Arrow 5×08: Invasion! [100ª episódio]

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Com Invasion! Arrow celebrou seu centésimo episódio com o melhor roteiro já apresentado pela série em cinco anos.

Quando li que o centésimo episódio de Arrow também seria parte do evento crossover de quatro noites, me preocupei. Não existia, naquele momento, uma justificativa para desviar o foco da produção e fazer de seu episódio mais importante um complemento para a união de outras três séries. Some a trama a existência de alienígenas e minha ideia final era a de que os roteiristas de Arrow já não sabiam mais como trabalhar seus personagens e estavam jogando a toalha. Como eu estava errado. Felizmente nenhuma das minhas previsões se acertou e o que o time criativo guiado por Marc Guggenheim entregou, superou todas as minhas expectativas para uma temporada que está se profissionalizando neste quesito.

Utilizar a invasão alienígena para conseguir criar um sonho como o do episódio foi a melhor ideia já criada pela série. É um recurso que não poderá ser utilizado novamente, mas por sorte foi muito bem aproveitado. Dentro de cada personagem é possível uma análise sobre o que significa a ilusão dos Dominadores. John Diggle assumindo o manto de Arqueiro Verde, ou melhor, Capuz, expõe o lado sentimental do personagem, muito próximo ao da primeira temporada, para Oliver. John está repleto de culpa, um tipo de culpa que o coloca como o vigilante procurando expiar por seus erros em um mundo de fantasia, ao invés de vê-lo como um pai amoroso e esposo feliz. A felicidade para John no momento é pagar por seus pecados e essa representação demonstra qual será o fardo carregado pelo Espartano nos próximos episódios da série.

Oliver, o grande herói, encontra-se em um paraíso perfeito. Ao lado dos seus pais, noivo da mulher que ele esteve apaixonado antes de seu envolvimento com Felicity e já distante da mulher que ele manteve um relacionamento. O mundo perfeito do nosso herói é uma representação correta do direcionamento que a produção deveria ter apresentado no passado. É ótimo ver a série impondo novamente um grande ritmo para seu personagem principal e envolvendo sua história pessoal com a trama maior. Sem sombra de dúvidas esse é o grande feito da atual quinta temporada.

Arrow -- "Invasion!" -- Image AR508a_0272b.jpg -- Pictured (L-R): Stephen Amell as Oliver Queen and Katie Cassidy as Laurel Lance -- Photo: Bettina Strauss/The CW -- © 2016 The CW Network, LLC. All Rights Reserved.
Arrow — Invasion!

Interessante também ver como Thea se comportou como a única disposta a permanecer dentro da alucinação. É condizente com sua atitude de abandonar o manto de heroína e voltar a agir apenas como uma pessoa “comum”. A alucinação é uma combinação de todo o período “feliz” que a personagem nunca realmente teve. Sua experiência com os pais foi, no mínimo, conflituosa. Antes mesmo de iniciar sua vida como vigilante, Thea testemunhou o assassinato da mãe. Combinado ao seu passado rebelde de abuso de drogas, é completamente condizente que a única a não querer abrir mão da vida melhorada, tenha sido ela. No final Speedy nunca chegou a superar seus traumas, diferente de Oliver e Sara, que facilmente abrem mão da fantasia. Oliver porque já superou o romance com Laurel, aquele que deveria ter acontecido e perdurado, e Sara que também já conseguiu ver sua vida sem a irmã. São pontos interessantes que exploram o lado psicológico destas pessoas e enriquece o roteiro de Invasion!.

A interação com Thea também rendeu um ótimo diálogo a respeito do que significa ser um herói, especialmente agora que superpoderes são uma realidade dentro deste universo. E todo o centésimo episódio de Arrow é um trabalho para homenagear a produção em seus já cinco anos de vida. E ele vai além e justifica a necessidade de um mundo com heróis e pessoas dispostas a colocar a própria vida em risco, em prol de algo maior. Arrow deixou de ser uma série sobre um herói, durante a segunda, terceira e quarta temporadas, estivemos investidos em uma história isolada, conectada apenas a vida pessoal de cada personagem. O senso de heroísmo esmoreceu. Invasion! aproveita a possibilidade de uma realidade alternativa para voltar a origem, literalmente. Estamos novamente relembrando o motivo pelo qual a série foi concebida. É o retorno da missão de ajudar, de fazer algo não por obrigação, ou para corrigir erros e receber recompensas, mas sim colocar o manto porque é a coisa certa a ser feita.

E Invasion! foi emocionante. Quer tenha sido pelo retorno de Laurel e de uma dinâmica bem próxima a da primeira temporada, com a vida privada dos personagens retornando ao holofote, a verdade é que o centésimo episódio mostrou do que Arrow é capaz. E que emoção ver todos os principais vilões de cada temporada surgindo para confrontar Oliver. Também nos faz lembrar que por um tempo a série não esteve tão boa e digna de aplausos, mas funciona para movimentar a ferramenta mais importante dentro de uma série, o emocional do telespectador.

Nostalgia é o grande nome atualmente. Produções como Stranger Things que prezam, essencialmente, pela amarração emocional da sua audiência com fatos do passado, mostram que existe apelo na hora de trazer elementos do velho que funcionaram, ou melhorar o que não deu tão certo. A série não trouxe apenas vilões marcantes, mas também os personagens essenciais para a construção de sua história. Familiares, amigos, todos unidos na reconstrução dos pontos mais fortes da série. Sem falar que a nostalgia inserida dentro de uma alucinação garante o fechamento de algumas histórias e abertura de tantas outras. Sara enfrentar o assassino de sua irmã depois de tê-lo perseguido através do tempo em sua própria série é de uma poesia incrível e ajuda a fechar uma história que já estava sendo concluída no episódio anterior, quando a capitã da Waverider explicou para o Barry sua função como protetora da linha temporal.

Por fim temos a história paralela, ocorrendo fora do mundo de fantasia. Como sempre é ótimo ver Supergirl e Flash interagindo, mas apenas demonstrou como o time de auxiliares do Arqueiro Verde é fraco. Curtis não emplacou uma piada e a apresentação de que a língua dos dominadores é baseada na numerologia hebraica caiu como o tipo errado de conveniência do roteiro, algo que as séries do Arrowverse sempre terminam fazendo, de uma maneira ou de outra. Mas nem mesmo esses pequenos desvios conseguiram abalar a construção de um excelente episódio.

E tudo terminou exatamente como deveria, o foco principal em cima de Arrow e seus personagens, inserindo aqueles que surgiram na produção e ganharam maior destaque em Legends of Tomorrow, para reprisar momentos marcantes dentro da história da série e aprofundando o emocional de cada um. É assim que crossovers precisam funcionar e Arrow fez muito bem. Existiram despedidas, mas principalmente, existiu a compreensão do papel do herói e da trajetória de Arrow dentro da televisão. Foi com Arrow que o mundo expandido de super-heróis começou. Tudo bem que existiu um grande deslize de dois anos, mas Invasion! mostrou que estamos no caminho certo e que crossover não é o problema, como apontado na temporada passada com a inclusão de Legends, já que dentro do maior evento da televisão Arrow conseguiu apresentar uma boa continuação e um excelente episódio de número 100. Estou realmente muito feliz com a quinta temporada do Arqueiro Verde, que finalmente decidiu mostrar seu potencial para criar ótimos momentos.

> O Melhor da CCXP 2016!

Easter eggs e outras informações em Invasion!

– Ótima cena com a Thea atirando a flecha, Sara pegando no ar e a utilizando para finalizar Damien Dahrk. São cenas de ação como essa que fazem falta na série e que precisam acontecer mais.

– A despedida entre Laurel e Sara, além de Oliver e Laurel é a representação de uma parte dos fãs da série, que vieram das histórias em quadrinhos e que nunca chegou a se concluir. O adeus talvez signifique nunca irá, mesmo sabendo que a atriz assinou um contrato para participar de todas as produções da casa, sendo essa a primeira aparição.

– Tommy apareceu, recebeu menção, mas não chegou a fazer parte de Invasion! Uma pena que o ator, Colin Donnell, estava ocupado em sua própria série. Também existe um easter egg aí, já que o ator está trabalhando na série Chicago Med e foi mencionado por Merlyn como um médico na cidade de Chicago, justificando sua ausência no casamento de Oliver e Laurel.

– A vilã que apareceu no episódio recebeu o nome de Cyberwoman. Apesar de não ter nenhuma conexão com as histórias em quadrinhos, Cyberwoman é o nome de um episódio de Torchwood. Sabe quem foi o protagonista da série? John Barrowman, o Malcolm Merlyn.

– O final com as naves, o resgate promovido pela Waverider, foi tudo excelente. Agora me pergunto, será que as Lendas do Amanhã sairão do corredor do tempo e começarão a se envolver com outros planetas? Espero que sim.

– A justificativa para abdução também foi exatamente a que eu esperava. Tudo bem, surgiu para garantir um centésimo episódio nostálgico, mas precisava de alguma explicação. Os Dominadores estavam procurando informações.

– Felicity está escondida por uma samambaia no mundo dos sonhos. Durante um tempo os fãs do casal Oliver e Felicity adotaram a planta e a chamaram de samambaia do amor, representando a esperança de que um dia os dois personagens se uniriam.

– Laurel recebeu seu nome completo neste episódio, Dinah Laurel Lance, a Canário Negro das histórias em quadrinhos. O colar do canário que ela ganhou também tem o mesmo logo da nona arte.

– O presente que Thea dá para Oliver é um Hōzen (宝箭), uma pedra em formato de flecha encontrada no pescoço de um soldado japonês morto em Lian Yu.

– Walter não apareceu, mas foi mencionado. Após a morte do pai do Oliver ele assumiu o controle das empresas Queen.

– Assim como na série Ray Palmer se ofereceu para comprar as indústrias Queen no mundo dos sonhos. Da mesma maneira surgiu a Tecnologias Smoak, após a “morte” do Átomo em uma explosão.

– Existiu também uma menção as Indústrias Van Horn, de Andrew Van Horn, conhecido como Gunfire. O personagem tem conexão com o Exterminador e Prometeus.

  • aha erlebnis

    essa episodio do sonho foi baseado na classica historia de Alan Moore “Super-Homem – O Homem Que Tinha Tudo” http://www.guiadosquadrinhos.com/edicao/super-homem-o-homem-que-tinha-tudo/su01204/21604

  • Marcelo Augusto

    Alguém mata Curtis por favor!! Tá insuportável na série…

  • Vitner Santos

    Olha esse foi um dos melhores episódios de Arrow e aproveitem que o máximo de emoção que vamos conseguir do Stephen Amell foi o que aconteceu nesse episódio…

  • Patrickzzz

    Eu tinha visto gente comentando que ficou decepcionado por esse episódio não focar muito no Crossover, mas além de que ficaria bem arrastado se eles fizessem isso, o centésimo episódio merecia esse foco na própria série. Com certeza o melhor episódio de Arrow em um bom tempo.

  • Jefferson

    Também gostei muito do episódio, o foco na própria série foi o mais acertado visto que era um episódio comemorativo. Muito bom.

  • Capitã Marvel

    Desde o pilot eles falaram que o primeiro nome da Laurel era Dinah. Na verdade eu acho que eles decidiram usar Laurel justamente pra distanciar ela mais ainda da personagem original, que ja surgiu nas hqs como Canário, enquanto na série começou parecendo uma Lois Lane da vida.

  • Jackson Douglas

    Extremanente satisfeito com a temporada , ver Arrow tao boa assim é sensacional!

    • Luis Fernando

      É isso ai.

  • Bruno Souza

    A única coisa negativa do episódio foram esses ajudantes do Team Arrow. O cara da mascara de hóquei (não sei o nome) é insuportável, pqp. Diferente do Mick que foi arrogante de um modo engraçado, esse cara foi arrogante de um modo babaca e infantil. Ficar de birrinha com os meta-humanos só por causa dos poderes? Por favor né..

  • Carlos

    Essa temporada de Arrow lembra fácil as duas primeiras. Todo o clima estava lá com a presença dos pais de Oliver, as menções ao passado rebelde dele. Laurel trouxe de volta aquele clima meio Smallville da primeira temporada. E Oliver está amadurecido, consciente do seu papel – as interações envolvendo ele e Barry nesse crossover têm sido perfeitas. Aparentemente os roteiristas de Arrow aprenderam com os erros e até agora entregam uma temporada mais do que satisfatória.

  • Suzy

    Muito bom oi episódio e conseguiram usar a trama do crossover a favor do aniversário da série, parabéns aos roteiristas, eles nos mostraram o pq da série ter nos conquistado nas primeiras temporadas, e parecem estar se lembrando disto também nesta atual.
    É incrível ver como o Oliver e a Sarah evoluíram na série, foi ótimo ver eles interagindo juntos de novo e colocar a Sarah e o Ray no ep, personagens que fizeram parte da história da série.

  • carla machado

    Uaua, que episódio, que homenahgem, que review!!
    Meu deu até vontade de voltar a ver a série!!
    Diego, parabéns pela dedicação de escrever esta review aqui em Sp nesta semana de Comic Con!!

  • Bel Ribeiro

    Deu até vontade de voltar a ver Arrow (isso e o Diego jurando que voltou a ficar boa), mas antes eu preciso saber: esses coadjuvantes novos têm muito destaque? Pq ô povinho chato.

    • Luana

      Olha, realmente a série tá bem interessante nesse novo ano. Os coadjuvantes tem algum destaque, sim e com drama também. Mas tá valendo a pena!!

  • Ronaldo

    O episódio foi realmente bom, até o drama funcionou! As lutas em Arrow voltaram a ter qualidade ou foi só no crossover mesmo?

    • Matt

      As lutas melhoraram bastante nessa temporada.

  • Fábio Santos

    Eu estava achando a ideia de botar esse episódio numa “alucinação” chata
    no início, principalmente após o episódio épico em Flash. Mas foi só no
    início mesmo.
    Ri muito da referência ao Tommy em outro seriado. Kkkkk
    Supergirl… Você pode aparecer só por um minuto e mesmo assim já te
    acho incrível! Ainda mais com aquele “cabelo ao ventilador”. Kkkkkk

    E a luta contra os vilões foi demais! Devem ter demitido o antigo
    coreógrafo né? Porque as lutas dessa temporada melhoraram muito.

    No final, uma mistura de Independence Day, Star Wars, Star Trek… Ótimo episódio!

  • Luana

    Preciso comentar esse centésimo episódio. Arrow, como qualquer coisa na vida tem seus altos e baixos, e perceber que recuperaram a essência da série nesse quinto ano é um alívio, pois eu tava realmente desistindo de acompanhar a série. O episódio trouxe uma nostalgia que pra qualquer fã, é maravilhoso de se acompanhar. Esse momento de alucinação que os personagens passaram foi necessário pra finalizar aquela velha história que fica no ar: “E se eu tivesse feito diferente…” Valeu a pena acompanhar a série até aqui, teve momentos esquecíveis nesse jornada, mas também teve coisas muito boas. Não é a toa que chegamos até o episódio 100!!

  • Luis Fernando

    Achei muito feliz eles unirem a Invasão com este ”sonho” e fazendo assim uma grande homenagem a série, mas também sem se esquecer em momento algum da invasão. Gostei muito também da parte do Flash e Supergirl interagindo juntos ao lado dos recrutas. Muito bom mesmo.

    Com este centésimo episódio, eu vi por que eu gosto tanto do Arrow. São personagens incríveis que fazem parte da nossa vida.

  • Rafael

    Se esse foi o melhor episódio de Arrow nos últimos tempos, teve estar dureza de assistir a série. Esse recurso de alucinação/realidade alternativa/sonho apresentando como seria a história se algo fosse diferente (pelo menos pra mim) já saturou absurdamente. Quem lê (ou leu) bastante HQs já viu disso de todas as maneiras possíveis e imagináveis…

  • Rodrigo Cardoso

    O que foi Laurel aparecendo !? CADA CENA UM TIRO! Mais linda impossível, mas me dá um aperto no coração de ficar pensando quando a canarinha vai dar as caras nas série, seja como Black Siren ou outra personagem de outra linha do tempo. Espero que não demore muito.

  • Eric Freitas

    De todos os episódios do crossover achei esse o mais fraco.Tinha uns dialogos bem ridiculos e contraditórios, como o do cara com a mascara de Jason.