Agents of S.H.I.E.L.D. 4×05: Lockup

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Lockup foi um episódio emocional para lidar com o sobrenatural.

Agents of S.H.I.E.L.D. é uma série com um padrão de pensamento diferente de suas amigas de gênero. Enquanto muitas optam por um ritmo inteiramente centralizado na temática a ser desenvolvida, a produção dos agentes intercala o máximo de abordagens diferentes dentro do mesmo espectro sentimental, com resultados positivos na maioria das vezes. Em seu quinto episódio o roteiro de Lilla Zuckerman e Nora Zuckerman embarcou de cabeça no aspecto místico, deixando de lado qualquer possível explicação científica, mas na hora de lidar com o emocional de seus personagens, alguns pontos ficaram fora do tom esperado.

O grande problema de uma temporada centralizada em um personagem novo que leva a alcunha de ‘espírito de vingança’, é que você precisa contrabalancear a carga emocional dele com a de alguém conhecido, criando assim um elo com o telespectador. Caso contrário dificilmente a audiência conseguirá se importar. E a escolhida para a experiência de conexão com o Motorista Fantasma foi Daisy Johnson, a nossa Tremor. E é neste ponto que até agora a série não conseguiu entregar devidamente o que pretende. Daisy está em uma missão própria, centralizada em afastar todos os amigos por acreditar que ela é a culpada pelas mazelas da equipe. Verdade seja dita, a moça teve algumas interações bem catastróficas desde que começou a realizar missões ao lado do Coulson e seu time. Só que, como bem pontuado por May, não importa quão sombria e afundada em isolamento, as pessoas continuarão lutando por ela – em especial Coulson, ou vocês não repararam no enorme sorriso dele quando a filha adotiva apareceu para resgatá-los no presido?

Quando analiso então a função de Daisy na temporada, após o discurso da May e também sua atitude de quase sacrifício, percebo que alguns pontos foram intensificados para que o paralelo com Robbie Reyes fique mais adequado ao paladar. É difícil hoje não ver o comportamento como algo sem base e um pouco cansado, especialmente ao lembrar que ela já está isolada e agindo como vigilante por aproximadamente cinco meses.  Daisy sempre foi, ao lado do Coulson, a personagem com mais bagagem emocional e história dentro da série. Por isso, na altura do campeonato, vê-la não sabendo lidar com a perda do namorado e passando por uma mudança tão radical, se tornou algo um pouco injustificável. Se analisarmos sua motivação como uma combinação de tragédias, como por exemplo, a morte da mãe, o afastamento do pai e o sacrifício do namorado, faz sentido, mas a série até agora só trabalhou o lado do Lincoln, reforçando a minha visão de que toda a mudança surgiu para se encaixar na história do Ghost Rider, e isso não é tão bom assim.

Agents of S.H.I.E.L.D. --- Lockup
Agents of S.H.I.E.L.D. — Lockup

Deixando de lado o desvio emocional criado pelo episódio para também começar a trabalhar uma reaproximação do time original, Lockup teve ótimos momentos e prosseguiu com uma abordagem divertida e de ritmo bom. O principal deles foi o caos “organizado” do presídio, impondo uma dinâmica de corrida contra o tempo muito interessante. Também é ótimo ver como a série, mesmo com certas limitações orçamentárias, ainda consegue mostrar lutas cada vez mais bem coreografadas. Com certeza o ponto alto foi o embate da Daisy com os presidiários, além da constatação de que utilizar os seus poderes agora seria o mesmo que quebrar todos os ossos de seu corpo. Ver a Tremor empregando suas ondas sísmicas é sempre bom, mas desde o embate contra o Hive na temporada passada eu não a vi mais trabalhando a luta corporal e os poderes ao mesmo tempo, de maneira efetiva, logo, relembrar de suas cenas no começo da segunda temporada, como uma agente treinada por Melinda May, será sempre ponto alto.

Falando em tensão, também tivemos um pouco da dinâmica burocrática da S.H.I.E.L.D. e o trabalho do novo diretor, que já começou a levantar desconfiança. Quem está agindo como elo de conexão do diretor com a trama é Simmons, e personagem melhor para lidar com a burocracia da agência, não existe. Desde sua apresentação lá no piloto da série, Jemma sempre teve uma personalidade mais propensa ao confronto de grandes figuras de autoridade. Depois de um período infiltrada na Hydra, outro isolada em um planeta alienígena, e agora como braço direito do novo diretor, com certeza ela avançou e muito, já mostrando neste episódio uma amostra do que é capaz. Entretanto, não vejo a interação com o diretor como algo inteligente, especialmente porque, bom, é o diretor e escapar do polígrafo baseada em um palpite soou como uma conveniência de roteiro muito grande.

Dentro do que foi apresentado até agora, porém, ainda estamos carentes de um bom vilão, um padrão que a série dos agentes divide com os filmes do MCU. A senadora Nadeer está funcionando melhor do que os fantasmas, por exemplo. Só que sua participação, até agora, foi bem limitada, expondo a grande fraqueza de Lucy, a fantasma. E eu sinto que a falta de um antagonista de peso é proposital, já que com um episódio e uma fala o preso que tentou enforcar a Daisy passou mais motivos para ser odiado do que qualquer outro.

Lockout é um bom episódio, com destaque em uma personagem que já está um pouco desgastada. Entretanto o ritmo, assim como a história, superam e muito o que foi feito no começo do terceiro ano, com a trama dos inumanos e Lash. A série com certeza evoluiu bastante e já consegue, hoje, adaptar sua história principal sem deixar que a paralela perca efeito. Ainda é cedo para fazer um balanço, mas a estrutura do quarto ano de Agents of S.H.I.E.L.D. está sim mais fortalecida, resta agora saber como irão lidar com as pontas que permanecem soltas, afinal, para uma temporada fechada, ainda estamos no começo, para o padrão de meio arco adotado desde a segunda temporada, acabamos de atingir metade do terreno a ser percorrido.

> Teorias Bizarras de Westworld

Easter eggs e outras informações

– Durante o episódio o novo diretor foi mencionado como um herói, um ‘patriota’. É interessante o uso da palavra, já que nas historias em quadrinhos o personagem é conhecido como o herói Patriota.

– No começo do episódio é possível ver um pôster do ‘Circo Quentin’. A atração mais famosa do Circo itinerante era o Motoqueiro Fantasma, Johnny Blaze.

– Inclusive, na foto é possível ver um motoqueiro de manobras especiais envolto em chamas.

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– Essa não é a primeira vez que um circo tem menção em uma série da Marvel. Em Jessica Jones é possível ver vários detalhes de um circo enquanto Jessica anda por um parque. Conforme mencionei lá, várias dicas apontam para o Circo do Crime, que também já teve conexão com o Circo Quentin. A primeira aparição do circo foi em Ghost Rider Vol 2 #63, de 1981.

  • Matheus Brito

    Eu acho que a Daisy tem motivações e razões, sim, pra esse afastamento. Não apenas a morte do Lincoln, a morte da mãe e o afastamento do pai, como citados, mas o principal motivo é o controle por Hive. Ela tava sendo controlada por ele, fazendo as coisas por ele e GOSTANDO disso, o que deixa tudo pior. Chegou inclusive a matar pessoas pela “causa”. Imagina o estrago que isso não faz com o psicológico de uma pessoa? E, agora que estamos vendo ela agir em conjunto com o time, não tarda muito e ela larga essa alcunha solitária que se encontra desde o sacrifício do namorado.

    Quanto à “conveniência” do roteiro em relação à Jemma, devemos lembrar que ela é basicamente um perito no assunto microexpressões. Descobriu que Aida era um robô dessa maneira, e ainda estudou sobre isso pra poder passar no polígrafo. Na hora da entrevista do Mace, ela tava com atenção quase total sobre ele, o que permitiu que ela identificasse tais “desvios” e percebesse que algo era mentira. Seja em relação a ser Inumano ou alguma parte da história dele, Jemma não sabe o que é, mas sabe que tem. E usou isso a seu favor. Por isso, não achei conveniência do roteiro, e sim progressão do mesmo. Jemma sempre foi observadora e, como cientista, inteligente também. Sacar a mentira do Diretor demonstra uma progressão e coesão do roteiro, que não esquece dos detalhes.

    Sobre a parte dos vilões, tenho de discordar. Agents sempre apresentou ótimos vilões, ou no mínimo ótimos antagonistas, em suas 3 temporadas. Na 1ª, havia o paralelo Raina/Garret e, já no fim, Ward. Na 2ª, houve Whitehall na 1ª parte, na 2ª tivemos a “verdadeira S.H.I.E.L.D” de antagonista e no meio disso tudo, Ward e a Jiaying no final. Na 3ª, Malick, Ward e Hive foram os vilões da vez. Diante disso, não há como afirmar que a série peca com os vilões. A verdade é que as histórias são tão interessantes que eles podem inserir um vilão apenas mais pra frente, sem pressa. É o que há aqui. Só agora a Nadeer, potencial vilã dessa 1ª parte, começou a tomar relevância. Isso por quê os 4 primeiros episódios estavam meio que introduzindo a história, então nada mais correto.

    Mas enfim, cada um com suas opiniões, tu fez mais uma ótima review como sempre, e nos vemos no episódio 6 rs

    • Concordo com você Matheus, ela tem sim motivos de sobra, mas até agora só focaram na morte do Lincoln, e não tocaram em nenhum dos pontos que você mencionou. Então, para o desenvolvimento da personagem, o que está preponderando é a morte do namorado e não todo o restante.

      Já a Jemma eu vejo como conveniência sim, porque ela chutou alto e muito longe. As micro expressões podem apontar uma mentira, mas não o tipo de mentira contada. Imaginar que fosse algo relevante o suficiente para que ela pudesse chantagear o diretor é uma grande “luva” que se encaixou perfeitamente – e qual a maior conveniência que essa? No fim ela chantageou o diretor da S.H.I.E.L.D. – motivo para, por exemplo, ser silenciada. Se mais na frente ela pagar por isso, tudo bem.

      Nunca vi Agents como uma série com bons vilões. Bom vilão dentro do MCU é Wilson Fisk, Killgrave, Mariah Dillard. Com exceção do Ward, que por muito tempo não funcionou como vilão, a série só entregou personagens superficiais e de vida curta. E vamos deixar a Nadeer de lado, a vilã dessa meia temporada é a Lucy, e de novo de maneira bem superficial.

      Obrigado pelo comentário!

      • Sherlock

        Achamos aqui um baba ovo da Netflix, pq pelo jeito vilão só presta de lá né, Mariah é a mulher q n fz nada sozinha, sempre na influência de alguém (shades, cottonmouth, diamondback e até alex, o empregado dela), mas principalmente Shades, killgrave foi mt bom no começo e dps vimos que ele com toda aquela capacidade e poder, era apenas um bobo apaixonado querendo atenção e morrendo de uma forma ridícula, único que se salva desta lista é o Fisk…

        • Quem disse que o bom vilão é aquele que faz tudo sozinho? Mariah é uma boa vilã exatamente por ter desenvolvimento. Ela teve auxílio, assim como todo vilão sempre tem, como o próprio Fisk, que você diz que é o único que salva, também teve na primeira temporada. Kilgrave ser um apaixonado não tira dele o posto de bom vilão, ao contrário, o diferencia de vários outros. No final, posso até ser um baba ovo da Netflix, mas tenho bons motivos.

        • R

          O killgrave se apaixona e ficou louco por ela ser a única pessoa que saiu do controle dele, da pra ente der o motivo de achar ela diferenciada ou algo sim. Já o Fisk que era um vilão bom no início, pensando em algo sem importar as consequências virou um pateta por uma mulher mais comum que areia em praia.

  • André

    Na verdade não apareceu apenas esse pôster, como também uma parte da moto, do casaco e das correntes do Johnny Blaze

    • Gabriel

      Basicamente deixaram subentendido que aquela era a casa da família do Blaze.

    • Isso mesmo, André. Valeu pelo comentário.

  • Gabriel

    Parece que o autor do Darkhold se esqueceu de lançar a magia de auto-tradução do livro em seu título. Deve ter gostado tanto do ambigrama que resolveu deixar quieto. Ou talvez queria ter uma marca forte no mundo inteiro.

    E adorei que deixaram subentendido a existência do Blaze no MCU:

    http://img10.deviantart.net/49b5/i/2012/262/5/5/ghost_rider_spirit_of_vengeance_concept3_by_jsmarantz-d5f91rz.jpg

    Seja bem-vindo Motoqueiro Fantasma!

    • Eu fiquei meio decepcionado com o fato de terem usado o Blaze como easter egg assim tão na cara. Para mim é uma forma de tirar qualquer possibilidade de participação.

      • Gabriel

        Para mim foi praticamente confirmado que ele existe. Na mesma cena é dito que o atual dono do Darkhold matou o anterior e enterrou o livro na casa da família. Casa esta em que encontraram várias referências ao Motorista Fantasma. E também explicaria como nem mesmo Nick Fury encontrou o livro mas duas pessoas comuns conseguiram este feito. Não duvidaria se Robbie fosse procurá-lo para saber como ele se livrou do espírito da vingança.

        • Eu continuo achando bem difícil ele aparecer. Quando a série coloca muita “homenagem” é porque já sabem que não vão poder usar o personagem. Homenagem a gente presta para os “mortos”, né? hehehe

  • Leo

    Diego,

    sempre leio suas reviews e gosto bastante. Espero que leve como critica construtiva, mas “elo de conexão” é pleonasmo.

    • Gabriel

      Visto que esta expressão é tão comumente usada não duvidaria se a oficializassem como fizeram com “meio ambiente”.

    • Elo de conexão meio que foge a regra, Leo. Mas obrigado pelo comentário e pelo toque.

  • Clark Jornalista

    @Diego Antunes:disqus acho que não só mencionaram o Circo de Quentin, como confirmaram Blaze
    existindo no MCU e que ele era o dono do Tomo Negro quando o casal
    roubou o livro. Na cena dá pra ver não só o pôster do Circo, como uma
    jaqueta de couro e uma moto no canto. Ou é Blaze, ou é outro motoqueiro
    fã do Circo de Quentin que possui um livro mágico (o que seria uma
    coincidência bem estranha). acho que não só mencionaram o Circo de Quentin, como confirmaram Blaze
    existindo no MCU e que ele era o dono do Tomo Negro quando o casal
    roubou o livro. Na cena dá pra ver não só o pôster do Circo, como uma
    jaqueta de couro e uma moto no canto. Ou é Blaze, ou é outro motoqueiro
    fã do Circo de Quentin que possui um livro mágico (o que seria uma
    coincidência bem estranha). https://uploads.disquscdn.com/images/54035aa62fc7ca032d2e7272cc689452197343ac0957528b15898f34f5ea26a3.png

    • Gabriel

      E também tem uma corrente pendendo do teto…

    • Você está certo, deixei passar essas informações.

  • Flavio Batista

    Diego, parabens pela analise do plot da Daisy. Sei q vc adora a personagem, mas conseguiu separar q a historia dela ta meio sem “peso”. Sabemos tudo o q ela passou, so q ficou tudo meio jogado sei la…
    Qto a Jemma, tb achei meio forçado… tive q voltar pra ver onde ela tinha ganhado q ele tava mentindo, mas foi um chute muito grande e ela pareceu ter certeza do q ta fazendo. Não ficou nem assim, meio q esperando pra ver no q dava.

  • Matheus

    Sobre MAOS acho a série é a melhor do gênero na TV aberta (não estou contando com as da Netflix), a série sempre foge do seu terreno habitual e entrega um ep. bom.
    O Motorista Fantasma têm me surpreendido bastante positivamente, gostei da interação entre ele e os agentes nesse ep, outro ponto positivo foi a Jemma, é impressionante ver um comparativo entre a Jemma da 1 e a da 4 temp., o crescimento da personagem foi impressionante, além que esse novo plot envolvendo o novo diretor promete muito. Sobre o vilão da temp., até agora o que podemos chamar de vilão é os Cães de Guarda, mas já ficou explícito que têm alguém organizando eles e talvez tenhamos uma grande reviravolta na trama que só MAOS sabe fazer…

    • Gabriel

      Eu até incluiria as séries da Netflix. Mesmo gostando bastante delas ainda acho Agents of SHIELD melhor.

      • Daniel Cardoso

        achei q eu fosse o único.