de se distanciar. Não uns dos outros, mas do mundano e das coisas chatas que às vezes vem com ele." Eu não sei quanto a se distanciar do mundano ou das pessoas, mas certamente essa série não é sobre "os perigos tecnológicos", isso fico muito evidente no titulo, "Black Mirror", todo mundo pensa "ah o 'black' é pq são as telas dos aparelhos eletrônicos" mas todo mundo esquece que existe um 'mirror' ali, e oq esse espelho estaria refletindo senão nós mesmos seres humanos?

    • Sr. Hericles

      BoJack é vida, rapaz. BoJack é vida.

      Belo comentário, aparece mais.

      Abração.

  • Bruno Souza

    Foi um episódio ok. Black Mirror deixou a gente mal acostumado. Mas a sequência da temporada é espetacular, digna de aplausos.

    • Sr. Hericles

      É espetacular mesmo, Bruno. E como.

  • Lais

    nossa, eu gostei dos episódios, mas senti isso que vc falou, americanizaram um pouco. :/
    mas mesmo assim ainda é Black mirror, terá episódio q entrar pro hall dos grandes igual aos q vc citou.

    obs: nossa, pensei q só eu q não gostava desse epi do Waldo, do lado do 2 da primeira temporada é um dos q menos me importei.

    • Sr. Hericles

      O episódio do Waldo é de longe o menos popular da série. Eu acho ele bem melhor que Nosedive, mas dá pra entender porque o pessoal odeia tanto.

  • Carcosa, the Yellow

    Um dos melhores finais de episódios de todas as séries q já vi.
    E San Junipero? É loko. Um dos melhores episódios q já assisti em todas as séries de TV q conheço.

    • Sr. Hericles

      Cara, nem comece com San Junipero. AQUILO é Black Mirror, cacete!

      • Carcosa, the Yellow

        Episódio brutal. Brutal. Pessoas apegadas ao passado, nostalgia, imersão virtual, preconceito. Meu Deus q episódio bruto.

  • Que critica ótima! Até não então não tinha identificado os pontos negativos do roteiro, e que não condizem com a qualidade dos episódios da série. É possível sentir a falta de uma introdução que nos faça pirar no universo apresentado. E a lembrança a MeowMeowBeenz é inevitável, hahaha!

    • Sr. Hericles

      Nossa, o episódio dos MeowMeowBeenz dá de 10 a 0 em Nosedive. x)

  • Dos 3 episódios que assisti até agora, esse foi o que eu mais gostei.

    Há tantas críticas aqui. A tal ‘felicidade de internet’. Um monte de gente querendo aparentar ser o que não é. Fora as attention whore que são amadas no instagram.

    https://66.media.tumblr.com/dd3f32e9c2354dba2e0a526952a5807e/tumblr_offb5jniDF1tu4c7to1_540.gif

    A cena do cafézinho resume bem: posta a foto pra ganhar boas notas, mas quando dá um gole, o café tá uma merda! É só imagem.

    • Sr. Hericles

      A cena do café foi uma das poucas que achei inteligentes nesse episódio.

      De resto, essa quantidade enorme de críticas não vale de nada porque são todas tão óbvias quanto algo que você esperaria de uma curta-metragem amadora do Vimeo. E não tô falando das boas curtas-metragens amadoras do Vimeo. x)

  • Juliana

    Para mim, enquanto outras temporadas focavam mais na tecnologia de uma forma mais conceitual, essa aterrissa para tocar as pessoas de uma forma mais pessoal, mais próxima. Mais que um futuro, vemos uma metáfora do que já acontece hoje. Haters, discurso de ódio, Instagramers que ganham fortunas por suas postagens. A esteticamente mostra que ninguém quer ser julgado. A protagonista de veste de maneira sóbria, há um evidente paradoxo naquela estética quase Jetsons, trazendo dos anos 60 uma certa ingenuidade. O final é maravilhoso: há quanto tempo aquelas pessoas não xingavam alguém? Há quanto tempo aquilo se represava dentro delas na forma de sorrisos angustiantes. É um final libertador. E por essas razões, adorei o piloto.

    • Camila Sá

      Também senti isso com essa temporada. Está muito mais próxima da nossa realidade. Gostei muito desse ep também

    • Sr. Hericles

      Nossa, acho totalmente o contrário. Nunca vi nada de conceitual nas temporadas passadas, com a exceção de alguns poucos episódios. Mesmo os mais distantes do nosso círculo de acontecimentos do dia a dia a gente conseguia se relacionar porque os personagens eram legais.

      Concordo sobre o final.

  • Cibele

    “Aqui, eu simplesmente não acredito numa sociedade que decide para quem dar descontos em compras imobiliárias baseadas em classificações em redes sociais.” talvez blogueiras/youtubers ?

    • Sr. Hericles

      Vou quotar um comentário que fiz ali só pra não ter de digitar tudo de novo. Não leve a mal. x)

      “Só porque a série pegou uma situação real e fez uma hipérbole dela não
      faz do roteiro brilhante. Black Mirror é bom porque consegue tornar
      essas hipérboles reais e ainda assim parecer próxima e verossímil. Sim,
      as empresas oferecem descontos a pessoas relevantes nas redes sociais.
      Youtubers conseguem vários produtos “de graça” (o que está longe de ser
      verdade, já que eles recompensam a empresa promovendo a marca). Pena que
      o episódio não entende esses detalhes, né? Na filosofia do episódio,
      esses youtubers e web-celebridades simplesmente ganham tudo de graça e
      fim. Você não vê eles sugerindo que a Lacie teria de usar a sua
      popularidade como 4,5 para recompensar a marca de alguma forma,
      aparentemente as pessoas simplesmente já não usam dinheiro.”

  • CoopLc

    Devo ser um dos únicos que não gosta de White Bear. É, sem dúvida, um episódio divertido, mas o roteiro é raso e perde o valor de entretenimento a cada vez que você assiste, principalmente por causa do plot twist ao final do episódio.

    Mas enfim, particularmente, gostei de Nosedive. A fotografia está lindíssima – só é superada pela do episódio 4 -, as construções são bem chamativas e gostei de como as arquiteturas contribuem para o universo criado para esse episódio. As atuações também são ótimas, e a Bryce Dallas está excelente. Pena que o roteiro não acompanha todas essas qualidades. Fiquei esperando por um bom tempo a hora de Black Mirror nos surpreender, mas me decepcionei, pois o episódio nunca usa todo seu potencial. Sem contar, que a velha sábia contra a sociedade que ilumina a personagem principal foi um clichêzento.
    Dito tudo isso, ainda é um ótimo e divertido episódio, só não está no mesmo nível dos melhores da série (para mim, esses são Be Right Back, The Entire History of You e White Christmas).

    Mal posso esperar para ler a review de San Junipero, para mim o melhor da temporada e um dos melhores da série. Fotografia lindíssima também.

    • Ana Júlia

      Também não gosto tanto de White Bear como gosto White Christmas e The Entire History of You.
      Tocaí hahaha

      • CoopLc

        o

    • Sr. Hericles

      Pô, eu gosto bastante de White Bear. O soco no final é único. Se você for ficar revendo, é claro que perde poder, mas é um episódio que é feito pra te marcar uma vez, não pra ficar se reinventando. Se for por esse lado é fraco mesmo, porque o impacto depende totalmente do twist.

      Como alguém que tem um interesse bem particular em cinematografia, eu achei a fotografia de Nosedive entediante pra cacete. Praticamente tudo é tirado do manual e o episódio parece ser daqueles que acha que um grading bacana é o suficiente pra criar um visual único. O aspecto caricatural da coisa funcionou, mas não foi uma mexida inventiva na ideia. Ficou parecendo que pegaram um DP de hollywood e um colorista com uns perfis de cor prontos e botaram ali. Além de que se distanciou demais do resto da série (ou mesmo da temporada), então esse episódio fica parecendo ser parte de outra série.

      A velha sábia foi um pé no saco MESMO. San Junipero é BRILHANTE.

      • CoopLc

        Poxa, adorei a fotografia de Nosedive – e, para ser sincero, de todos episódios dessa temporada. E concordo que o tom da season premiere distoa um pouco do resto da série, pelo menos na cinematografia. De qualquer forma, acho que é justamente essa mudança de temas e estilos que marca Black Mirror. Be Right Back, por exemplo, é um puta episódio melancólico que trata de maneira bem pontual o luto. Whitebear, que vem logo após BRB, é um ótimo thriller que não te deixa piscar nem por um momento. Assim como, inclusive, San Junipero e Men Against Fire são totalmente diferentes. Para mim, esse é um dos charmes da série.

    • Marcos Rutkoski

      Hey, eu também não gosto de White Bear, foi extremamente previsível para mim. Acredite, logo nos primeiros minutos eu imaginei que ela era uma presidiária sendo punida enquanto era “assistida” pelo público.
      Enquanto Nosedive foi um dos meus preferidos.

    • Walber Lima

      A velha sábia não tinha cara de personagem de Black Mirror mesmo.

      Achei esse episódio estranho e nem parecia muito a série, gostava da série quando ela era totalmente britânica :/

      Já vi o primeiro e segundo e ambos me cansaram, espero que a temporada melhore.

      • CoopLc

        Eu achei a terceira a melhor temporada da série. Uns episódios maravilhosos e outros nem tanto, mas o saldo ficou bem positivo no final.

        • Walber Lima

          Terminei de ver a temporada 🙂
          Realmente, achei o 3×01 e o 3×02 os mais fracos (principalmente o 3×02) , mas depois a série só melhora e fica foda como as outras temporadas mesmo.

          Para mim a 1 temporada ainda é a melhor por tudo de novo que ela representou e impactante, junto com o de Natal especial

  • CoopLc

    Aliás, adorei como a personagem fica impedida de carregar o carro elétrico porque o modelo é antigo e não tem adaptador para entrada. Um dos maiores problemas do nosso mundo hoje e que não foi sulocionado nem pelos escritores de Black Mirror.

  • Vini

    Eu gostei do episódio, mas, comparado aos outros, achei fácil, esquemático, até mesmo um pouco superficial. Mas se tem uma coisa que salva é a atuação maravilhosa da Bryce Dallas Howard, achei que a review não enfatizou tanto a performance espetacular da atriz, eu fiquei completamente boquiaberto com a cena do casamento, foi de arrepiar! Digo o mesmo a respeito da cena final na prisão.

    • Sr. Hericles

      A cena do casamento foi ótima mesmo e ela mandou muito bem, mas ao longo do episódio eu fechei os olhos em várias expressões que ela fez. Caricatas DEMAIS.

  • Diego Ribeiro

    Ela não sabe mexer nas configurações do carro por algo que na verdade é o tema do episódio – vamos esquecendo sentimentos, esperas, vontades…na velocidade em que as interfaces simplificam e se antencipa as nossas vontades…acho que foi um episódio lento de propósito(isso comparando também as escolhas estéticas que desenboca no sujo – vide aparência da personagem é cena final).
    Fiquei com a sensação que provocaram, abrindo a temporada com aqueles episódios comuns mas que vai crescendo em nossa cabeça…voltando sempre que vamos curtir uma foto no Facebook e outros

    • Sr. Hericles

      Eu expliquei de forma mais extensa num comentário ali em cima, mas isso me incomodou porque é um detalhe que não tem justificação. Eu não queria que ela soubesse usar o GPS e colocar música, mas ela não saber que uma engrenagem é o símbolo universal pra fazer configurações em qualquer coisa é um nível de burrice que te distancia ainda mais da personagem. Seria como te pedir pra acreditar que alguém que usa o computador todo dia pra escrever não sabe que pode usar o delete para apagar num sentido contrário ao backspace. É simplesmente burro e é aquele tipo de coisa que te dá vontade de gritar com a televisão, quando Black Mirror sempre teve o costume de prestar atenção a esses detalhes e criar pessoas que pareçam reais, tanto pro bom quanto pro ruim.

  • Vine

    Foi o que menos gostei pois ele foi muito óbvio. Para uma crítica batida dessas, embora importantíssima, achei que iam fazer de um modo inovador, ala Black Mirror mesmo. Essa coisa da protagonista ir ficando esculachada até aparecer no casamento para dar suporte a moral das aparências, me lembrou Sessão da Tarde. Ótimo texto e gostei do pretexto para falar da série toda, já que você não era do SM na época, haha.

    • Sr. Hericles

      Senti que tinha de mostrar que eu gosto mesmo da série e o porquê disso pra vocês entenderem o quanto odiei esse episódio e porquê.

      E não tive como não rir com a sua brincadeira com Sessão da Tarde, haha.

      Abraço!

  • A personagem não foi escrita de forma indiferente. Ela representava anos de teatralização, onde tinha que ser perfeita e demonstrar pouco para ser aceita. O final do episódio foi a evolução dela. Atuação impecável. E achei mega crível isso tudo no futuro!

    • Sr. Hericles

      Ela não precisava ser o patinho feio, bastava ter ao menos uma qualidade redimível. Ter paixão por alguma coisa, talvez. Ela simplesmente fazer QUALQUER coisa ou ter QUALQUER interesse que não envolvesse apenas aquela rede social. Superficial por ser superficial não é desculpa e não tem propósito.

  • Letícia Menezes

    Não assisti esse episódio de Community, então não me baseio nele.
    Mas achei esse episódios (E o segundo) bem manjados. Do começo ficou claro que Lacie iria tentar de tudo para subir de ranking, o que a deixou estressada. Na cena no aeroporto ela deixa o estresse mostrar e tudo levava à libertação dela no fim. Foi linda a cena dela na prisão, a melhor do episódio.
    Achei que poderia ter sido mais explorado, como você disse, ficou muito superficial aquele mundo. Eu jurava que ia ter um super twist, por exemplo, quem a nota ficasse de 2,5 fosse morto, jurei que seria isso por um momento.
    O discurso no final foi legal mas não teve tanta força, todos apenas se esqueceriam daquilo no futuro, ou lembrariam com ódio, não atingiu ninguém. Foi importante para ela se descobrir como si mesma e não o que os outros gostariam que ela fosse.

    • Você já terminou a terceira temporada? Preciso fazer uma observação sobre seu comentário mas é spoiler da temporada.

      • Letícia Menezes

        Vi todos, pode falar!

        • Então, você esperava por um twist que envolvia mortes. Eu não cheguei a esperar por isso, mas se fosse o ultimo episódio da temporada, esperaria alguma cena com morte, pois só Nosedive não falou, ou mostrou algo relacionado a morte.

          • Letícia Menezes

            Não necessariamente relacionado a morte, mas tão chocante quanto. Algo que realmente revirasse o estomâgo e te colocasse refletindo por dias. Em qualquer parte do episódio. Achei a mensagem bacana, reflete os rumos de nossa sociedade, mas eu só esperava… mais.

  • Ana Júlia

    Pra mim foi óbvio demais.
    Eu também esperei por um plot twist carpado, que é uma especialidade de Black Mirror, mas não aconteceu.
    Gostei muito da sua review que aborda todos os outros episódios. Estou aguardando ansiosamente pelas próximas, principalmente do último episódio, o meu mais novo favorito.

    • Sr. Hericles

      Bota óbvio nisso. Nem precisava ter um twist, era só ter algo de conflitante. Pelo jeito era pra gente torcer para uma personagem odiável conseguir alcançar um objetivo idiota por um motivo ainda mais idiota, num mundo feito de plástico sem qualquer chamativo.

    • Ricardo Gelatti

      Pow, tirando o especial de natal, eu não acho que os plot twists de Black Mirror sejam tão fuderosos assim.

      PS: Só vi esse episódio da terceira por enquanto.

  • Bruno

    Não acho que foi o melhor episódio de Black Mirror e nem da temporada, mas ainda assim é um episódio tão mas TÃO BOM e faço a leitura da review e me pergunto se foi entendido mesmo o que o episódio quis passar pelo escritor ou se ele é uma pessoa que vive totalmente fora do mundo da internet (algo já quase que praticamente impossível nos dias de hoje)? Dizer que é um absurdo pessoas darem descontos imobiliários para quem tem mais de 4.5 me faz acreditar que não é sabido pelo escritor que já vivemos isso nos dias de hoje e não sabe da quantidade de “presentes” que os influenciadores digitais ganham. Sobre ela não conseguir mudar o idioma do carro, ela não sabia pois o carro era uma versão antiga da qual ela não sabia mais mexer (oi apple atualizando seus aparelhos todos os anos e nos fazendo esquecer de aparelhos lançados a apenas dois ou três anos atrás). E sobre não sentir nada pela personagem, COMO ASSIM? Ela é perfeitamente um espelho preto do título da série. É um baita de um soco na nossa cara, pois a todo momento nos vemos nela, nos lembrando das fotos postadas nas redes sociais, dos tweets atrás dos RT´s, da busca por ser influente na internet e ganhar os tais “presentes”.

    • Sr. Hericles

      Obviamente discordo que o episódio seja bom. Pra mim um dos piores e um dos mais fúteis da série. Dá pra entender o que ele quer dizer dentro dos primeiros 30 segundos e ele deixa de ser relevante aí.

      Só porque a série pegou uma situação real e fez uma hipérbole dela não faz do roteiro brilhante. Black Mirror é bom porque consegue tornar essas hipérboles reais e ainda assim parecer próxima e verossímil. Sim, as empresas oferecem descontos a pessoas relevantes nas redes sociais. Youtubers conseguem vários produtos “de graça” (o que está longe de ser verdade, já que eles recompensam a empresa promovendo a marca). Pena que o episódio não entende esses detalhes, né? Na filosofia do episódio, esses youtubers e web-celebridades simplesmente ganham tudo de graça e fim. Você não vê eles sugerindo que a Lacie teria de usar a sua popularidade como 4,5 para recompensar a marca de alguma forma, aparentemente as pessoas simplesmente já não usam dinheiro.

      A tua justificação pra dificuldade com a Lacie com o carro seria válida se fosse uma resposta ao que eu disse concretamente. Ela não conseguiu mudar o idioma porque não sabe que a engrenagem é o símbolo universal para configurações em qualquer plataforma digital. Tem noção do quanto isso é idiota? É um detalhe, mas Black Mirror sempre pareceu viva e crível por causa dos detalhes. Você quer que eu acredite que em anos tendo a sua vida formada em torno daquela rede social ela nunca teve de fazer qualquer alteração na conta dela? Não tem nada a ver com o modelo do carro ser antigo, eu não pedi para ela saber usar o GPS. Ela é simplesmente burra, não tendo razões para ser.

      E nunca, nunca, nunca vai ser justificável um protagonista não ser relacionável. Mesmo que o intuito da série fosse te fazer odiar a personagem, como ela já fez antes, ela tinha de te fazer sentir empatia por ela de alguma forma, pra gerar algum conflito entre o espectador e a série. Não acontece. Ela é simplesmente chata porque redes sociais viciam e tecnologia é ruim. Fútil pra caramba. Um soco na cara sem qualquer peso.

      • Bruno

        Se ela tem 4.5 ela é uma pessoa influenciável, ou seja, ela vai mudar para aquele lugar e fazer muitas fotos e etc nele e obviamente influenciar pessoas a quererem morar lá, isso não é bem óbvio?

  • Thiago luis

    As criticas serão semanais?

  • Rafael Aguiar

    Não discordo de nada da review, mas acho que a ideia do episódio era justamente ser superficial. Claro que as redes sociais podem trazer coisas muito boas, mas aquilo que muita gente busca são essas interações banais pra suprir uma necessidade imediatista de satisfação, que precisa ser rápida e logo substituída por outra, vez que a primeira já ficou velha e desinteressante.
    Essas incoerências listadas, pra mim, serviram pra demonstrar que esse tipo de coisa não leva a lugar nenhum, que aquele mundo não faz sentido, mesmo sendo tão fácil de traçar o caminho gradativo em que a sociedade de hoje acaba se tornando a do episódio. E desenvolvendo esse caminho eu comecei a pensar que, aos poucos, a imersão naquele Facebook gigante foi tirando a criatividade das pessoas, já que o desenvolvimento acabou relegado ao segundo plano em prol dos likes. Como bem ressaltado no texto: “O posto de carga onde Lacie vai para recarregar o seu carro se chama Charge e o cabo que ela usa pra fazer isso é um micro-USB gigante”. Não adianta ser original com o nome da sua empresa ou com novas tecnologias se ninguém vai dar bola e isso te render avaliações negativas.
    Toda a história parece se passar num futuro próximo, mas pode ser que seja um futuro distante que parou no tempo porque o foco da humanidade passou a ser aumentar sua pontuação.
    Concordo que o episódio não foi grande coisa, mas mesmo assim ele funciona. A mensagem que passa dá pra pegar logo nos primeiros minutos e, assim como na vida real, na série fica claro que muita gente também percebe e acha aquilo vazio, mas mesmo assim continua fazendo e aceitando.
    Então, mesmo esse sistema adotado pela sociedade sendo ruim (ou, no mínimo, usado de forma errada), a aceitação acaba tornando a preocupação banal, e assim o mundo vai lentamente sendo cada vez mais consumido/adaptado àquela realidade.
    Talvez a verdadeira ideia do episódio não seja mostrar os “os males das redes sociais”, mas sim a passividade das pessoas para com eles.

    • Sr. Hericles

      Correndo o risco de parecer repetitivo, eu discordo dessa ideia de que “a premissa do episódio era ser superficial”. A mensagem foi superficial e o roteiro também. Black Mirror já conseguiu mostrar o superficial sem ela mesmo ser superficial, vide o episódio do Bingham. Eu sinceramente nem consigo imaginar esse episódio na suposta linha temporal de Black Mirror, de tão distante e bobo que ele parece.

      E o problema do episódio é justamente isso que você apontou! Dá pra você entender a mensagem logo nos primeiros minutos. Com quantos episódios de Black Mirror você se sente assim? Um dos maiores prazeres da série é ter aquela epifania no final, coisa que o terceiro episódio dessa temporada por exemplo acertou em cheio.

      Valeu pelo comentário, Rafael. Espero ler mais coisa sua por aqui. :’)

  • João Carlos

    Eu entendo os pontos negativos que você citou e entendo o porquê você de não ter gostado do episódio. Porém eu já achei o contrário. Eu gostei e muito do episódio, ainda não vi os outro. Adoro a desconstrução que a série faz com os personagens principais, eles começam de um jeito e no final de outro. No caso desse episodio a personagem só engrena mesmo lá para o final, depois da cena com a mulher do caminhão, mas da para entender o motivo dela ser do jeito que é no começo, já que aquela era a condição do mumdo onde vivia.
    Enfim, continua sensacional a serie e só não gostei que nao encaixara na minha lista de séries britanicas que eu assisto.
    Você que irá escrever sobre os outros episódios? Pois gostei muito dos seus textos.

    • Sr. Hericles

      Vou escrever sobre o finale, João. E já falando nisso, os outros episódios são bem melhores.

      Muito obrigado pelo comentário. :’)

      • João Carlos

        Preciso ler as outras reviews, até agora assisti o 3×04. Quando fui procurar as outras reviews vi que tinham outros autores. Esta até parecendo a serie trocando de atores a casa episodio. Rss.

  • Antony

    Discordo de tudo da review eu já era fã da serie e nesse retorno para mim a Netflix sim manteve o alto nível e a proposta da serie . Black Mirror é muito acima da maiorias das series que tem por ai vou degustar cada minuto dessa maravilha de entretenimento .

    • Sr. Hericles

      Ainda bem que continuou tão bom quanto antes pra você, Antony. Como eu disse, quanto mais gente gostando da série melhor. :’)

  • Marcelo

    Nossa esse episódio só não é melhor que o White Bear, é claro que viram o 3 e 4 dessa temporada que são melhores. Mas discordo de quase tudo, parece que não gostou da premissa e não se envolveu no episódio. Respeito a opinião, mas pra mim esse episódio foi um dos melhores da série.

    • Sr. Hericles

      Posso te garantir que absolutamente nenhum roteirista nesse mundo começa a escrever algo com a intenção de fazer um protagonista ser odiável. Black Mirror entende bem isso, vide o terceiro episódio dessa temporada, por exemplo. Se o espectador não gosta nem um pouco do teu protagonista ou ao menos o entende (e certamente não deu pra compreender as motivações da Lacie), teu roteiro é um fracasso. E isso nem é uma afirmação original minha.

      • Marcelo

        Eu entendo teu ponto de vista embora discorde. 🙂

      • Hunson Abadeer

        “Posso te garantir que absolutamente nenhum roteirista nesse mundo começa a escrever algo com a intenção de fazer um protagonista ser odiável.”

        Bom, Lena Dunham tá aí com a Hannah de Girls pra provar o contrário.

  • Derick Rafael

    Eu simplesmente amei o episodio por alguns motivos que você citou. E o principal motivo que fez eu amar esse episódio foi mostrar a nossa realidade como ela é, e eu conseguir imaginar amigos, familiares, pessoas que eu conheço fazendo exatamente o que Lacie estava fazendo por curtidas (que neste caso, são as estrelas) Black Mirror é excelente em pegar a nossa realidade e aumenta-la infinitamente, e é aí onde entra toda essa estética, a ambientação, é tudo artificial, é tudo de plástico, como um mundo da Barbie; é como se ali fosse a a rede social, é como se eles já estivessem dentro da rede social, dentro do mundo perfeito para aqueles que conseguiram a meta das estrelas. Um dos melhores episódios dessa temporada.

    • Sr. Hericles

      Não achei nem um pouco próxima da realidade. É aquela velha coisa de quem gosta de compartilhar foto de todo mundo usando smartphone no metrô, mas ignoram as fotos das pessoas fazendo a mesma coisa com jornais nos anos 70. Bem fútil. E isso vem de alguém que só tem uma rede social. Como disse num outro comentário, a série já conseguiu mostrar algo superficial sem ela mesmo ser superficial.

  • João Paulo

    Ótima review, apesar de que eu gostei bastante do episódio.

    Gostei dos pontos levantados nela, e eu também fiquei muito com essa impressão de superficialidade, mas acho que essa era a ideia a ser passada pelo episódio.
    Também estranhei ela no trabalho, mas que na realidade estava só nas redes sociais.

    Enfim, é sempre muito interessante quando Black Mirror pega esses recursos já existentes, ou próximos a eles, e eleva a outro patamar.

    • Sr. Hericles

      Discordo bastante, a série já conseguiu mostrar o superficial não sendo superficial antes.

  • Discordo da review em vários pontos e concordo em alguns, mas esse trecho aqui me chamou a atenção por uma bobagem:

    “porque uma das coisas mais legais da série é que ela se reinventa semana após semana.”

    No caso da Netflix, não existe o “semana após semana”. Estamos tão acostumados com a TV normalmente que fica difícil adequar a linguagem a algo diferente XD

    • Sr. Hericles

      Pô, sabe que eu até pensei em incluir essa piadinha, Ícaro? x)

  • R

    Esse foi o primeiro episódio de Black Mirror que eu não consegui ver até o final. Foi chato de assistir, a condução desse mundo e os temas muito “plastificados”, sem as coisas meio bizarras ou fora da curva que levam a crer que o mundo é mais complexo do que parece da versão inglesa. Para realmente refletir sobre um tema, preciso de ter empatia com algo ou alguém e refletir, coisa que o roteiro não deixou.
    Se o resto da temporada não for melhor vou comparar ela ao café do inicio.

    • Sr. Hericles

      Pode ficar tranquilo, o único episódio ruim é o primeiro.

    • Carcosa, the Yellow

      Se a sociedade do primeiro episódio não é bizarro, eu não quero nem saber oq é normal pra vc.
      Uma sociedade em q dar nota baixa e dobrá-la é punição, como ir pra cadeia, não é bizarro, eu não sei mais oq é.
      E “plastificado”? É justamente isso q o episódio quer. Artificialidade. É isso q ele quis.
      E vc quer empatia em Black Mirror. Pessoa, me desculpa, vc tá na série errada. A última coisa q Black Mirror quer é dar empatia. Eu pelo menos tenho zero empatia com as estórias e os personagens. Todo mundo ali virou fruto do meio em que vive e merece tudo oq lhes acontece. Tirando alguns poucos exemplos como o carinha do segundo episódio dessa nova temporada.
      E pessoa, esse episódio tem um dos melhores finais de episódios já feitos. Sem exagero e sem kao.

      • R

        Black Mirror sempre mostrou os dois lados de quem o episódio era focado, para demonstrar que por mais fdp que fossem ainda eram humanos. Terminei de ver o episódio só para falar com propriedade e tentaram fazer isso depois, mas já era tarde demais. Sem contar que o final não foi nada chocante ou surpreendente.

  • Gabriella Borges

    Parabéns. Você dissertou esse episódio de forma cirúrgica e esclareceu toda estranheza (de forma ruim) que ele me causou. Tudo muito mastigado, previsível. Mesmo a boa atuação final da Lacie e a cena dela na cadeia xingando foram óbvias. Desde o momento em que ela começou a humanizar (cena do aeroporto) tudo caminhou para esse final. Pode-se dizer que o grande problema de Nosedive foi a falta de camadas do roteiro. Além do ritmo arrastado e sem grandes reviravoltas, não houve histórias por trás da história. Torci muito para que fosse um episódio como White Bear. Explico. Quanto mais White Bear avançava, mais cara de roteiro bobo de terror adolescente ele tinha. Até que a gente descobre que não era tão óbvio quanto “as pessoas se tornaram zumbis das redes sociais”, mas uma prisão que também é um reality show macabro. Olha quanta problematização: a barbarie social que é a justiça com as próprias mãos (também conhecido como “bandido bom é bandido morto); a violência como produto de entretenimento; a privatização do sistema penitenciário… Já Nosedive ficou naquilo que propôs desde o início. Como você mesmo disse: “Ele parece existir só pra fazer uma crítica ao Facebook, ao Instagram, ao Twitter.”. Sinceramente, isso até post de facebook já fez. De forma até mais criativa, por sinal.

  • Pedro Duzzi

    Terminei esse episódio bastante decepcionado. Como mencionado anteriormente, parecia um vídeo sensacionalista compartilhado por alguém no Facebook. Foi exatamente isso… Foi possível prever todo o desenrolar do episódio desde os primeiros minutos. Mais pra frente, quando ela encontra a caminhoneira e a mesma se mostrou um “retrato” do que a protagonista se tornaria no fim do episódio foi quando eu vi dentro do meu cérebro de tanto que meus olhos se reviraram. Huahuhauha
    Brincadeiras a parte, o episódio teve sim momentos legais, mas passa muito longe da genialidade que vimos em episódios anteriores.
    Li comentários que esse é o episódio mais fraco mesmo, talvez por isso ele tenha sido deixado como o primeiro.

  • Ton Freitas

    concordo com vc… tbm achei tão óbvio, tão mastigado, tão exagerado… frustrante. ok que algumas coisas já funcionam dessa maneira hoje em dia, como a avaliação no uber ou airbnb, mas passou longe do black mirror que aprendemos a gostar!

  • Aleski

    Só para referir mesmo, sobre descontos imobiliários e outras benesses para pessoas populares… Isso já existe. Blogueiras no Brasil recebem desde viagens, itens de moda, cosméticos “de presente” de acordo com sua popularidade. No exterior existem condomínios que oferecem seus imóveis com os mesmos critérios. São facilidades de acordo com a sua aceitação pela sociedade e que param de chegar se você cair no ostracismo.

    • Marcos Rutkoski

      Sim, vai ver quantos benefícios os políticos recebem só por ter “status”… É como se eles tivessem notas acima de 4,5.

  • Filipe Dias

    Eu também lembrei do episódio de Community, um de meus favoritos. Cheio de referencias distópicas. E por isso eu achei que o roteiro era fraco. Uma ideia que já vi antes e feita de maneira incrível. Mesmo assim eu gostei de muita coisa nesse episódio

  • Gabriel Martins

    Não achei o episodio ruim, mas a diferença de estilo entre a escola britânicaca e a americana é gritante. E a série combina muito mais com a escola britânica. O maior pecado do episodio foi a personagem principal ser mto caricata, overaction total. Seria mto melhor uma atuação mais sutil, como os atores ingleses noa brindaram nas temporadas anteriores. No mais achei a critica social mto boa, não teve o plot twist que estamos acostumados, mas não me importei, achei até boa a mudanca de ares para não ficar saturada a serie.

    • Tom Carvalho

      Escola americana? What?

  • Richard Aléxis

    Gostei muito do episódio, se ele me deixa desconfortável então pra mim é Black Mirror. Também me interesso pelas tecnologias e o universo que as envolve, mas nunca foi o foco da série. Penso que a personagem principal no começo é vazia e rasa pois, assim como todo o universo em que ela vive, o mundo acabou ficando desse jeito. Na verdade já é, não damos estrelas mas avaliamos constantemente todos a nossa volta, empresas pesquisam sobre a vida dos candidatos no facebook, motoristas avaliam passageiros no Uber, será que demora mesmo pra chegarmos nesse nivel? A classificação e segregação já existe, o episódio só facilita isso e nos mostra a que ponto podemos chegar se não formos conscientes disso tudo.

  • Um do melhores episódios

    • Daniel Lima

      certamente me mudou para uma pessoa melhor(?)

  • Mas que episódio ruim, hein? Parece uma comédia romântica misturada com road movie mas em moldes futuristas. Fiquei bem decepcionado, principalmente para começo de temporada.

    O ambiente criado é bem interessante, mas a impressão é que quando o episódio consegue nossa atenção, dispara por um enredo óbvio e bobo.

  • Daniel Lima

    Um dos melhores episódios e que definitivamente me fez mudar atitudes minhas. Lacie se assemelha muito a minha irmã e sua atual vida por likes e seguidores em redes sociais, que vive uma transparência enquanto fora desse mundo virtual somente nós, os familiares, a conhecemos de verdade, e foi por isso que eu criei uma empatia ENORME por Lacie e até chamei minha irmã para ver comigo o ep, o que a chocou bastante.

    Lacie é uma personagem a qual eu me simpatizei tanto que também pude perceber parte dela em mim! Todos questionamentos de amigos sobre “esta roupa está boa?” “você gostou do que eu fiz no cabelo?” “você acredita que eu perdi peso?” eu suavizava tudo com uma leve mentira para agradar a pessoa, como se isso fosse me dar “pontos” assim como em Nosedive.

    Mas, após esse incrível episódio, eu pude perceber que a originalidade minha e de minha irmã, se perdiam em meio a uma série de fatores que nos “forçavam” a ser quem não eramos, ou a falar o que não pensávamos.

    Nosedive me fez responder aquela pergunta que estava na caixa de entrada do Direct Message do instagram há 3 dias “Por que você parou de me seguir, posso saber?” eu pude verdadeiramente responder “Porque eu quis”.

  • Virgílio Santos

    China vai usar dados pessoais para catalogar cidadãos e empresas
    Sistema será usado para avaliar a confiabilidade e a lealdade política de cada indivíduo e companhia

    http://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/20/internacional/1476970091_757096.html

  • klaus

    Nosedive achei fraquinha, suave demais. O restante foi mais perturbador.

  • Nando

    Eu não entendi a crítica a esse episódio, achei o melhor até o momento (ainda não assisti os demais dessa 3° temporada). Black Mirror teve eps bons, porém alguns pareciam arrastados, ja esse eu achei bem frenético que apesar de focar num “tipo de vicio” nos celulares, eu mesmo num consegui pegar no meu durante mais de 1 hora de episódio.

    Fora que criticar esse episódio e falar bem do 2 episódio da 1° temporada que foi bem preguiçoso…

  • RenanRCV

    Episódio simples demais, fácil de ser elaborado, pois já é o que acontece. Povo achando o melhor só porque é o que apresenta uma crítica mais fácil de ser aplicável ao cotidiano. Um dos piores até agora.

  • Zé Higídio

    O episódio passa muito longe de ser fraco, só porque o “tom” do episódio mudou bastante comparado aos outros, o que já é de se esperar sendo que os episódios são histórias totalmente distintas, isso não o torna ruim. A ambientação realmente não é intimidadora como a dos seus antecessores, justamente por ser uma grande ironia para com a artificialidade das relações naquele universo. O episódio foi elaborado justamente para não sentirmos empatia alguma com a personagem que é só mais uma tentando ganhar boas avaliações num mundo onde isso é o que importa. E esse episódio finalmente muda a forma como a personagem se transforma: diferente dos anteriores, a personagem só passa a se opor ao que é imposto pela sociedade depois que não lhe resta nada. Isso serve para mostrar o quanto somos profundamente influenciados pelas opiniões alheias, e também para nos incluir nesse universo maluco que quando me foi apresentado equivaleu a um filme de terror, só que bem mais realista, e, convenhamos, nada distante da realidade atual, apesar de nos causar estranhamento inicialmente. E o desfecho é igualmente sensacional, é quando depois de tanto torcermos para que a personagem abandonasse os princípios daquela sociedade, ela finalmente se torna uma pessoa, alguém livre (apesar de encarcerada) para ser quem é, e não o que as outras pessoas querem que seja, e ela, enquanto a princípio lamenta tudo o que lhe ocorreu, logo se vê tomada de êxtase com essa estranha nova liberdade que lhe atinge, e se sente tão exaltada com a possibilidade que adere à prática do seu “vizinho” de cela: por para fora tudo o que outrora seria imediatamente reprimido pelos membros artificiais da sociedade. Sem dúvida, a troca de xingamentos mais feliz já vista.
    E mais um episódio sensacional da série.