American Horror Story: Roanoke 6×05: Chapter 5

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Com o fim do documentário My Roanoke Nightmare, para onde vai a imprevisível sexta temporada de American Horror Story?

Há entre os fãs de AHS uma teoria bastante radical que circula pela internet de modo sedutor e megalomaníaco: Todas as temporadas que vimos até agora seriam um longo programa Based on True Events e Cheyenne Jackson seria uma versão de Ryan Murphy, também uma potencial vítima do R que falta no macabro jogo de soletração das enfermeiras assassinas vistas esse ano. De todas as teorias que vi é a mais louca e também a que mais nos mostra como Roanoke já ganhou o posto de temporada mais controversa, misteriosa e provocativa do show. Seis anos e dezenas de “Asylum era melhor” depois, estamos diante de uma série que não está nem um pouco interessada em zona de conforto.

Minha aposta maior é de que agora passaremos a acompanhar os bastidores do que foi My Roanoke Nightmare. Cheyenne Jackson viverá o produtor do show, interessado em ir até o local e investigar o que aconteceu de verdade. Isso significaria ver Sarah Paulson, Cuba, Angela, vivendo os atores que viveram as personas “reais” da história. Arriscaria até mesmo dizer que a açougueira poderia aparecer sendo vivida por outra atriz, que seria a “verdadeira” fantasma. Isso abriria uma linha de camadas impressionante dentro da dinâmica do show. Shelby, Matt, Lee, The Butcher, Elias “ficcionais” e Shelby, Matt, Lee, The Butcher, “reais”, provavelmente dentro da trama a partir do ponto em que o documentário foi exibido e a curiosidade levou até uma investigação mais apurada. Não é simplesmente maravilhoso imaginar que talvez uma outra atriz faça a açougueira e que Kathy Bates surja com outra personalidade, correspondente à atriz que a viveu?

O melhor é a completa incerteza… Não há nada mais delicioso que chegar em frente a TV sem ter a menor ideia de quais decisões serão tomadas. My Roanoke Nightmare terminou de forma exemplar, com sua narrativa toda amarradinha e cheia de cenas marcantes. Embora vários deux ex machina tenham sido encomendados para garantir a vida dos protagonistas (que já sabíamos que estavam vivos), o capítulo 5 foi tão cheio de horror, dor e desespero que posso dizer pela primeira vez em seis anos, que fiquei com medo de olhar os espelhos da minha casa, de olhar para os beirais de portas e de olhar para as árvores do lado de fora da minha janela.

Enfim, Evan Peters apareceu mais uma vez como o construtor de uma “galeria de fantasmas”. E apareceu como um descendente de Dandy, lá de Freak Show, com o mesmo temperamento descontrolado e voluntarioso, disposto a recorrer aos atos psicopáticos para conseguir o que queria. A volta ao passado da casa foi muito interessante, embora já tenhamos visto a série recorrer a isso muitas vezes. Porém, antes de atacá-la com argumentos sobre recorrência, vale lembrar que tudo esse ano é sobre juntar peças ou construir uma base. Edward Mott tem o mesmo temperamento de Dandy, porque é descendente de Dandy. Construiu uma casa em torno da morte, como March construiu o Cortez, onde pessoas eram atacadas por colchões e emergiam dos cobertores tal qual Mott em Roanoke, com o adendo de que o mesmo ator passeia por todas essas referências. Ou seja, o sexto ano é todo sobre convergência.

O inferno vivido por Shelby e Matt dentro da casa foi de arrepiar mesmo os cabelos… Aquela coisa no beiral da porta, o pig-man, o rosto desfigurado de Mott toda vez que a sombra do fogo passava por ele… Realmente ASSUSTADOR. Algumas pessoas fizeram uma conexão com a maquiagem que Tate usa no massacre do primeiro ano, mas eu não acho que eram coisas muito parecidas. De todo jeito, para mim, Mott só queria tirar a família lá de dentro para que eles não morressem suficientemente perto para ficarem presos na casa. Toda a sequência foi extremamente perturbadora (me arrepiei mesmo com a forma como o rosto de Mott se desfigurava) e mal posso dizer como estou feliz com tudo que a série tem feito até aqui.

A vantagem maior veio quando os Polks apareceram em sua glória e trouxeram Frances Conroy de volta. A família retalhou Elias para comê-lo e ao perceberem que a carne não prestava, esmagaram sua cabeça num dos closes mais incômodos que já presenciei na TV. A família choca pelos seus modos, remonta a incesto, canibalismo e uma profunda ausência de empatia pelos iguais. Aqui entramos num terreno interessante acerca dessa primeira metade do show… De alguma maneira, não consigo parar de pensar em como a forma como Mott tratou os empregados, a forma como Mama Polk tratou a família, a forma como Lee e Mason foram tratados no entorno dos episódios, estão relacionados num subtexto que aponta diretamente para a relação da América com seus afro-descendentes. Mott e Guinness eram um casal inter-racial, assim como Matt e Shelby e houve subjugamento nos dois casos, dadas as devidas proporções. No momento em que Mama Polk quer impedir que os “escravos” da Açougueira fujam, ela esmaga o tornozelo de Shelby. É assim que pretende devolvê-los à “Sinhá da casa grande”, como uma boa “capitã-do-mato” deve fazer.

Enfim, vimos a história terminar com todos os artifícios possíveis que garantiriam a vida de todos os envolvidos nos depoimentos. Já sabíamos que isso ia acontecer. Claro que colocar o filho mudo da Açougueira para jogá-la no fogo foi uma solução fácil, mas o ponto aqui é o de que não sabemos se a versão que Shelby e Matt contam é a verdadeira. Tudo é completa escuridão a partir do ponto em que é tudo “encenação”. O pote de ouro da temporada está no capítulo seis e é só a partir dele que saberemos com mais certeza o nível de ousadia e inteligência impresso de verdade nos capítulos anteriores. Não sei vocês, mas eu mal posso esperar.

Roanotes: A historiadora Doris Kearns Goodwin deu o ar da graça no episódio e ela é MESMO uma historiadora premiada com o Pulitzer. Murphy tem poder… Tem muito poder.

Roanotes 2: Aliás, ela nos informa que o último membro da linhagem Mott foi morto em 1952. Tratava-se exatamente de Dandy.

Roanotes 3: Tem gente apostando que Sarah Paulson vai reviver Billie pela terceira vez. Sei não…

Roanotes 4: E se a Açougueira de verdade fosse vivida por Jessica Lange? Imagine o mundo todo caindo duro.

  • Senti falta do fim da Gaga nesse episodio =/

    • Fabi Alves

      miga ta linda! Acho que a gaga ainda aparece como atriz 😉

  • André

    Essa temporada está sendo a segunda melhor atrás de Asylum somente
    Sobre essa teoria dos fâs,acho que nâo tem fundamento. Estâo dizendo isso somente porque como estamos especulando sobre Roanoke dai acham que tudo esta conectado com essa temporada,até porque a série vai ter mais temporadas pela frente nâo faria sentido conectar todas as anteriores a Roanoke e a partir do ano que vem como que fica? e na boa seria uma bosta saber que todas as temporadas foram historias atuadas
    Sobre o episodio gostei bastante principalmente pela Frances Conroy. Kathy Bates vem sendo a melhor coisa da temporada. Ja o personagem do Peters eu gostei mas nem tanto

  • G Factor

    Tô apenas esperando a season finale para poder finalmente dizer: Roanoke foi a melhor temporada de AHS
    O nível tá altíssimos! Atuações excelentes! Frances abrilhantou extremamente este episódio! Um dos melhores!

  • Deby Candido

    Essa temporada de AHS está espetacular. Eu termino o episódio e já quero mais. Sinceramente, não sei mesmo o que esperar nesta próxima semana. Tudo leva a crer que eles, os produtores do show na série, vão mostrar o local aonde aconteceu essa narrativa. Eu penso, que poderia ser uma história realmente criada pela produção do programa para terem aquela audiência e drama que eles precisavam para alavancar o show e, ao visitar o local, tudo acontecesse de verdade, sei lá. Quem sabe não são todos atores ali?Até os que estavam dando seu depoimento.
    Só sei que essa série está com um nível de qualidade surpreendente e espero que continue assim até o final.
    E parabéns pelas reviews Henrique!!! Como sempre, são um deleite!!!

  • Marcos Bastos

    “E se a Açougueira de verdade fosse vivida por Jessica Lange? Imagine o mundo todo caindo duro.” Eu teria orgasmos múltiplos se a Jessica aparecesse com aquele sotaque maravilhoso ❤

  • Matheus

    Essa temporada de AHS começou um pouco confusa, mas surpreendeu e evoluiu muito, além de trazer muitas coisas que sentia falta desde Asylum, o Horror. Esse ep. me trouxe de volta aquela sensação de Horror e uma certa perturbação, tanto que no final já estava angustiado pensando que a Açougueira iria conseguir matar a Flora. Enfim, esses 5 eps. trouxeram de volta td aquilo que a série tinha perdido, só não considero a série melhor que Asylum, porque ainda não sabemos o que está por vir nos próximos eps., mas com certeza a série deve continuar com o bom roteiro, assim espero…

    PS: Também achei o final da Açougueira muito simples, mas não sabemos se tudo ocorreu da forma que eles contaram.

    PS2: Espero que os próximos eps sejam ótimos, a única coisa que me preocupa é quantidade de personagens que essa nova fase terá, uma coisa que com certeza foi positivo nesses 5 eps. foi o elenco um pouco “reduzido”, assim não tinha muitas histórias paralelas e os personagens tinham um ótimo desenvolvimento…

    • Allan

      A série sempre teve horror. A segunda temporada tinha terror, e nessa voltou o terror, o horror sempre existiu na série
      Pra mim a melhor temporada até agora foi Freak Show focada em drama com horror

  • Será que ninguém percebeu a “escalação” da Kayako na série? Não esperava aquilo arrastando a Flora e pareceu até uma homenagem a fantasma japonesa.

    Exagero meu?

    • Netto Baggins

      Tbm acho que foi uma homenagem!

  • Igor

    Sem palavras para descrever essa temporada. Simplesmente incrível.

  • Bruno

    Fiquei extremamente surpreso e feliz com a aparição da Frances. Eu não sabia que ela iria participar e na hora que vi a personagem pausei pra ir pesquisar se ela era mesma. Ela é maravilhosa!
    Achei meio sem sentido o final da Açougueira. Meio simples demais. Pq o Ambrose não se revoltou antes, já que ela faz aquilo há anos? Fora isso, foi um episódio demais.
    Sobre a Roanote 4, meu Jesus! Nunca tinha pensado nisso. Imagina. Seria o ápice total depois de esconderem tão bem tudo sobre a sexta temporada.
    Espero que a partir de agora tenha uma abertura oficial.
    Só uma correção, Edward não é descendente de Dandy, mas sim o contrário.

    • Wendell Donizeti

      Notei isso também! “Edward não é descendente de Dandy, mas sim o contrário.” =P

    • Netto Baggins

      O que especulam é que o Ambrose se revoltou por conta da hipocrisia da Açougueira quando fala sobre a dor de perder um filho, já que o dela, ela perdeu pq ela mesma matou. 😉

  • Pedro Ramos

    A ideia dessa temporada de AHS é incrível, mas a execução não está me animando em nada. Esses cinco episódios tiveram um ritmo frenético demais, exagerado. Agora é esperar pra ver o que nos espera a partir da segunda parte da temporada. Enquanto isso, não posso deixar de dizer Asylum ainda é a melhor, rsrsrsrs

    • João Soares

      Concordo plenamente. Por isso que eu achei o primeiro episódio muito bom. Tudo foi apresentado sem enrolação mas sem aquela pressa de terminar logo. Eu não tive empatia nenhuma por Shelby e Matt… Se um dos dois morressem, eu meio que iria ficar “tô nem aí”… –‘

  • ROdrigo

    Asylum pra mim foi a pior temporada. A melhor ainda foi a primeira

    • petunia

      com certeza!

  • Marcelo

    Essa temporada está fantástica, tem tudo pra ser a melhor!

  • Wagner Lutterbach

    Eu tenho um livro da Doris Kearns Goodwin: “Lincoln”. Muito bom, por sinal. Faz a gente se envolver como se estivesse lendo um romance.

    Juro que lembrei dos “I hate you! I hate you! I hate you!” do Dandy quando o Mott começou a surtar por causa dos quadros destruídos, mas não me toquei do parentesco quando a historiadora falou sobre o último dos Mott ter morrido em 1952. Muito bom! Obrigado por escrever sobre.

    Estou adorando essa interligação entre as temporadas e fico pensando se essa ideia era algo pretendido desde o início ou surgiu de uns tempos pra cá. Porque se foi, Ryan Murphy é um gênio e muitos, inclusive eu, foram injustos com ele. Hehehehe.

    • Walber Lima

      Não vi ainda o 6×06, maratonei os 5 episódios esses dias para poder acompanhar certinho e junto com as reviews do Henrique, que por sinal são fundamentais para entender o show.

      Também fiquei tentando associar o parentesco mas não lembrava pelo nome, ainda bem que tem a review. Dandy era o melhor personagem junto com a Frances Conroy, que não tem nada que essa mulher faça que eu não gosto.

      Em resumo, to adorando a temporada, anos luz melhor que a season 5, e para mim tão interessante como Asylum. Sabia que Ryan não nos decepcionaria.

  • Henry Christian Schmitz

    Frances Conroy enlouquecendo e gritando feito Ruth Fisher!!! Quase pulei da cadeira de tanta alegria!

    <3

    • Vinicius Garcia

      nossa, pensei a mesma coisa e tive a mesma reação. essa mulher, de todas é a minha preferida – muito pelo amor à ruth, memorável pra sempre.

  • Melhor episodio ate agora! Realmente fiquei com medo, principalmente quando aquela menina japonesa apareceu encarnada no capiroto hahahaha. Evan estava perfeito, como sempre e na cena do rosto dele se transformando, meu deus, Ryan sabe acertar nos detalhes!

    Ao final do episodio, a Shelby fala que eles vao voltar pra L.A e que a irma dela vai ajudar. Fiquei pensando…e se a irma dela for a matriarca da murder house (esqueci o nome da personagem)? Ou se for alguém que mora perto, ou ate mesmo se eventualmente eles vao se mudar para a murder house. Seria legal uma dessas opções!

    • Eduardo

      A personagem de Connie Britton? Não lembro se ela tinha uma irmã. Se tiver mesmo relação com MH, a irmã de Shelby só pode ser Jessica(que está mais para mãe), Connie ou a amante do marido de Connie (Kate Mara).

  • João Carlos

    Essa temporada preparou todo o terreno e esse episodio veio para fechar com chave de ouro esse “documentario”. A ansiedade para o proximo episodio esta la no alto

  • Junito Hartley

    Ansiedade pro próximo episodio é mais de 8000.

  • dilds

    Mas vai ser divertido ver os personagens que vimos ate agora aparecendo como atores, e as versões “reais” dos personagens aparecerem.

    Eu so tenho medo de QUEM vai aparecer pra fazer as versões “reais”…levando em conta que atores medíocres como Taissa, Finn e Matt Bomer foram confirmados.

    • Eduardo

      Matt é o filho da Açougueira (Kathy Bates), e já morreu. Taissa e Finn devem voltar como “pontas” de um episódio só, fique sossegado, rsrs

    • Paulo

      Finn medíocre? hahahahahahah!

      • dilds

        sim amore, ele e Matt Bomer. Dupla eye candy e para por ai. O elenco de AHS ja foi mais bem servido.

  • Clark Jornalista

    Tá sendo uma de minhas temporadas favoritas até então, o ritmo tá me mantendo interessado, e espero que a reviravolta do epi 6 seja tão grandiosa quanto Murphy fez parecer. E, Henrique, só uma correção: Edward Mott é antepassado de Dandy, e não descendente. Descendente é quando é pra baixo, e sendo Dandy o último da linhagem dos Mott, ele nem teria como ter descendentes.

  • Fabi Alves

    henrique se o 4 acontece eu morrrrrrroooooo!!!! alias eu to torcendo por isso desde o começo das teorias no reddit rsrsrsrs é ser mto sonhadora ?

  • Maysa

    Que temporada, isso sim que é uma serie de horror. Espero ver os reais Matt, Shelby e Lee no restante da temporada tbm.
    Fiquei com medo assistindo o episodio, fazia um bom tempo que não sentia isso, já valeu a pena.

  • Rodrigo Tannuri

    Até que enfim o Ryan me escutou! Sempre pedi pra ele voltar a essência do terror, dos sustos, deixar o sexo um pouco de lado e fico muito feliz que estamos vendo isso. Não dava nada por Roanoke, mas essa season já figura sim entre as três melhores do show. E olha que ainda faltam episódios, hein? Tomara que continue nos surpreendendo! Voltei a ficar envolvido com AHS, como há tempos não ficava 🙂

    Obs: e que criatura sombria foi aquela dentro da casa? Parecia a Kayako de “O Grito”. Sinistra é pouco! E que caipiras são aqueles? Medonhos, grotescos, do jeito que um bom terror pede 😀

  • Lucas

    Que episódio bom, um ótimo episódio final para o documentário de Roanoke. O horror esteve ali mais presente do que nunca, alias, essa temporada esta levando o horror ao pé da letra, o que foi aquela criatura que pegou a Flora? E a maravilhosa Frances Conroy vivendo a matriarca dos Polks? Até aqui, essa temporada me fez lembrar porque eu gostei tanto de Murder House e Asylum. Ansioso pro próximo episódio!