American Horror Story: Roanoke 6×03: Chapter 3

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O terceiro capítulo da misteriosa temporada de American Horror Story não esclarece mistérios… E isso não é um defeito.

Em 1937, dirigindo pelas ruas próximas a floresta da Carolina do Norte, um homem encontrou uma pedra peculiar com várias inscrições descritivas que continham nomes familiares para as autoridades históricas da época. A pedra dizia que Ananias e sua filha Virginia Dare haviam sido mortos por selvagens. Porém, essa não foi a única pedra encontrada, no “fenômeno” que ficou conhecido como “The Dare Stones”. As inscrições foram atribuídas a mãe de Virginia (esposa de Ananias), que estaria descrevendo em outras delas, os destinos de uma icônica colônia local: a colônia de Roanoke.

Eis que Virginia Dare fora a única criança nascida na colônia antes que o completo desaparecimento dela tenha sido notificado. Sua mãe, Eleonor White, era filha de John White, o responsável por Roanoke quando uma viagem em busca de suprimentos foi decidida. O desaparecimento aconteceu enquanto White esteve fora e nem sua filha ou sua neta jamais foram encontrados. As pedras, encontradas tanto tempo depois são tidas como falsas pela maioria dos estudiosos a respeito, mas ajudaram a aumentar a mitologia em torno da colônia, incluindo Virginia, a primeira “nativa” desse “novo mundo”.

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Em seu terceiro capítulo, My Roanoke Nightmare nos apresentou a história de Thomasin White, a fictícia esposa do real John White. E o episódio foi conduzido de uma maneira a nos fazer compreender uma parte do desaparecimento da colônia sob uma perspectiva cada vez mais sobrenatural. Após ser exilada pela própria gente, Thomasin encontra com a personagem sinistra de Lady Gaga na floresta e depois de comer um coração pulsante, retorna para se vingar e dar ao povo suas novas coordenadas: eles seguiriam em busca de uma nova terra, que vem a ser o local onde moram Shelby e Matt. Isso, de certa forma, explica o desaparecimento da colônia segundo o que é proposto pelo show, mas lança uma série de outras perguntas.

Mencionei Virginia Dare, essa primeira criança nascida na colônia, porque de certa forma ela me leva a pensar em Priscilla. Todo o arco do desaparecimento de Flora, ao contrário do que eu imaginava, fortaleceu a dramaturgia de tal forma, que Lee de súbito roubou todas as atenções para si. A teoria de que as narrativas do programa e da dramatização são, de alguma forma, invertidas, sofreram uma nova leva de reforços, quando pela primeira vez ouvimos a voz do entrevistador e parte do set onde as conversas têm sido gravadas. É quase como uma provocação declarada, como se o roteiro quisesse dizer: “Desconfiem de nós”. E funciona imensamente no crescimento das nossas expectativas.

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Tem sido muito curioso… Enquanto o programa que nos conta o que aconteceu com Shelby e Matt começa a conduzir a história para terrenos impressionantes, pequenos detalhes se espalham pela narrativa para aumentar a confusão. Voltamos a usar médiuns na narrativa, mas dessa vez na figura de Leslie Jordan, que vive Cricket Marlowe e nos remete imediatamente ao outro personagem que viveu em Coven, que era um bruxo. Ambos vêm de Nova Orleans e embora não tenham o mesmo nome ou se apresentem da mesma forma, aumentam a ideia de que a cada episódio esses detalhes vão se conectando com outras temporadas. Até mesmo Kathy Bates aparecendo como uma mulher sanguinária, enjaulada, também nos remete a Coven e seus jogos de tortura.

Gaga surgiu em dois momentos distintos, com sua energia sobrenatural na cena com Kathy e insana na cena com Cuba. A personagem me fez pensar na deusa Circe, mas qualquer aprofundamento sobre isso só será possível quando essa persona se tridimensionar. Contudo, é extremamente recompensador para mim que Gaga tenha aceitado um novo ano, para mostrar que é capaz de atuar fora de zonas de conforto. De fato, até Cuba Gooding soa melhor na sua busca por um tipo mais comum, sem exageros gestuais. Mas, quando o episódio termina e Sarah Paulson está no último quadro, aquele olhar só reforça como essa mulher é a verdadeira rainha do show. Mesmo com um personagem “normal”, sem caracterizações fortes, ela é crível até a pontinha dos cabelos.

Com a morte de Mason e a possível morte de Flora, a quantidade de corpos se espalha com aquelas boas e velhas ameaças de convergência. Roanoke segue sendo misteriosa, quase inacessível, mas extremamente interessante e satisfatória.

  • ♚ Lena

    Croatan

    • André

      O que está entervistando é o Cheyenne Jackson!

    • Bruno

      Não, a voz é do Chayenne Jackson, dá pra conferir na página do IMDB do episódio que ele está credito como “voice”. E ele está no elenco regular da temporada, ou seja, teremos mais do personagem e muito provavelmente teremos alguma reviravolta envolvendo os bastidores desse programa.

  • Igor

    Temporada incrível, não sei o que o que nos aguarda em um futuro próximo mas pelo menos até agora Roanoke vem em uma crescente magnifica onde cada novo episódio supera o anterior, se achei o terceiro sublime, agora que já assisti ao quarto achei magnifico.

    PS: Espero que a tal revelação que eles estão prometendo só acrescente na trama. Mas lá no fundo existe um receio de que tudo vá por água a baixo. (ESPERO ESTAR ENGANADO)
    PS2: É engraçado que nos últimos anos (FS, Hotel e não sei de certeza mas acho que em Coven também) eles sempre prometiam uma temporada ”tão horripilante quanto Asylum” e justamente no ano em que realmente está eles não falaram isso nenhuma vez, graças a Deus, menos papo fiado e mais ação.

    • André

      Nâo em Coven desde o começo dizeram que ia ser mais leve e divertida,como a temporada foi criticada por boa parte dos fâs nas seguintes começaram com essas promessas.

      • Igor

        Sim, eu estava em dúvida por isso preferi não afirmar. Obrigado pela correção.

  • João Carlos

    Eu achava que nao iria gostar desse formato dos episodios, mas esta tudo sendo feito de forma interessante.