Ash vs Evil Dead 2×02/03: The Morgue/Last Call

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Uma das melhores coisas de Ash Vs Evil Dead é o fato de ser um show que não tem medo de rir de si mesmo.

Acho que provavelmente já deve ter acontecido com vocês, até mais de uma vez, assistir um filme da sua infância ou adolescência que parecia uma obra-prima, mas que atualmente não tem o mesmo impacto como anos atrás. Comigo já aconteceu inúmeras vezes, e com Evil Dead não foi diferente.

Qual é a definição de um clássico para vocês? De certa forma filmes clássicos, são obras imperecíveis pelo tempo, quanto a sua concepção como arte cinematográfica, ou pelo menos a sua ideia ou contribuição para o desenvolvimento do roteiro ou técnicas de filmagens. O filme homônimo de 1981 se visto hoje terá a sensação de ser um filme ingênuo ou ultrapassado, seja pela história (criada e recriada) inúmeras vezes em diferentes tipos de plataformas, pelos efeitos (que se comparados com os filmes atuais torna-se obsoleto) e atuações enfadonhas, que na época eram compradas facilmente.

Evil Dead me deixou extremamente desconfortável e com muito medo quando o assisti pela primeira vez, mas com o passar do tempo e com a chance de revê-lo percebi que aquilo não era tão medonho quanto eu imaginava, chegava a ser engraçado. Acreditem, na minha infância existiram três coisas na TV que me marcaram e que eu lembro claramente de ficar inquieto na hora de dormir, a primeira delas foi quando eu assisti o episódio de Punky Brewster, chamado de “The Perils Of Punky”, a segunda delas era o maldito filme “Xuxa Contra O Baixo-Astral”, acreditem, Guilherme Karam fez um excelente trabalho em me trazer os piores pesadelos, e por fim, o programa Linha Direta, esse último por simplesmente apresentar casos baseados em fatos reais.

Essa é a semelhança que eles apresentam, se assistidos atualmente, não terão o mesmo impacto daquela época, e realmente não tiveram. Entretanto Evil Dead tinha um diferencial. Evil Dead foi bom, é bom, e será bom exatamente por andar na direção contrária de outras produções. Não reparou seus erros, mas os amplificou, e, portanto, estávamos diante de dois outros filmes com os mesmos elementos do seu antecessor e com o mesmo nível de nonsense, e por isso, é uma franquia que nunca foi esquecida.

A série, assim como os filmes, acerta não por se reinventar por completo, mas sim, por resgatar o melhor do pior, transportar todo o nonsense e inserir um elemento que torna nossa viagem ainda mais prazerosa ainda: a tecnologia. Aliado a isso, trouxe Sam Raimi e Bruce Campbell que conhecem muito bem a história e a essência por trás de todo o legado, coadjuvantes de peso e inserção de novas características muito bem-vindas. Bruce, mais que isso, não é só responsável por ser a estrela do show, ele se dá tão bem no papel que conseguiu a proeza de criar um ícone para a TV.

Devaneios a parte, foi isso que vimos durante a primeira temporada, a intensificação de elementos cruciais, que se fossem vistos em qualquer outro lugar receberiam uma enxurrada de criticas negativas, mas felizmente, caíram nas mãos da produção certa, e já aprendemos, que para Ash vs Evil Dead, não só faltam criticas como sobram elogios. E com esses dois episódios não foi diferente.

Em The Morgue divididos em duplas pudemos ver um pouco da inserção de Ruby ao time principal e sua inabilidade de combater o inimigo dessa temporada sozinha.

Ruby e Pablo

Os dois tiveram bons momentos juntos, e finalmente começamos a descobrir o que o livro havia feito com Pablo. Ruby mostrou seu conhecimento e tomou as rédeas de uma conversa que já havia passado da hora de acontecer, declarando as visões de Pablo como premonições e inserindo o vilão da temporada que recebe o nome de Baal, um demônio muito poderoso, e também pai das crias dela.

Essa inserção foi pontual e se alguém capaz de colocar medo em Ruby é a sua contraparte, então a decisão de trazer o pai dos seus filhos a vida é muito bem-vinda, e espero coisas boas daí.

Outro momento interessante nesse núcleo, foi o empoderamento vindo da seguinte frase de Kelly para Pablo:

“Well, actually vaginas are powerfull and life-affirming. So technically you are more a vagina now than you’ve ever been.”

Texto bem afiado, e certeiro. Mais um ponto positivo para o roteiro.

Ash e Kelly

Esses dois juntos são sempre divertidos, especialmente quando estamos falando de uma visita ao necrotério. Acho que a cena de Ash entrando dentro do ânus de um cadáver e saindo maravilhosamente cheio de merda nunca mais vai sair da minha cabeça, e é por isso que ela ilustra a review. Foi estupidamente grotesco e divertido e vai ser difícil encontrar algo mais nonsense do que isso. Fora aquele pênis nojento com um piercing gigante deslizando pelo rosto do Ash. Quem tem essas ideias, serio? HAHAHAH. As diferentes formas com que o livro vem atacando Ash estão simplesmente fenomenais, e dessa vez com tripas dentadas foi muito divertido.

Kelly mais uma vez vai provando o quanto se desenvolveu e quanto badass ela vem sendo e deu uma surra no xerife mala que vem cumprindo a cota de coadjuvante inútil muito bem. Além disso, suas reações quanto ao Ash todo sujo de merda não poderiam ser melhores. Como uma série pode divertir tanto?

O Quarto de Ash

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No inicio vemos a entrada de Ash em sua antiga casa e uma visita ao passado ao se deparar com um quarto no fim do corredor, relembrando de sua irmã Cheryl Williams que foi um dos primeiros deadites a aparecer nos filmes, e um dos mais famosos também. É sempre bom revisitar elementos da franquia e ver que a série apesar de ter uma mitologia própria se utiliza disso para momentos de nostalgia. Além disso, o quarto de Ash é uma releitura de tudo que o personagem representa, pôsteres de mulheres, o lagarto morto, compartimentos escondendo drogas etc. Simplesmente genial! A luta com a professora de Educação Física que já teve um caso com o herói, provou que Ruby está mesmo disposta a colocar um fim nessa guerra e que realmente está do lado do bem.

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Outro ponto a ser discutido é a relação entre Ash e seu pai. Nesse primeiro episódio vemos mais uma camada ser adicionada, mostrando que estes além dos problemas do passado, tem o sério problema de serem parecidos demais e por isso estarem sempre competindo. Lee Majors está fenomenal no papel!

Em Last Call tivemos uma referência a Christine O Carro Assassino e aprendemos que ninguém sabe como dar uma festa como Ash Wiliams, e ninguém sabe como aproveitar seus últimos momentos de vida como o Brock Williams. Foi interessante ver o episódio começar com Ash lamentando a perda do seu tão querido carro, para no fim, ter que lamentar a perda do seu não tão querido pai, segundos após terem feitos as pazes e ele estar pronto para revelar algo para o filho. Foi um cliffhanger e tanto!

Delta, O Carro Assassino

O núcleo de jovens fazendo referência aos filmes de terror clássicos dos anos 80 não poderia ter sido melhor. Onde aqueles que praticam sexo morrem primeiro, temos o amigo vela morrendo logo em seguida, e o casal principal sofrendo as consequências por fim. Foram mortes legais, com minutos de perseguição interessantes, afinal correr de um carro após uma mordida no pinto é só para Ash vs Evil Dead mesmo. Como eu amo essa série!

Além disso, utilizar o Delta para dar cabo no pai de Ash também foi uma excelente ideia, não que eu quisesse isto, mas tenho certeza que a sede de vingança de Ash será ainda maior agora. E se antes ele já tinha uma motivação, agora tem mais uma na lista.

Pink Fuck!

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O quão nonsense é uma série que inventa um drink alucinógeno e tem culhões de deixar a receita tempo suficiente na tela para o telespectador copiar? Se alguém perdeu, esta aí em cima o momento.

Melhor festa ever! Ash tem sempre planos brilhantes e tudo acaba em sexo e alcool, e eu duvido muito que se os jovens não tivessem ficados presos no carro não teriam aparecido para festar. Portanto foi um bom plano sim, me desculpe Ruby. Inclusive, a partir dessa festa, vemos os laços na gangue se estreitando, e se no episódio anterior vemos uma parceria entre Ash e Kelly, dessa vez é Ruby quem abocanha a garota.

Kelly passou por um processo de amadurecimento muito cedo, me lembro no primeiro episódio, ela simplesmente sendo uma garota normal e tendo que passar pela perda dos pais e logo em seguida ser inserida na jornada. Acho que ela não teve tempo para luto e foi por isso que as palavras de Pablo a afetaram bastante. Não por ela não ser tudo aquilo, porque no fundo ela sabe que sempre foi forte, mas por ter crescido tão rápido que se esqueceu um pouco de si mesma. Mas felizmente Ruby trouxe a garota de volta e realmente espero que essas dúvidas sejam só um momento passageiro.

Ash e seu pai, que dupla! Ver os dois competindo foi épico, e ver o desfecho dessa história, caminhando para o perdão entre os dois foi lindo e intenso. Lee Majors conseguiu se parecer tanto com Bruce Campbell, nos trejeitos, na forma de falar, que perdê-lo realmente vai ser difícil. Entretanto, a maneira como foi feita a cena, tem sim seus méritos. Resta saber o que é esse segredo que Brock veio mantendo por tanto tempo do filho.

Com dois episódios intensos, divertidos e importantes para o resto da sua historia, Ash vs Evil Dead começa sua segunda temporada com o pé direito. Se isso é indicativo de um excelente ano como o primeiro, só o tempo irá dizer, mas de uma coisa temos certeza, a série não erra quando o critério é diversão. Dito isso, espero que assim como seu Delta possuído, a série consiga manter essa velocidade dos acontecimentos constante.

NOTES FROM BEYOND

Ellen Sandweiss que interpretou Cheryl Williams irá retornar nessa temporada para uma participação. Com a tentativa de uma revelação por parte de seu pai, Ash provavelmente irá adentrar o quarto da irmã em busca de respostas. Resta saber se ela voltará como um deadite ou apenas em forma de flashback.

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– Ted Raimi (irmão de Sam Raimi), que participou dos três filmes da franquia e também de Xena a Princesa Guerreira, deu as caras nesse episódio como o melhor amigo de infância de Ash. E o que podemos dizer dessa parceria? Groovy!

– A conversa entre Ruby e Kelly me lembrou muito a tensão sexual que existia entre Xena e Gabrielle. Foi só eu que senti isso?

– O gore e o nonsense desses episódios, uma grande cereja no bolo. Parabéns! Sem contar que a terceira temporada também já está garantida.

– Queria me desculpar pela demora, viajei por 10 dias e realmente ficou difícil de manter as series em dia. Tentei fazer um textão para me redimir, espero que tenha tido sucesso! Até o próximo episódio (em dia dessa vez)!

JUKEBOX

Não tem lista 🙁 porque fiquei tão entretido com o desenrolar dos episódios que esqueci de prestar atenção na trilha sonora. Foi realmente boa como nos outros? Vocês me dizem ai!

  • Matheus Brito

    Amo Ash vs Evil Dead de todo coração. O gore, nonsense, trash, ironias e sarcasmo fazem dessa uma das minhas séries favoritas. A luta com o intestino no necrotério e a morte dos 5 pelo carro possuído são o que de melhor AvED sabe fazer. Fiquei com a mesma sensação de nostalgia com os 5 morrendo um a um do mesmo jeito dos filmes: sexo, vela e casal principal. A troca de cenas, entre as mortes e o bar, ficou muito interessante também. Essa estrutura de 30 minutos por episódio favorece muito a série, que tem o tempo perfeito pra desenvolver tramas sem soar enfadonha ou rápida demais. Apesar que, sempre que um episódio termina, eu fico com aquela sensação de que uns minutinhos a mais não fariam mal haha

    Mal posso esperar pelo restante da temporada, e fiquei mais do que feliz quando logo após o lançamento do 1º episódio a série foi renovada. Groovy!

  • Fabi Alves

    gente ash vs evil dead ta mto booomm

  • RenanSP

    Essa série só melhora, esses dois episódios foram sensacionais.
    O que foi aquela escatologia marota do episódio 2? Ri demais.
    E o carro possuído? Chupa Christine kkkkk E o lance do pai ao final do episódio apesar de ser previsível, quando ele começou o discurso no meio da rua eu já estava esperando, mas foi muito bom, humor negro total.

  • João Paulo

    Ótima review, abrangeu tudo nos episódios.

    Não tem como não comentar aquela cena no necrotério que abre essa review. Foi extremamente gore, nojenta e ao mesmo tempo engraçada, essa já entra para um dos momentos mais épicos de Ash vs Evil Dead.

    E esse inicio de temporada tá muito bom, se continuar nessa pegada mais gore e engraçada tem tudo para superar a primeira temporada.

  • João Carlos

    A morte do pai eu não esperava.
    A série sempre me diverte e também me surpreende na qualidade.

  • Carcosa, the Yellow

    “O filme homônimo de 1981 se visto hoje terá a sensação de ser um filme ingênuo ou ultrapassado, seja pela história (criada e recriada) inúmeras vezes em diferentes tipos de plataformas, pelos efeitos (que se comparados com os filmes atuais torna-se obsoleto) e atuações enfadonhas, que na época eram compradas facilmente”.
    Cara. Evil Dead não tem nada de ingênuo nem ultrapassado. É um filme feito por amigos sem dinheiro quase, sem produtora só o amor pelo cinema. Então assim. Ele sempre será um clássico no matter what.

    “A conversa entre Ruby e Kelly me lembrou muito a tensão sexual que existia entre Xena e Gabrielle. Foi só eu que senti isso?”
    Foi longe agora hein?

    E a Cheryl era quem mesmo? Era a mina q era pega na floresta né?

  • Igor Fernando

    Esses 2 episódios foram tão absurdos e tão incríveis que não tenho palavras para descrever o que senti enquanto os assistia. Foi quase um orgasmo visual! Sensacional!