Atlanta 1×08: The Club

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Everybody hates the club.

A cena do hip hop sulista representada em Atlanta é um misto de amadorismo e depressão enfrentada por pequenos rappers que tentam crescer em uma época onde a cultura digital se faz tão presente. “Vou checar seu soundcloud” afirma uma frequentadora ao conversar com Paper Boi, que se vê rodeado por pequenos artistas que disponibilizam suas músicas em diversas plataformas online. Mas em algum momento, é preciso encarar a realidade dos clubes noturnos de hip hop de Atlanta, e aparentemente, todo mundo odeia o clube, mas todo mundo comparece.

Existe outra alternativa? Pelo jeito não. É preciso fazer dinheiro, seja cinco mil ou setecentos e cinquenta dólares.  O que define Atlanta em seus episódios vagos e espaçados (além do eterno esforço de uma vida melhor), é que existe um senso de solidão e confusão nos personagens que os habitam. Earn odeia o clube, Paper Boi também. Será que existe um futuro promissor na jornada, então? Difícil prever, mas mais difícil ainda é confiar em uma caminhada segura e sem obstáculos para os dois personagens.

Earn descobre a entrada secreta.
Earn descobre a entrada secreta.

Em The Club vemos Earn literalmente vagando por um espaço lotado, onde a música é tão alta que o personagem parece mudo, silenciado pela multidão e pela batida do hip hop. “I hate shots” afirma o personagem, ao ser confrontado e seduzido pela bebida, frustrado pelo péssimo desempenho profissional que o persegue não apenas nesse episódio, mas em todos até o momento. Earn é passivo ao extremo em suas abordagens, sutil na maneira como pensa, profundo demais para simplesmente demandar o dinheiro prometido pela aparição de Paper Boi no clube (que por sinal foi completamente ofuscada por um esportista da NFL).

O clube é a personificação de um exagero na maneira como as pessoas se comportam em uma festa, e dos motivos que as levam até o local. Como a bartender sugere, Earn não é especial por não gostar do local, todos estão ali por um propósito, inclusive o protagonista, mas Atlanta compila uma série de pequenos personagens para indiretamente apresentarem suas justificativas, como o escorregadio dono da festa Chris, o segurança que barra Darius de voltar para a área VIP, alguns frequentadores, o DJ, a bartender, e o excêntrico jogador da NFL. Diferentes personagens que fazem parte da cultura de clubes noturnos compõe um universo criado em apenas um episódio, e tudo parece muito honesto e real.

 Paper Boi e o legado da imagem gangster no hip hop.
Paper Boi e o legado da imagem gangster no hip hop.

E se até então vimos Atlanta negligenciar uma conexão mais forte entre seus episódios, é possível que de agora em diante esse artifício seja mais utilizado, contando que a temporada está prestes a acabar. Quando Earn não consegue o valor integral oferecido pela aparição de Paper Boi no clube, o rapper busca o que é seu da forma agressiva que lhe foi ensinada pela vida. Paper Boi é intimidador e precisa fazer o trabalho pesado porque Earn é só um cara que bebe suco, e todos sabem disso. A continuidade narrativa que me refiro começa a aparecer no final do episódio, onde após um tiroteio e atropelamento por carro invisível acontecer no clube,  os três personagens centrais comem em um restaurante, quando a televisão exibe jornal dizendo que a polícia está atrás de Paper Boi por roubo a mão armada no clube. Mesmo com todo o surrealismo de Atlanta, algumas situações são tratadas com muita veracidade, talvez a ascensão de Paper Boi se dê com a mídia o tratando como um gangster, mas o próprio personagem parece não querer seguir esse caminho, porque apesar de ser o mais comum, geralmente traz junto algumas situações indesejadas, como frequentar um clube que todos odeiam, mas que frequentam do mesmo, uma espécie de purgatório nas noites de Atlanta.

  • Dam Ramos

    amando a série. do caralho mesmo

  • César

    Esse já é meu favorito, ri demais! O Earn chutando a porta do escritório é a melhor parte, sem falar do carro invisível! Kkkkkkkkkk

    Os coadjuvantes por episódio dessa série são demais (nesse a bartender, Chris)! Aparecem só uma vez, mas conseguem roubar a cena do trio protagonista.