Amanda Knox

12
2109

Seria Amanda Knox um lobo em pele de cordeiro ou uma garota no lugar errado?

Amanda Knox tinha tudo para ter uma experiência maravilhosa em um país novo, em uma cidade peculiar da Itália: Perugia. Cercada por tanta história, uma das melhores gastronomia e vinhos… o que mais uma garota de 21 anos poderia querer? Um namorado italiano para coroar aquele novo momento da vida. Parecia que nada ia dar errada. Só houve um assassinato macabro na casa onde morava.

Foi em 2 de novembro de 2007 que a vida de Amanda Knox deu um giro de 360º. A sua colega de quarto, a inglesa Meredith Kercher, foi encontrada morta. O corpo da estudante foi encontrado despido envolto em um cobertor. De primeira, a possibilidade de um estupro era óbvio e o fato de ter sido coberta evidenciava, para mim, duas coisas: uma mulher tinha participado daquele crime ou era alguém que a conhecia muito bem.

Aquele crime movimentou a pequena cidade italiana que, acredito, não tinha muita popularidade por tal tipo de crime. E os erros em relação ao andamento da investigação mostram a ineficiência da polícia e acusação. Sem esquecer da mídia, que não foi muito cortês durante boa parte em que o caso ficou em evidência.

Amanda Knox e seu namorado na época, Rafaelle Sollecito, foram presos acusados de matar Meredith em uma orgia sexual. Apesar de ambos ter um álibi, estavam juntos na noite do crime, e contaram detalhe por detalhe o que fizeram, a polícia duvidava do casal. Mas a pressão dos investigadores fez com que Amanda e Sollecito inventassem uma outra história. A mentira não os ajudou muito, só fez com que houvesse ainda mais certeza da autoria do crime praticada por eles.

Outro ponto que levantou suspeita de que o casal havia matado Meredith era o tempo de relacionamento. Cinco dias de namoro e com uma morte no currículo? Eles deveriam ter muita sorte de encontrarem o psicopata perfeito.

Vale destacar o ~ belíssimo ~ trabalho da imprensa. Incrível como a mídia, principalmente a britânica, fazia de tudo para encontrar a menor brecha possível sobre um escândalo do casal. Amanda Knox, o principal alvo dos veículos de comunicação, foi a que mais sofreu. Teve seu diário exposto, e junto com ele sua vida sexual, este último ponto por uma mentira absurda sobre ser infectada pelo vírus HIV, e isso foi um deleite para a imprensa. Fotos do MySpace da americana e de Rafaelle foram desenterradas para criar ainda mais os assassinos pervertidos.

E sabe o que é engraçado? Mesmo com a comprovação de um ~ terceiro ~ assassino, a acusação e a mídia só queria Amanda. O congolês Rudy Herman tinha seu DNA espalhado pelo quarto em que Meredith foi encontrada, sem contar que ele já tinha uma ficha criminal por arrombamentos de domicílios. Ué, qual a dificuldade dele ter o mesmo tratamento de Amanda? Ah, deve ser uma coisa bem pequena, chamada machismo.

No primeiro julgamento, Amanda e Rafaelle foram condenados a 26 e 25 anos, respectivamente. Por outro lado, Rudy pegou 30 anos, pena que foi reduzida para 16 anos na apelação. Mas a grande reviravolta, para o casal, aconteceu nos próximos anos.

Amanda Knox chegando ao tribunal em 2010
Amanda Knox chegando ao tribunal em 2010

Após quatro anos presos, durante a apelação, com uma equipe forense independente, foi descoberto que todos os DNA encontrados na cena do crime e, que a polícia italiana, “comprovava” ser de Knox e Sollecito, foi por ladeira abaixo. Claramente que o DNA da americana estaria na faca encontrada na casa de seu namorado, afinal, ela passava mais tempo lá do que no casebre que dividia com Meredith. Mas na lâmina da suposta arma do crime, o material genético era inconclusivo. Assim como o fecho de sutiã, o qual era alegado ter o DNA do italiano, também continha de outros dois homens, fora o fato de ter sido encontrados mais de 30 dias após a morte da inglesa. Depois de todos esses resultados, o ex-casal foi absolvido.

Amanda volta para os EUA e Rafaelle volta para sua cidade natal na Itália. Mesmo com o resultado da apelação, os dois viram a absolvição ser “cassada” e, mais uma vez condenados pela morte de Meredith. Um pouco estranho a decisão e, ambos, não voltaram a cumprir a pena até que a Suprema Corte da Itália desse a palavra final. E oito anos após o assassinato, a justiça italiana os inocentou. E achei emocionante ver Amanda falando ao telefone com Sollecito, após terem deixado esse passado para trás. Os dois nunca mais voltaram a ser um casal após a prisão, mas aquele cena me tocou, não havia ressentimento entre eles, apenas alívio por poderem seguir com suas vidas.

Gostei dessa nova produção, mas não me instigou tanto quanto Making a Murderer. Apesar de achar a Amanda um mistério, ela me inquieta um pouco. Confesso que fiquei em dúvida, por um momento, da inocência dela – se bem que, não estou 100% confiante, mesmo as provas mostrando que ela não teve nada com o crime. O momento em questão foi ela chegar no outro dia na casa, viu a bagunça habitual e foi tomar banho, mesmo vendo sangue ao redor. Sem contar que ao invés de chamar a polícia, decide chamar Rafaelle. Sim, eu sei, as evidências são claras, mas Knox sempre vai ser uma incógnita para mim.

A Netflix, mais uma vez, resolve apostar em documentários de pessoas perseguidas erroneamente – ou não – pela justiça. Por favor, querida, continue a produzir esses conteúdos, virei uma grande fã.

  • Patrícia Salomão

    Netflix mais uma vez nos brindando com um doc incrível.
    Foi angustiante ver como Amanda foi julgada ( e massacrada )pela imprensa e teve seu direito a um julgamento justo cerceado pelo machismo.
    Ivana, essa dúvida que você mencionou tem com relação a ela é a marca que ela terá que carregar por não ter tido imparcialidade no processo como um todo.
    Parabéns pela review!

  • Nabia

    Não sabia que a netflix tinha documentários desse tipo (fui alice, é eu sei)!
    Adorei a review! Com certeza assistirei ao documentário!
    Fazia tempo que não ouvia falar sobre esse caso! Sempre achei tudo muito estranho. Vou ver se ao final do documentário chego a uma opinião mais concreta!

  • Bruno

    A série Guilt foi baseada nesse caso, só que trocaram a Itália por Londres.

  • Carcosa, the Yellow

    Interessante.

  • Fabi Alves

    que sonho esse texto de ivana 😉 eu adoro esses casos misteriosos e ja li muito sobre esse! vou dar uma confirada de certeza !
    parabens pela review , otimo texto sua linda

  • Luiza Silva

    parabéns pela review

  • Lays Araújo

    Ivana fico com o mesmo pensamento que vc!
    Amanda é estranha. E talvez seja alguém manipuladora como a mídia a desenhou!

    Muito boa a review

  • dan_atwood

    Fiquei chocado ainda mais na parte que ela diz que por causa dos 7 (SETE) homens q ela dormiu a chamaram de vadia, se um homem dormir com 7 mulheres nada será dito dele, será tratado como algo normal, mas ela por ter dormido com 7 homens foi chamada de vadia e compulsiva sexual.
    É um absurdo pensar como o julgamento muda pelos gêneros, tirando aquele repórter que depois de ter sua matéria espalhada uma vez fez de tudo para continuar espalhando suas matérias, sem pesquisa, sem nada, apenas com coisas que chamariam a atenção, não é atoa que hj ele está no The Sun um tabloide que procura apenas manchetes para chamar a atenção.

  • Rachel Caixeta

    Eu vi e tals. Não achei ruim não. Mas também não achei surpreendente ou inquietante quanto outros do gênero.
    Nao enxerguei como machismo a condenação midiática de Amanda. Só era mais interessante a historia de uma assassina fria com cara de boa moça do que um cara com passagens pela polícia.

    Ps: se eu visse gotas de sangue no meu banheiro acharia um pouco estranho, talvez limparia primeiro e depois sim tomaria meu banhi. Mas a ultima coisa que eu pensaria era que houve um crima na minha casa…

  • Miguel Mascarenhas

    Giro de 360º? Não seria de 180?

    No mais, assistirei logo q possível.

  • rocorby

    No final, tive a impressão de que o documentário serviu para fazer esse pensamento sobre o machismo (só porque ela transou com 7 caras, já era uma vadia pervertida que queria um foursome com a vítima), com o sensacionalismo da imprensa, principalmente o britânico, que ama qualquer furo de reportagem, só olhar o The Sun que vai ver cada maluquice que tem lá, e por último, ligando ao despreparo da polícia para certos casos.
    O advogado da Amanda falou que ele estava metida em algo muito maior que ela, mas acho que se encaixa mais na polícia da pequena cidade de Perugia e o detetive designado. Durante o doc e o caso, foi claro o despreparo de ambos e a correria para julgar o casal (associado a pressão da imprensa), sem analisar corretamente os fatos e negligenciar outros, querendo formular a condenação perfeita. O detetive me pareceu bem perdido nisso tudo, querendo mostrar para toda a Itália que ele conseguiria fazer o trabalho grande demais para ele.
    Eu acompanhei o caso quando tava rolando e sempre acreditei na inocência da Amanda, esse doc ajudou a reforçar, mas se ela for mesmo a culpada, não acho que será a polícia que irá descobrir.

    PS: essa história dela chegar em casa com o banheiro com sangue e ela não ter percebido foi bem estranho mesmo.

  • luaspfc

    Adorei a Review! Parabéns Ivana!!
    Amanda me deixou com uma sensação estranha no inicio, mas a justiça italiana foi tão tosca que no fim acabei ficando satisfeita com a absolvição dela.