Arrow 5×06: So It Begins

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Em So It Begins, Arrow decidiu homenagear seu passado e pavimentar o caminho para o futuro da série.

Uma das maiores reclamações quanto a Arrow, em qualquer espaço dentro e fora da internet, foi a respeito da mudança drástica que a produção teve após seus dois primeiros anos de vida. Ouvir dos telespectadores o pedido por uma abordagem mais próxima a do passado se tornou praticamente a frase de efeito de qualquer fã da série do Arqueiro Verde. Só que ao contrário do esperado, o caminho adotado aparentava ser exatamente o oposto. Cada vez mais distante do que já havia sido, Arrow começou a definhar lentamente. Hoje, contudo, o padrão está diferente. Remetendo a sua primeira temporada, o roteiro expôs uma homenagem ao que funcionava e impôs um ritmo interessante para o que está dando certo.

A maneira com que a série está navegando por entre suas tramas é ótima. Bem mais calma e comedida, Arrow não está acelerando suas histórias ou bombardeando sua audiência com informações que não fazem sentido. Ao contrário, neste momento a trama está fácil de acompanhar e centralizada em fazer funcionar apenas o que realmente importa, seus personagens e a aura de uma produção referenciada como ‘de super heróis’.

Hoje tudo soa bem mais interessante e amarrado – se você desprezar a terceira e quarta temporadas, claro. Trazer de volta a lista, cortar o excesso de dramas e trabalhar a vida de Oliver Queen dentro e fora do time, figuram como as decisões mais acertadas da série nesta temporada. Também quase não existiram exposições de momentos repetitivos, algo que poderia facilmente acontecer ao trazer de volta a aura de assassino e a lista com o nome dos corruptos de Star City. Na verdade, todo o desenvolvimento funcionou muito bem dentro da nova proposta de homenagear o antigo e pavimentar o caminho para o novo.

Centralizar parte da história em Ártemis também cooperou para que algo novo surgisse, afinal, passamos praticamente cinco episódios acompanhando Wild Dog. Neste quesito existe algo muito interessante sendo feito dentro da série, que voltou a utilizar seus coadjuvantes da maneira adequada. Até agora cada um deles recebeu algo válido para fazer, mesmo que em determinados momentos esse algo útil seja bem pequeno, como o Curtis, por exemplo. Esse tratamento é bem comum em séries com grandes grupos, algo que não deveria ser o caso de Arrow, mas que está sendo.

Começamos de maneira igual a mergulhar dentro da cabeça do vilão, Prometheus. Conectá-lo ao passado e também a lista foi uma abordagem inteligente para lidar com a nova onda do herói de matar alguns vilões, fazendo a ponte entre o velho e o novo, e impondo uma aura de mistério para o antagonista, mas de uma forma boa. Também vale dizer que despistar a audiência ao ligar seu grande vilão a Quentin Lance ajuda a fazer com que o personagem sofra um impacto válido após a morte da filha, mas sem cair no ostracismo de repetir suas cenas. Acertos em ambos os lados, até agora.

Arrow --- So It Begins
Arrow — So It Begins

E então é chegado o momento de falar a respeito dos flashbacks. Desde que assumi a cobertura da série na quarta temporada, em Blood Debts, evitei ao máximo comentar a respeito das cenas centralizadas no passado de Oliver, na ilha ou fora dela. A falta de conteúdo e conexão com o restante dos episódios era gritante. Sendo assim, a necessidade de falar a respeito não existia. Muito mudou e em seu quinto ano, aquele que provavelmente marcará o último ano com o recurso – de forma justificável – todo o desenvolvimento finalmente representou uma recompensa para o telespectador. Utilizar Dolph Lundgren para impor uma relevância maior para a história na Rússia foi o segundo acerto da série. O primeiro e mais evidente está sendo a forma com que a trama está sendo conduzida, bem mais interessante. Oliver, aliado a Anatoly, está percorrendo um caminho que levanta interesse. Também é a primeira temporada, desde que a história de Slade Wilson começou a ser contada, que eu não tenho vontade de acelerar as cenas do flashback.

Tudo bem nem tudo desceu tão bem e vou dizer que a única cena do episódio que fez eu me retorcer um pouco enquanto assistia foi a do tumulto com os atiradores. Arrow ainda não aprendeu a lidar com cenas abarrotadas de extras, independente da temporada. O grau amadorístico da produção aparece quando temos mais do que três personagens interagindo ao mesmo tempo em uma cena de ação. Tudo soou muito ruim, das falas a própria interpretação dos personagens. O que foi a cena com Artemis resgatando a mãe e o filho durante a correria? Na verdade nada ali realmente fez sentido, com atiradores atirando a esmo e equipe exalando a falta de preparo para lidar com a situação. É ótimo ver o time resgatando pessoas e agindo como heróis e símbolos, mas não consigo me contentar com uma cena essencial sendo apresentada de maneira tão desleixada.

So it Begins então fecha a ótima sequência de seis episódios bem estruturados para Arrow, um padrão que eu não via desde a segunda temporada da série. É ótimo notar que tudo o que a produção precisava era lembrar de si mesma para voltar a funcionar como uma máquina bem lubrificada e sem engasgos. Ainda temos um belo caminho pela frente, mas a estrutura apresentada já demonstra uma força a ser reconhecida. Enquanto estiver criando ótimos momentos e sabendo utilizar bem todos os seus personagens, por menores que eles estejam no momento, Arrow continuará provando o motivo para ter recebido de seus telespectadores uma terceira chance.

Easter eggs e outras informações

– No momento em que a Thea mencionou um festival de música de três dias, minha mente voou para a Canário Negro de Brenden Fletcher e Annie Wu, que tem uma banda de rock. Inclusive, a DC chegou a contratar uma vocalista para gravar um EP contendo 3 músicas para a personagem, disponível no Band Camp. Amo as três, mas minha favorita é The Man With the X-Ray Eyes. Seria uma ótima maneira de fazer o retorno de Laurel Lance para a série.

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– O armazém em que o celular do Tobias Church estava fica na travessia entre as ruas Aparo e Puckett. Jim Aparo e Kelley Puckett. Puckett já trabalhou em histórias da família Batman e também esteve envolvido na criação de personagens como Cassandra Cain e Connor Hawke. Já Aparo trabalhou em The Brave and the Bold, Adventure Comics, Aquaman e seu último trabalho foi em Green Arrow #81 a #100.

– Ishmael Gregor, também conhecido como Sabbac, teve sua primeira aparição em Captain Marvel, Jr. #4. (1943). O vilão nas revistas é um pouco diferente do apresentado na série, apesar de ambos terem conexão com a máfia russa. A grande diferença é que Ishmael possui poderes demoníacos e chifres.

– Neste episódio a série também fez referência a sua primeira temporada, com Oliver utilizando roupa que faz alusão a seu ano de estreia enquanto praticava com bolas de tênis. Fora a menção da lista e a flecha na ponta da arma.

– Maravilhosamente Felicity está operando como o alívio cômico que nunca deveria ter deixado de ser, além de ter descolado uma cena que deve ter relevância para o futuro da temporada. Ou vocês acham que o namorado que trabalha na delegacia e nutre certa compreensão para o ramo de vigilantes é mera coincidência?

– “The throwing star killer?” – Amigo, chama o Cisco porque tá feio.

– Thea organizou um evento de três dias em quatro horas e utilizando como financiamento a cobrança de favores. Descobrimos a verdadeira profissão da moça, e não é promoter, mas sim uma ótima agiota.

– “Capuz, Flecha… eram todos a mesma pessoa”. Ah vá? Parabéns Capitão Óbvio.

– Flecha com luva de boxe. Flecha na ponta da arma. Flecha paraquedas. Era maior conexão com histórias em quadrinhos que vocês queriam? Então toma.

– De acordo com uma lista feita pelo CBR em 2014, estima-se que Oliver tenha matado, aproximadamente, 55 pessoas na primeira temporada. Assassino em série é pouco.

– Poderia Prometeu ser Jericó, filho de Slade Wilson e com poderes de possuir o corpo de outras pessoas? Deus, espero que não.

– Mesmo que Prometeu não seja o Quentin Lance, a revelação teve maior impacto que os vilões mascarados de Flash em duas temporadas. Infelizmente.

  • João Paulo

    Ótima review.

    E é incrível como a série melhorou, até os flashbacks estão bacanas, as tramas paralelas estão muito interessantes de se acompanhar sobretudo esse lado Oliver Prefeito.
    Antes dramas bobos, principalmente relacionado ao Olicity, eram enrolados para serem resolvidos em 3-4 episódios, agora está sendo muito mais rápido o que confere muito mais dinâmica aos episódios e parte para o que realmente interessa.

    Sobre esse ótimo cliffhanger do episódio, uma teoria me veio a mente: e se o Flashpoint tivesse causado um tipo de distúrbio de identidade com dupla personalidade no Quentin? No maior estilo Mr. Robot, ele é o Prometheus mas nem tem tem ciência disso.
    Mas o mais certo mesmo é que deve ser uma armação do verdadeiro Prometheus.

  • Mari Martins

    Até o momento concordo que o Prometheus não é Quentin. Também achei ruim a cena da desordem pública. Até que não foi ruim o roteiro, mas a produção ficou bem capenga. Gostei da saída do metrô, essa cena ficou legal. Também acho que Felicity funciona bem como é, alívio cômico e ajudante do time, nada de namorada de Oliver. Até que não acharia ruim que o plot do romance dela tivesse um pouco mais de espaço, só não gosto quando insistem no romance dela e Arrow. No primeiro ep da 4a torci para que ela fosse a personagem que estaria morta, como ela tá hoje já gosto dela viva.

  • Caio Vinicius Viana Lima

    Ou o Phrometheus é alguém dos flashbacks na Rússia ou é o Tommy(sonho meu?)….

  • Marcelo

    Será que é só eu que não aguento mais esses flashbacks, vontade morrer quando passa. Não é possível.

  • Matt

    Prometheus não é o Lance, é óbvio isso. Ele se deixou cortar no metro (até porque um cara que matou vários policiais e pôs o Church pra beijar o chão no primeiro contato de ambos, não lutaria quase de igual para igual com uma aprendiz) pra causar essa dúvida, porque é claro que ele sabe que todos ali jogam no mesmo time, arqueiro, Lance, turma de aprendiz. A artimanha foi a mesma usada de quando o Roy sonha que matou a Sarah.

    Tomara que ele não seja o filho do Slade, queria que fosse o Tommy, mas também espero que a revelação não aconteça faltando 3 episódios para acabar a temporada.

    E sim, a série está empolgante.

    • Guilherme Henrique

      Eu pensei no Tommy também. Especialmente depois da mudança que o Barry causou.

  • Magno Brandão

    Prometheus não é o detetive Lance. Quando Thea vai visitá-lo, logo ao abrir a porta, uma faca pequena é vista, e, até com um pouquinho de destaque… Vai saber o que ele andou aprontando, enquanto estava chapadão! A série poderia estar jogando, também, para ver o que o público quer, ela sabe que precisa acertar agora. Eu não sei… este episódio teve tantas deixas para um gancho que faria a série decolar! Quando Artemis consegue ferir prometheus, o sangue continua na arma na garota. Se isso fosse utilizado pela equipe, para de repente uma identificação sanguínea, e, identificasse “alguém que deveria estar morto, mas um certo Flashpoint, inverteu toda a situação.” Todos estariam chocados, até conferirem que o nome na lápide, é o de Malcon Merlyn, e não Tommy. É apenas uma teoria…

  • Lilica

    É tão bom ler as reviews dessa temporada e não me deparar com todo o mundo criticando tudo, principalmente pelo fato da temporada realmente ter melhorado.

    Estou gostando do ritmo mais rápido, do fato dos vilões serem mais pé no chão e das cenas de ação terem melhorado. De coisas que tem que aprimorar: esse novo time ainda não consigo me importar com eles, pouco ligo se o Prometheus matar um ou outro, não consegui me ligar emocionalmente como eu era com o Roy e com o time antigo. Não gosto de como em cada epi um do time fica gritando com o Oliver, cobrando coisas dele sendo que o time antigo até hoje não sabe de tudo sobre ele, acho muito irritante esses pirralhos já querendo sentar-se na janelinha sendo que acabaram de chegar. Falta o Oliver se impor como líder, assim quem sabe eles tenham mais respeito? Prefiro quando o Oliver luta sozinho ou só com o Dig.

    Thea e Quentin no núcleo da prefeitura tá legal. Não acho q o Prometheus seja o Lance. Teoria interessante essa do Jericó. Não sei se é o Tommy pq não sei o quanto o Colin é ocupado com as gravações de Chicago Med.

    Descordo em relação à Felicity, o alívio cômico dela tá sofrível, as piadinhas estão exageradas (só uma ou outra é boa), ela tá muito bobona, gostava dela nas s1 e 2, mas agora o humor dela tá forçado. O mesmo digo do Curtis.

    A cena do metrô foi boa, a cena do tiroteio no shopping foi terrível e sem sentido. Os flashbacks estão bons esse ano, assim vemos como o Oliver aprendeu a ser mais badass.

  • Vitner Santos

    Será que Prometheus pode ser o Tommy?

  • Julio C. Costa

    Eu gostei muito desse ep, e de como a série está sendo levada nessa temporada, e pra mim esse episódio foi uma homenagem a Batman Begins, gostei até do Dolph Lundgren, e na boa esse ator que faz o Adrian Chase lembra o Christian Bale.

  • Carlos S.

    bem eu detesto esses flashbacks… mas tenho que admitir que a presença do Douph lundgreen muda as coisas, ele é canastrão, mas nós que crescemos nos anos 80 e 90, sempre para para ver esses brutamontes que esplodem tudo. É o Ivan Drago pô. Foi um golpe baixo colocar ele na serie e funcionou, primeira temporada desde a segunda que não vou correr os flashbacks…