Atlanta 1×04: The Streisand Effect

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O Efeito Streisand é o nome dado para uma situação que ocorre com muita frequência na internet: quando uma pessoa, na busca por esconder ou diminuir a propagação de uma informação pessoal (foto, vídeo, notícia), acaba propagando-a ainda mais. Ainda no início de carreira, Paper Boi vai ter que aprender a lidar com situações inusitadas e complicadas enquanto elas acontecem. Na cold open de Streisand Effect, após um show, Paper Boi, Earn e Darius são abordados por um sujeito invasivo e extrovertido. Zan é uma representação da indústria digital e a maneira como em tempos modernos lidamos com as plataformas disponíveis, ou como tentamos fazer dinheiro através do uso sensacionalista da internet.

Zan não parece odiar Paper Boi, como vimos mais para o final do episódio, mas nos negócios digitais o que importa são os clicks, e para Zan, se for preciso queimar Paper Boi, não pensará duas vezes (nota-se também em Paper Boi um homem aparentemente ingênuo em relação a maneira como a internet funciona atualmente, porque engajar com um “troll” ou “hater” não parece boa ideia). Zan é um exagero da cultura de reviewers e críticos, mas não deixa de possuir características realistas. O que fica claro é a falta de tato de Paper Boi, que deveria ignorar tal interação, ou até mesmo de Earn, que como administrador da carreira do primo, deveria ter sido mais incisivo ao sugerir que contato não fosse feito.

Mas Atlanta não mostra o glamour das carreiras de rap, e sim justamente o contrário, Em que mundo um rapper iria ao trabalho de seu crítico para buscar compreender a relação complicada entre os dois? Paper Boi parece decepcionado ao perceber que sua carreira provavelmente não renderá muito dinheiro. Mas segundo o personagem, ele é um homem que assusta os outros no caixa eletrônico, e parece aceitar seu destino, provavelmente pela falta de oportunidades que a vida lhe deu. Vimos um Paper Boi mais pensativo, buscando compreensão e sentido na vida, mas no fim, apenas decepcionado. Parece que o personagem viverá uma espécie de crise existencial. Assim como todos os humanos pensantes que habitam a terra.

Ao dividir novamente seu episódio em dois pequenos arcos, Atlanta reafirma como sua narrativa se encontra e se desenvolve nos pequenos gestos e atos. Ao colocar Earn e Darius em uma jornada separada, aproxima personagens não muito próximos, nos mostrando uma nova interação. É interessante ver as dificuldades financeiras de Earn sendo o ponto de partida da pequena jornada. O texto de Atlanta ainda cria argumento forte sobre a pobreza contemporânea, e como não se pode fazer investimentos sendo uma pessoa pobre. É preciso alimentar, morar, sobreviver no agora. Não em setembro. Mas ainda que o texto de Glover seja pesado e preze pela reflexão, Darius é tão involuntariamente cômico e único que consegue balancear a tensão do arco. Se no início da jornada Earn queria apenas vender um celular pois precisava do dinheiro para ontem, alguns minutos depois possuiu uma espada, trocada por um cachorro, finalizando em um investimento que renderá frutos logo mais à frente. Mas o que importa é o agora.

Se Atlanta imaginou em sua premissa que Paper Boi seria um grande rapper e que Earn seria um grande gestor da carreira do primo, até agora mostrou pequenos passos nessa direção. Fica claro que a série busca mostrar as dificuldades ao longo do caminho, com uma sensibilidade pouco vista na televisão. Depois de um episódio onde pequenos desafios são superados, há espaço para crescimento e desenvolvimento de personagens, e ao mesmo tempo, o espectador é convidado para admirar um pouco mais Earn, Darius e Paper Boi.

  • rocorby

    o grande diferencial dessa série é o texto mais real e cru, não mostrando esse glamour da carreira de rapper, e sim a dura realidade do negro americano, e sempre com toques de comédia aqui e ali, tornando a série simplesmente incrível, uma das melhores estreias do ano.
    Ótima review, to adorando os textos

  • César

    Darius sendo o melhor personagem como sempre. Kkkkkkkkkkk

    A confusão entre orientais foi impagável: eles tavam entrando num galpão com japoneses, tava tocando uma música sul coreana e tinha um chinês chorando do lado de fora. WTF!

    Gostei do diálogo do Paper Boi com o Zan e ele ter entendido que o cara só está fazendo o dele pra sobreviver.

    E aquele papo estranho do cara do bar? Parece que o Paper Boi tem um inimigo aí e a série tá desenvolvendo um mistério aos poucos, a gente nem sabe o que aconteceu mesmo naquele tiroteio do episódio piloto.

  • Matheus Rocha Andrade

    O Zan e o Darius, são hilarios, FX pode reservar o espaço do armario pros emmys dos ano que vem