Ash vs Evil Dead 2×05/06: Confinement/Trapped Inside

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Um retorno espetacular de uma personagem que representa a essência de Evil Dead assim como seu protagonista.

Ash vs Evil Dead é uma série que sabe aproveitar do seu hype no passado muito bem. Uma das coisas que mais admiro na série, fora o seu senso de humor, é a forma como as referências aos filmes que a antecedem são feitas. Nada soa forçado e apelativo, muito pelo contrário, são inseridas em pontos cruciais da história, e são elas que trazem o telespectador para o lugar comum.

Outra característica muito bem executada é o desmembramento das histórias e inserção de novos elementos “omitidos” nos filmes originais da franquia. Por exemplo, pouco se sabia sobre o passado de Ash e sua irmã, e essa temporada com certeza chegou com a missão de contar aquilo que permeava o subconsciente da maioria dos fãs.

É exatamente essa a linha que separa a primeira temporada de sua sucessora, enquanto uma passou a maior parte nos preparando para aquilo que já havíamos visto – e que queríamos ver de novo – com o embate final entre Ash e a cabana, a segunda catapultou os elementos em um outro nível, nos fazendo reviver um passado até então desconhecido.

É por isso que apesar de Confinement ser um episódio afiado, não consegue chegar aos pés de Trapped Inside, que não só trouxe a antagonista do primeiro filme, como carimbou Baal como um vilão de peso.

No primeiro episódio ocorreu a separação do joio e do trigo, inclusive a personagem que parecia avulsa para a trama Tracy, foi-se revelada como a filha de Thomas e Linda. Eu sou muito fã de filmes onde não sabemos em que corpo o assassino habita. Temos como exemplo o meu preferido do gênero Enigma do Outro Mundo que é um filme sensacional, além de muitos outros como Jogo dos Espiritos, Demonio… e por aí vai. Eu particularmente esperava uma carnificina na delegacia, visto que o show é mestre em fazer isso, mas o terror psicológico (com pitadas de humor) foram realmente o contraponto do episódio.

As manifestações do necronomicon em Pablo fazem com que o mexicano passe a ser a principal arma contra Baal, o demônio que veste a pele das pessoas que matou. Achei incrível como as transformações ocorreram e como realmente ninguém está a salvo, esta desconfiança entre o grupo tornaram o clímax ainda mais interessante.

A relação de Ash e Linda foi pouco explorada, mas achei estranho ela se virar contra seu atual marido na primeira oportunidade. Tudo bem que Thomas apresentou lapsos de loucura, e sua sede de vingança contra Ash estava começando a exceder a lógica, mas fugir com sua paixão e deixar o marido a mercê de um demônio foi pouco justificável. Isso é algo que se acontecesse em outra série me incomodaria bastante, pois são atitudes que não condizem com um ser humano comum, porém como trabalhamos em cima do nonsense do show, qualquer atitude é normal. Em um mundo caótico é exatamente isso que acontece. Vejamos por exemplo Tracy, é claramente a cota de mocinha indefesa que só sabe gritar, superficialidade impera na personagem, e em Ash ter isso no elenco não é uma qualidade ruim. Ash vs Evil Dead consegue a proeza de transformar qualquer defeito em qualidade visual, e esse é um dos motivos do show ter sido tão bem recebido e ter se consolidado.

O segundo ato, se passando na casa de Ash foi para mim o ponto alto da segunda temporada, assim como The Killer of The Killers na temporada anterior. A maneira como o episodio foi conduzido e o fato de desenterrar Cheryl Williams foi mais um acerto do roteiro.

Com a volta da irmã de Ash podemos perceber que na vida real ela era exatamente aquilo que mostrou na cabana em 1981, introspectiva, fechada, deslocada viveu um romance com Chet as escondidas e claramente tinha uma relação tumultuada com a família. Ellen Sandweiss não deixou nada a desejar e mais uma vez conseguiu reconstruir um dos deadites mais interessante da franquia, afinal tinha relação direta com o primeiro filme da franquia.

As tiradas ácidas, e as referências estavam no ponto, como por exemplo, a parte em que ela relembra o estupro pela árvore, cena clássica do primeiro filme e de sua refilmagem. Suas interações com Chet e Ash também estavam lá, e mostrou mais uma vez o porque de ser o deadite mais impiedoso, matando Chet sem pestanejar.

Cheryl Williams em Evil Dead, 1981.
Cheryl Williams em Evil Dead, 1981.

Enquanto tudo isso acontecia, Linda e Kelly tentavam impedir que a população, comandada por Baal, entrasse dentro da casa e eliminasse Ash de vez. Essa cena me lembrou muito a cena em que Freddy Krueger é encurralado e sua loja e queimado vivo, não sei se foi intencional – afinal de referências a série está cheia – mas foi o que veio em minha mente por alguns instantes.

Além disso, Ruby começou a decifrar os segredos por trás da possessão de Pablo pelo livro, fazendo com que ele desbloqueie camadas ou capítulos importantes no seu corpo para que ele possa parar Baal. Além disso, Ruby finalmente revela que não é mais imortal, e a vulnerabilidade da personagem foi muito bem imposta.

A morte de Cheryl tem um gosto amargo na boca. Eu confesso que sou apaixonado pelo deadite da personagem desde o primeiro filme, por ter tido a construção mais complexa de todos, onde vimos todos os estágios da sua transformação e seu sofrimento. Para mim é o melhor deadite de toda a franquia, por isso, foi muito bom vê-la de novo, mesmo que por pouco tempo.

Ellen Sandweiss em Evil Dead, 1981 (esquerda) e em Ash vs Evil Dead, 2016 (direita)
Ellen Sandweiss em Evil Dead, 1981 (esquerda) e em Ash vs Evil Dead, 2016 (direita)

Os pontos positivos da morte da irmã, são claros. Ash finalmente passa a vestir a roupagem de herói que sempre mereceu frente a sua cidade natal, mas infelizmente ficou vulnerável o suficiente para cair nas mãos de Baal. O que podemos esperar disso? O próximo episódio parece que vai precisar de doses descontroladas de LSD.

NOTES FROM BEYOND

– Alguém conseguiu entender como Baal controla a mente de suas vitimas? Porque assim na frente de todos fica difícil não imaginar a interferência de alguém.

– Só agora que reparei que Ash tem um problema com o nome Linda em sua vida.

– R.I.P. Chet, R.I.P. Cheryl (2x)

JUKEBOX

Phoebe Snow – Poetry Man

Napoleon XIV – They’re Coming To Take Me Away

Romeo Void – Never Say Never

  • LUIS HEBER

    Impressionante a qualidade dos efeitos dessa série. O Visual gore/trash é nota 10.

    Ainda bem que já foi renovada…

  • Fabi Alves

    nossa esse ultimo ep foi maravilhoso 😉

  • André

    Os dois eps foram ótimos o primeiro pela interaçâo de todos os personagens na delegacia e o segundo por causa da deadite irmâ do Ash que foi maravilhosa.

  • a música final fechou o episódio fantasticamente, “they’re coming to…”.

  • Igor Fernando

    Essa segunda temporada tá perfeita. Adorei a volta da Cheryl, nostalgia pura.

  • João Carlos

    Para quem não assistiu aos filmes não tem aquela empolgação com as referencias, mas não é um coisa que irá atrapalhar o entendimento das coisas.
    Episodio ótimos e o proximo entao nem se fala.