Agents of S.H.I.E.L.D. 4×07: Deals With Our Devils

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Com Deals With Our Devils, Agents of S.H.I.E.L.D. abraçou de vez o bizarro e a ficção cientifica em seu melhor episódio da temporada.

Ninguém pode dizer que Agents of S.H.I.E.L.D. não sabe lidar com temáticas. A série está, desde metade da sua primeira temporada, trabalhando tramas que se encaixam nas mais diversas ramificações da ficção cientifica. Com a inclusão de seu universo místico a oportunidade de criar algo diferente, mas ainda dentro da mesma base, surgiu e com isso tivemos uma mistura de sci-fi com terror, em um dos melhores episódios da atual temporada da série.

Repetindo o que fez com 4722 Hours, o roteiro da série abraçou completamente os aspectos misteriosos envolvendo sua trama. Se lá na temporada anterior a produção enviou uma de suas personagens para outro planeta, neste o texto de Daniel J. Doyle fez uma homenagem aos clássicos do terror e ficção como Twilight Zone, Star Trek e Buffy a Caça Vampiros, e enviou parte de seus personagens para uma espécie de limbo, com aquele toque certo de adrenalina e aventura que apenas a série sabe como fazer. E o melhor de tudo? Não foram os efeitos especiais, sempre muito bons, mas sim o texto bem construído que transformou uma iluminação sépia e sons abafados em uma obra de arte da série, com seu melhor.

A grande revelação do episódio, porém, não foi a existência da dimensão onde Coulson, Fitz e Robbie estavam presos, mas sim o momento em que Mack é possuído pelo espírito da vingança, se tornando assim um novo Fantasma. É essencial notar que o personagem que até agora não recebeu muito destaque solo, com exceção do episódio em que conhecemos seu irmão, mantém dentro de si “problemas” suficientes para que o espírito se alimente por anos. É algo que abre o potencial para futuras histórias para um dos personagens “novatos” mais relevante dentro da agência e que até agora quase não recebeu o destaque merecido.

Outro ponto digno de menção dentro deste sétimo capítulo, é a forma com que o visual da série consegue conduzir ótimos momentos, sem a necessidade de grandes efeitos visuais ou gastos excessivos com o orçamento. Mesmo que o show de superpoderes e explosões enriqueça qualquer produção, é dentro dos pequenos momentos que vemos a capacidade criativa do time que está nos bastidores da série, além de também termos uma boa noção do elenco. Brincar com cores, luz, sombra e sons demonstra o potencial que a série tem para criar o novo, utilizando ferramentas do velho.

MARVEL'S AGENTS OF S.H.I.E.L.D. - "Deals With Our Devils" - With the loss of half the team, the remaining members search for answers as the clock counts down for Ghost Rider, on "Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D.," TUESDAY, NOVEMBER 29 (10:00-11:00 p.m. EST), on the ABC Television Network. (ABC/Jennifer Clasen)<br /> CLARK GREGG, IAIN DE CAESTECKER
Agents of S.H.I.E.L.D. — Deals With Our Devils

E até mesmo alguns pontos pessoais tiveram certo momento de destaque. Gosto bastante, e já elogiei várias vezes, o relacionamento desenvolvido entre May, Coulson e Daisy, que funcionam como uma família. Dentro de Deals o que preponderou foram os picos emocionais para cada núcleo. Mack sendo possuído, Fitz em desespero por não poder informar a Jemma de seu paradeiro, ou saber o dela e por último, Coulson testemunhando May se envolver com o perigoso Darkhold. E no final quem salva Coulson é May, além de revelar a possibilidade de um futuro envolvimento entre os dois, centralizado obviamente na noção da perda e nos desafios criados pela história conjunta de ambos os personagens.

Por último também temos AIDA, a inteligência artificial que está começando a se envolver com algo mais humano, o desejo de liberdade. A série até então havia se mostrado tímida na hora de desenvolver a história da personagem, deixando-a presa a pequenos pontos de comédia e certa tensão envolvendo Fitz, Simmons e Radcliff. Agora e com o novo mundo aberto pela Marvel, o potencial para algo novo cresceu exponencialmente. Este novo padrão irá impor, imagino, a segunda parte da temporada, mesmo que isso levante algumas preocupações.

Mas a série ainda tem um medo muito grande de abraçar o lado místico de uma vez por todas. Deals With Our Devils lidou com assuntos que ainda estão sendo tratados como tecnologia, ou um aspecto desconhecido da ciência. Personagens evitam de mencionar nomes como inferno e é apenas através de Robbie que temos menções mais diretas para a temática que está estampada dentro da produção. Ainda não consegui compreender até que ponto a série continuará lidando com a magia como um convidado indesejado, ao invés de simplesmente abraçar a temática e começar a tratar o assunto com a relevância devida. Nós já sabemos que existe algo além da capacidade de interpretação de números, mas todo o esquema visual e filosófico de Agents of S.H.I.E.D. encara o assunto como uma ramificação de dígitos e explicações racionalizadas. É preciso que exista uma compreensão do invisível, dentro da agência. E o sétimo episódio já começa a trabalhar a expansão, com Daisy, que acredita que seus amigos não morreram. A grande dúvida é se a próxima meia temporada continuará lidando com fantasmas, demônios e espíritos, ou se ela mergulhará de vez no assunto da tecnologia ao redor da AIDA.

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Easter eggs e outras informações de Deals With Our Devils

– Eli adotou uma postura bem próxima a do Homem Molecular. Criado em 1963 e com debut em Fantastic Four #20, o Homem Molecular tem o poder de manipulação molecular. Mentalmente ele é capaz de controlar, transformar e manipular moléculas em qualquer tipo de energia.

– AIDA está se aproximando bastante de outro personagem atual do MCU e que não é humano, o Visão. Enquanto o sintozóide recebeu sua “alma” através da pedra da mente, em Vingadores, a androide de Agents of S.H.I.E.L.D. está tentando conquistar a dela com o poder da magia, ou o que quer que seja o teor do Darkhold.

– Existem várias dimensões dentro do universo da Marvel. Talvez a que tenha aparecido neste episódio seja uma nova versão do limbo, mas sem as criaturas fantásticas e demoníacas. Ou que tal mundo das almas, uma dimensão de bolso que existe dentro da gema da alma?

– Robbie finalizou seu “contrato” com o espírito da vingança, algo que garante uma quantidade razoável de histórias para o Motorista Fantasma.

– E por falar em versões, Mack adotou uma ao ser possuído pelo espírito. Uma pena que não vimos a moto em chamas.

  • Marcelo Augusto

    Tbm achei o melhor episódio da temporada, senti a falta de mencionar o inumano que tá em uma transformação de 7 meses e a Jemma libera ele com um pouco de carinho 🙂 .Deve ter algum papel relevante tbm.

    Aliás, essa ideia ai do mundo das almas (não conheço), mas seria bem interessante já que se eu n to enganado, a gema da alma eh a única que falta aparecer né? Ia ser uma baita ligação com o próximo filme dos vingadores,porém eh bem improvável e deve aparecer no novo Thor 🙁

    Mas seria incrível ver a série com a responsabilidade de inserir a última joia.

  • Gabriel

    Estou gostando da forma como a série está abordando a magia. Ela existe e seus personagens buscam uma forma racional para explicá-la mas, como colocado pelo Fitz quando AIDA abriu o portal, ela foge a sua capacidade de compreensão. A série sempre lidou com tecnologia e genética como as armas de seus vilões e as que usariam para combatê-los então não faria muito sentido se a agência estivesse dispostos a aceitar facilmente que magia era algo real. O mais próximo que chegaram do tema foi com Thor e em Asgard ela era abordada mais como um ramo da ciência e muito avançado. E algumas pessoas mais são mais receptivas para isto (e.g. Coulson e Mack) que outras que dedicaram suas vidas às ciências (e.g. Fitz e Simmons). É só questão de tempo até perceberem que não existe outra explicação plausível para o que estão enfrentando.

    Sem falar que acho melhor deixar acima de qualquer dúvida a existência da magia do que apenas com uma pequena demonstração e todos passam a adotá-la sem um conflito de ideias. De picaretas o mundo está cheio. Basta olhar para o nosso e ver o tanto de médiuns (psicografistas, psicofonistas e videntes) existem no nosso mundo enganando as pessoas.

  • Ronaldo

    A hora que o portal começou a abrir pensei que seria como os criados em dr estranho. Enquanto via a Aída criar aquele cérebro só conseguia lembrar do Ultron.

  • Dhiego

    Para os fãs do Dr Estranho, esse episódio de MAoS foi só alegria!

    O “mundo espelhado” apareceu, a invocação de magias através dos gestos, a visão da magia como uma forma de hackear a realidade, portais dimensionais, demônios…

    Disparado o melhor episódio da temporada! Não entendo como uma série tão boa não recebe a atenção devida.

  • Junito Hartley

    Prevejo a Aida no modo Meave. Episodio espetacular, da um prazer assisti Agents.

  • Jackson Douglas

    4722 Hours ainda é meu episódio favorito da série, mas esse tbm foi empolgante do começo ao fim!

  • carla machado

    Adorei este episódio!

  • Fábio Santos

    Geral falando do portal igual ao de Dr. Estranho, mas eu só lembrei de Caverna do Dragão. kkkkkkkkkkkkkk

  • Acho que MAoS está abraçando o miticismo no ritmo certo. Strange também foi relutante no início, dada as devidas proporções de uma série que possuí mais tempo, SHIELD vai seguindo esse ritmo. E achei coerente tanto a Aida quanto o Eli, usarem tecnologia para lidar com magia, eles não possuem treinamento para isso, faz sentido usarem ciência.