Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam

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Animais Fantásticos prova que retomar uma narrativa que permaneceu adormecida nas telas dos cinemas por 5 anos, é sem dúvida uma tarefa difícil. As notícias em torno de Animais Fantásticos e Onde Habitam nos últimos dias, como vocês sabem, não foram muito animadoras. Nós tínhamos quase superado a escalação de Colin Farrell, quando nos empurraram um Johnny Depp, acusado recentemente de praticar violência contra a sua ex-esposa (um debate que não deve ser minimizado) e em uma fase da carreira bastante duvidosa.  O filme, com acertos e erros bem perceptíveis, cumpre o seu papel enquanto capítulo introdutório, mas erra ao colocar a sua crítica principal apenas como pano de fundo.

É justo dizer que o roteiro assinado por J.K não decepciona. A escritora consegue resgatar a atmosfera da saga anterior e procura, didaticamente, não criar obstáculos para quem está tendo o primeiro contato com o seu estilo. Os acontecimentos são bem demarcados e as referências (que não são tantas assim) não caem do céu e podem ser facilmente acessadas posteriormente, sem prejuízo. Logo na primeira hora de projeção, conseguimos perceber claramente a riqueza daquele universo. Apesar das críticas, David Yates é bastante cuidadoso e capta, sem preguiça, uma série de detalhes que são de encher os olhos. É esse tratamento que faz com que os efeitos especiais, em alguns momentos bem questionáveis, não prejudiquem a qualidade estética do trabalho.

O ritmo do filme é um ponto positivo. A trilha sonora do americano James Newton Howard funciona bem e acaba se tornando um elemento chave em muitas sequências. As criaturas mágicas, outro acerto, são tão ricas e bem inseridas, que poderiam facilmente protagonizar sozinhas o filme. A plateia vai aos poucos se familiarizando com elas, entendendo o que elas significam, e criado uma relação de afeto que só a Rowling é capaz de proporcionar. Esse tom mais afetuoso, por sinal, não diminui o impacto das cenas de ação.

Animais Fantásticos e Onde Habitam
Animais Fantásticos e Onde Habitam

Sobre os personagens principais, concordo com quem vai afirmar que eles são modelos muito próximos do trio Harry/Rony/Hermione + Luna/Neville. Sem dúvida, parece mesmo que dissolveram as personalidades dos cinco jovens e distribuíram entre Newt Scamander, Porpentina Goldstein, Queenie Goldstein e o Jacob Kowalski. Essa crítica, já levantada em alguns fóruns, não prejudica o resultado do filme, digo até que pode ser justificada pelo fato de que a J.K parece mesmo ter um estilo de composição bastante demarcado.

Eddie Redmayne, que é adorado pela crítica, soa bastante repetitivo. Seu Newt parece ter saído do roteiro de A Teoria de Tudo ou da Garota Dinamarquesa. Não é de hoje que o ator vem sendo alvo de piadas na internet com essa conotação e aqui ele prova que elas estão muito certas.  Todo o trabalho de gesticulação, de composição corporal do personagem, já foi visto antes. Katherine Waterston, uma grande promessa para os próximos anos, compõe a sua Porpentina com bastante esforço, mas não consegue imprimir muita personalidade.

Os coadjuvantes, por sua vez, estão mais confortáveis. Dan Fogler faz o No-Mag (trouxas no mundo mágico dos EUA) Kowalski, uma mistura de Rony/Neville. Ele consegue inserir, com seu carisma, um humor bem dosado e cativante.  Já Alison Sudol, uma bruxa legilimente (que tem o dom de ler mentes), apesar das poucas falas, é bastante expressiva e acaba trazendo para a tela um brilho bastante necessário.  Colin Farrell, de quem o mundo tinha bastante receio, está para Percival Graves assim como Ben Affleck está para o novo Batman. Quando você pensa que não vai funcionar, ele vem e prova que deu conta do recado. Ezra Miller, o novo Flash, nos apresenta um Credence no tom certo (mesmo que os efeitos visuais tentem prejudicá-lo). Seu personagem é rico, porém, pouco explorado; o que me deixou bastante triste. Agora quem realmente atua como ninguém e mostra que tem talento, é a sensacional Samantha Morton (Mary Lou). A moça está um nível acima. Fiquem atentos(as).

Animais Fantásticos e Onde Habitam
Animais Fantásticos e Onde Habitam

É preciso registrar, voltando ao enredo, que J.K soube, com maestria, evidenciar as divergências ideológicas entre o mundo da magia que conhecíamos na Inglaterra e o norte-americano (vejam toda a sequência da prisão). Ao fazer isso, ela também mostra que os trouxas/No-Mag e os bruxos estão mais ligados sensorialmente do que imaginávamos (talvez a cena final, bastante criticada na sessão em que estive, reflita exatamente isso).

Apesar das falhas, Animais Fantásticos é um filme que tenta elaborar críticas pontuais e necessárias sobre o mundo de hoje. Problematizar a proibição das criaturas mágicas nos EUA daquela época, é pensar sobre o momento histórico atual, pensar sobre as barreiras (geográficas e simbólicas) que estão sendo levantadas no mundo todo. Isso não quer dizer que o filme aprofunde essa discussão, pelo contrário, fica claro que o roteiro procurou amenizar, aliviar com humor o peso dessa questão, o que pode parecer bastante questionável e decepcionante para aqueles que esperavam algo mais denso.  Por fim, finalizo reforçando que estamos diante de um filme sutil, coeso, nada cansativo e que deve agradar uma boa parte do público. Fica o pedido para que o segundo capítulo procure, sem medo, nos colocar diante dos conflitos mais profundos desse universo.

> O futuro da Marvel depois de Doutor Estranho!

PS: Sobre Johnny Depp, só preciso dizer que a sua aparição é a mais caricata e desnecessária de 2016.

Bom filme.

  • Priscilla

    Foi de muito mal gosto a escalação do Depp, sendo que a própria JK sofreu violência doméstica.

    • DarkAngelblue

      mas vai ver o filme foi gravado antes

  • Jackson Douglas

    Nunca gostei de Depp, e agora mesmo que vou odiá-lo , vai destruir um dos melhores personagens dos livros de HP

    • Gabi Xavier

      Compartilho exatamente do mesmo sentimento.

  • Wesley Dominic

    Quanto mimimi em torno do Depp, ele é excelente ator, não se mistura vida pessoal com profissional, aos que não gostaram da escalação dele para a franquia faça um favor pra vocês mesmo e não vão assistir, já que são contra, boicotam o filme.

    • Cara tá fazendo o mesmo papel desde 1990. Especializado em fazer a mesma coisa, isso que ele é.

    • Vinicius

      Depp é terrível. Inquestionavelmente terrível. E se ele cometeu um CRIME, não pode ser esquecido não, carinha…

    • Gabi Xavier

      Excelente ator onde? É um ator mediano, com poucas atuações que fogem do padrão Depp-Burton, e que só que só foi escolhido para esse papel porque tem uma grande base de fãs jovens de Piratas do Caribe.

    • Hugo Dias

      A grande maioria não se importa com a vida pessoal dele, a questão é q ele é simplesmente medíocre

    • Wesley Dominic

      Foi como eu disse, se não gostam dele, apenas não assistam o filme. Simples.

      • Carla

        O problema é que o pessoal não gosta DELE, mas ama o universo da J.K.

    • RaphaelAlves

      Primeiro, não estamos confundindo as coisas, estamos apenas reforçando que tem um agressor de mulheres solto, fazendo filmes, e que a sociedade resolveu aceitá-lo usando os seguintes argumentos: 1)a arte é uma coisa, o ator é outra, 2) deixem de mimimi, 3) se não gostou, fica em casa. O que é lastimável. Segundo, quando vi a cena do Depp, que não é nada versátil e vem fazendo o mesmo papel há anos, eu só pensava: que caricatura exagerada e pastelona, que morte horrível, é tão constrangedor que não abre espaço pra defesa. Vejam e voltem aqui. Pq não é fácil.

      • Caroline

        Agressor de mulheres solto? Ele foi condenado a alguma pena no país natal dele por agressão ou lesão corporal, e não a cumpriu?
        Que eu sabia, não acompanhei o caso, a vitima não prestou queixa das supostas agressões, logo ela abriu mão de provar as alegações dela no local apropriado, um tribunal de direito, e ai sim buscar a punição do referido ator pelos seus crimes. Claro isso em um mundo civilizado.No mundo atual, a internet virou terra de tudo e todas as coisas.
        PS: A questão da violência doméstica é seríssima e deve ser tratada de forma coerente e nos locais apropriados. Como advogada eu trabalho diariamente com mulheres vitimas de tal problema social, no caso, neste país, um dos mais violentos e machistas que existe, e é bem típico da nossa sociedade se preocupar com um suposto caso de agressão de um milionário estrangeiro e a esposa igualmente rica, enquanto milhares de mulheres brasileiras são vítimas de agressões e lesões corporais, e até assassinadas, sem o minimo de suporte por parte do sistema de apoio psicológico e financeiro que deveria existir neste país, sem que ninguém sequer se preocupe com isso, de uma maneira orgânica, não só lá de vez em quando, e ainda se são boas moças de bem de classe média, (“não putas, vagabundas, que mereceram”- frase do brasileiro médio) e a Rede Globo de televisão resolve “noticiar ” tal fato. Passado tal período de “indignação” volta tudo de novo ao seus lugares, ou seja, a lugar nenhum, sem um combate real e poderoso de tal problema. Mas vamos nos preocupar com uma estrangeira que tem acesso ao melhor que se pode ter de um sistema judicial, e a punição moral que os empregadores bilionários de um ator milionário deveriam aplicar neste, prioridades né.

        • Gabi Xavier

          Caroline,
          1. A vítima prestou queixas na polícia e há videos e fotos que comprovam a agressão, porém ela decidiu fechar um acordo de divórcio e retirar as denúncias. Ela vai doar 90% do dinheiro da indenização para instituições de caridade. Eu não precisava te passar essa última informação, mas vivemos em uma sociedade machista que fatalmente lançaria uma série de falsas acusações sobre essa mulher (como você mesma pontuou).
          2. Não é por que ele não foi condenado na justiça dos Estados Unidos que ele deixou de ser um agressor de mulheres. Ele agrediu ela e ponto final.
          3. A questão da violência doméstica não deve ser tratada apenas nos tribunais. Há uma cultura machista que precisa ser discutida em vários âmbitos da sociedade.
          4. Você fala como se o sistema judiciário, tanto dos EUA quanto do Brasil, fosse justo (“local apropriado”, “buscar punição”) e não reproduzisse certas estruturas e desigualdades sociais. O “combate real e poderoso de tal problema” definitivamente não está apenas nos tribunais.
          5. Eu concordaria plenamente com seu argumento de que estamos sobrevalorizando o caso Johnny Depp, em detrimento da nossa realidade brasileira, se a discussão aqui não fosse sobre o filme do qual ele faz parte.
          Eu entendo seus argumentos, eu entendo o porquê você querer chamar a atenção para a realidade brasileira e eu acho louvável o seu trabalho como advogada de mulheres (de verdade), mas a notícia (crítica) aqui é sobre o filme e a má escalação de um ator. Fosse qualquer outra notícia sobre agressão de mulheres/aplicação da Lei Maria da Penha, eu também ficaria bastante receosa de ser esse o caso lembrado.
          Abraços!

        • RaphaelAlves

          Caroline, vc, eu, todo mundo sabe o que a grande mídia e a justiça é capaz de fazer em casos como esse no mundo todo. Culpam a mulher, criam mecanismos para pressionar. Em se tratando de um ator famoso de Hollywood, eu imagino que tipo de pressão sua ex esposa não recebeu para aceitar um acordo e tirar o assunto dos tablóides. É inocência achar que o sistema é justo e que existe local apropriado para debater esse tema. A agressão foi feita e em vários sites o caso foi notificado e debatido. Garanto que se não fosse um ator famoso americano, quase ninguém estaria disposto a defendê-lo. Como se trata do Depp, é esperado que encontrem brechas para justificar a sua agressão. Essa crítica não é só minha, alguns jornais e portais do mundo inteiro não entenderam o posicionamento de J.K. A grande mídia, claro, anda fingindo que nada aconteceu ou afirmando que se a mulher retirou a queixa, quem somos nós para julgar. Quanto a violência sofrida pelas mulheres aqui no Brasil, sem os recursos das mulheres ricas, concordo com sua preocupação, o recorte de classe é importante, mas o caso de uma mulher rica não pode ser desconsiderado, afinal, o machismo tá tao enraizado que atinge mulheres no mundo todo e de todas as classes, então a nossa crítica é válida e necessária.

          • DarkAngelblue

            teve um caso de “futuro oscar( o nascimento de uma nação)” esse ano que caiu graças ao passado do ator principal e diretor o povo acabou boicotando ele e o filme flopou

        • DarkAngelblue

          Todo mundo sabe que esses crimes de agressão a mulheres, e estupros são sub-investigados, o que resta muitas vezes é o boicote

      • DarkAngelblue

        Canastrão. Deve se entupir de drogas da nisso, não estou justificando mas quem em parte é isso é.

      • Wendel Morales

        Uma pena mesmo é ainda ter pessoas defendendo ele e aceitando como se fosse normal, sem dizer da reprise do mesmo papel a anos, gostei do seu ponto de vista sobre o filme parabéns apesar de achar um pouco cansativo mas realmente é uma missão difícil fazer harry potter sem harry potter, a bilheteria não correspondeu como o esperado o que é normal vai sugar uma parte do publico fiel e ganhar outros com a repaginada mas fica o alerta de como se sairá nos próximos $$

    • Carla

      Engraçado, o Brasil destruiu a carreira do Biel, mas quando se trata desse escroto, “não se mistura vida pessoal com profissional”.

      • DarkAngelblue

        Biel é outro bosta como pessoa e na parte musical.

    • DarkAngelblue

      Não acho ele se repete demais a tempos

  • Pedro

    Galera, só pra deixar claro, a escalação do Depp ocorreu bem antes de todo esse aue da agressão, e quebrar um contrato com um ator tão caro seria mto prejudicial, obviamente se a JK tivesse conhecimento disso antes ela não teria permitido a escalação do mesmo.

    E sobre a crítica, como que os efeitos especiais deixaram a desejar??? Ficaram sensacionais! E em que mundo a escalação de Colin Farrell foi posta em cheque, um ótimo ator de alto escalão.
    Pra mim, quem fez essa crítica fez a mesma de muita má vontade.

    • DarkAngelblue

      isso é verdade, mas no fim serve para odiar mais o vilão. O problema é que ele é um ator que se repete demais

    • DarkAngelblue

      é provavel que o filme já estive gravado tb

  • Dodô

    Foi a crítica mais digamos “severa” que vi até agora, a maioria dos críticos estão amando o filme, tanto as críticas americanas como a maioria das brasileiras, o Pablo Villaça que sempre vai à fundo nas críticas, amou ao filme e falou super bem, acho que a maioria dos pontos ditos “questionáveis” é só porque o filme é a introdução da história, e por isso são necessários, lembrando que as críticas sociais tem sim que estar em segundo plano, em todos os filmes da franquia Harry Potter, existem muitas mensagens e críticas, mas todas em segundo plano, por isso já esperava que esse seguisse nessa linha, e nem queria que a crítica ficasse muito alta, afinal ainda sim estamos falando de um filme de aventura, quanto as questões sobre Depp, entendo as críticas, tanto em relação a sua vida pessoal, quanto no fato da limitação dele como ator, mas acho que por ele já ter sido escalado, vamos dar a chance pro cara, afinal não tem muito o que se possa fazer, e ele tem trabalhos ótimos na carreira, os trejeitos são parte dele, resta aceitar!

    • DarkAngelblue

      o nerd rabugente criticou tb

  • Hugo Dias

    Adorei a crítica, não a esperava com o pé no chão, principalmente nos dias de hoje em q ninguém aceita q digam algo negativo das suas franquias preferidas, irei ver o filme com a expectativa no nível certo

    PS.: Sobre Depp, espero q ele pelo menos não atue como o Jim Carrey no filme desventuras em série, é só isso q eu peço dele

  • DL

    Temos um exemplo de como NÃO fazer um crítica. O cara nem resenhou o filme direito, apenas jogou seus preceitos e sua expectativas… Ou seja, avaliou o filme de acordo com o que esperava e não pelo que é.

    Na próxima seria interessante mandar alguém com mais base pra fazer o texto.

    • Carolina Favero

      Cala boca

  • Jord Son

    Fantastic Beasts and Where to Find Them tem uma narrativa irregular, e sofre com um tom inconsistente. Mas a construção de mundo é empolgante e original, e o filme estabelece peças promissoras para o futuro da nova franquia. Pontuação 7.4

  • Duh

    Essa crítica só mostra o quanto a resenha positiva de Dr. Estranho só foi elogios por ser Marvel, afinal, esse é derivado de HP, já o filme da Marvel era pra ser uma história inédita mas só foi uma colcha de retalhos sem criatividades de outros filmes: a história padrão dos outros filmes do estúdio, cenas de ação copiadas de A Origem e Matrix, vilão sem relevância e personagem principal mal desenvolvido e msm assim bem elogiado. @Seriesmaniacos apaga estas duas matéria que tá ficando feio para o site.

    • kkkkk adoro essas teorias da conspiração da Marvel. Galera acha que a Marvel comprou a internet. Isso porque esse texto e o de Doutor Estranho foram feitos por pessoas diferentes, nem vale o argumento. Mas valeu, fez meu dia 🙂

  • Yan Gabriel

    “Sobre Johnny Depp, só preciso dizer que a sua aparição é a mais caricata e desnecessária de 2016”, cof, jesse einsenberg, cof cof

  • Posso dizer que estou meio decepcionado com a crítica. Não que tenha sido exatamente ruim, mas é um texto bem desapaixonado. Diz que Samantha Morton é o destaque, mas não defende isso com afinco, fala que a trilha é um elemento chave, porém não como é, fala que os efeitos são questionáveis, porém não explana a “questionabilidade” dele. Parece que o escritor da crítica apenas decidiu pegar aspectos da obra e dar um thumbs up ou um thumbs down sem se aprofundar nos porquês disso, o que deixou o texto incompleto.

    Mas enfim, como um bom fã do mundo mágico, já vi o filme três vezes e posso dizer, resumidamente que o que vemos aqui são dois filmes em um: a trama imediata que acontece de fato no filme (Newt e os animais fantásticos) e a construção do background para os próximos filmes da saga. Essa “divisão” me incomodou um pouco porque, por mais que a ampliação da mitologia deste mundo mágico seja interessante, o agora é tão mais empolgante que a intensidade diminui quando partimos para o tom introdutório, e isso inclui o clímax, que acontece mais para preparar terreno do que para concluir o que vemos aqui. O quarteto de protagonistas não encanta com a facilidade do trio de HP, mas a química deles cresce tanto que até o fim da sessão estamos, no mínimo, afeiçoado a todos eles, com o destaque para Dan Fogler, que serve tanto como os olhos do público quanto como alívio cômico sem, no entanto, limitar-se a isso. Os efeitos estão excelente quanto à elaboração visual dos animais (as penas do pássaro-trovão impressionam pelo realismo), mas a interação do elenco com eles, por vezes, denuncia a artificialidade, principalmente na sequência que envolve o Oocami. A trilha acerta ao criar uma marca distinta do que vemos em Harry Potter e ao referenciar a saga que o derivou, além de tomar decisões peculiares como, em uma cena de dança que parece ser cômica à primeira vista, ressaltar a paixão de Newt pelos seus animais ao tocar uma melodia delicada e sensível. Ainda posso falar do incrível design de produção detalhista de Stuart Craig (a sede do MACUSA impressiona) e do figurino excelente, que merecem ser lembrados nessa temporada de premiações, mas acho que eles falam por si só. A fotografia é meu único problema real com o filme pois, ao apostar no padrão de dessaturação dos últimos exemplares da franquia de Harry Potter, não só falha ao criar uma identidade visual particular ao filme, como também deixa New York completamente sem vida. Entre erros e acertos, AFeOh consegue ser um início promissor de uma saga que tem tudo para entregar trabalhos de altíssima qualidades, resta Rowling condensar melhor as tramas (fica clara a divisão entre “introdução de nova saga” e “filme que acontece agora”, além do fato de o governo No Maj não fazer a menor diferença no todo) e finalmente tornar-se uma roteirista de altíssima qualidade.

  • DarkAngelblue

    eu não gosto desse protagonista não teria dado oscar pra ele, agora o jeito esquisitão aqui funciona

  • DarkAngelblue

    Ezra Miller vai colocar o Ben affleck no bolso, excelente ator