Agents of S.H.I.E.L.D. 4×03: Uprising

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Mudar é preciso, quem não muda estaciona e é deixado para trás. No popular ditado muito difundido no mundo das séries, o tubarão que deixa de nadar morre e o oceano da Marvel está em constante mudança, sempre. Agents of S.H.I.E.L.D. é uma série que goza da alcunha de mais bem estruturada criação do MCU. Extremamente competente a produção vem se redefinindo desde metade de sua temporada, e como todo bom episódio de grande decisões, Uprising é o fôlego antes do mergulho. Mas muito mais do que um momento para revelações, o terceiro episódio da quarta temporada é uma verdadeira mistura de antecipação, qualidade e tensão.

É muito fácil criar momentos que excedam as expectativas quando você tem um elenco de base muito sólida, efeitos especiais competentes e roteiro bem amarrado. Neste caso qualquer tipo de história pode se transformar em um evento, basta que a combinação citada acima seja colocada em uso. Apagar as luzes foi a fórmula comum utilizada pela série para amplificar a tensão, e dentro do que foi exibido funcionou muito bem.

Conforme havíamos visto no episódio anterior, May estava no limite da loucura, graças a presença da fantasma sapiente, Lucy. Uma trama mais centralizada e pouco interessante, teve uma sobrevida especial graças ao blecaute criado pelo grupo terrorista Watchdogs. Falando grosseiramente toda a montagem da cena foi bem usual. A mistura de um problema facilmente resolvível sendo interpolado por uma surpresa desagradável não é nada novo. Quem já mantém em sua grade de séries assistidas um número acima de vinte, para finalizadas e atualmente em exibição, já cruzou com esse tipo de evento pelo menos uma vez. Não é nenhuma novidade e se torna bem corriqueiro, previsível. Mas aqui ele funciona muito bem, já que as possibilidades são atraentes. E é um dos méritos da equipe criativa da série, a de impor um tema comum e o transformar em uma cena comovente, desconcertante, tensa. Além de entregar para este papel personagens competentes. As interações entre Radcliffe e Simmons também oferecem oportunidades de brilho para personagens com pequenas participações até então – além de conferir para Simmons um motivo para agradecer Radcliffe quando ele revelar a presença de AIDA.

E dentro do que foi apresentado no episódio, especialmente no lado da ação, a série mostrou mais uma vez porque é tão eficaz ao trabalhar lutas e coreografia. Quando você tem um texto bom, não é preciso grandes gastos com efeitos especiais. Ao contrário, um mero tremeluzir de luzes é suficiente para enriquecer a montagem de sua cena. Some a este fato personagens carismáticos e com grande química e você terá nas mãos a galinha dos ovos de ouro. Por isso toda a criação no prédio, após a festa de noivado e no armazém onde os terroristas estavam, foi simplesmente brilhante para a série.

Outro ponto que a produção vem acertando anualmente é a inclusão de personagens bons e com potencial enorme para roubar a cena. Yo Yo é a principal em Uprising. Natalia Cordova-Buckley é uma excelente atriz e o que ela está fazendo pela inumana Elena é muito mais do que satisfatório. Como toda boa equipe, a de Agents compreende o poder que tem nas mãos e o usa sempre com parcimônia, nos fazendo querer mais. Suas cenas foram suficientes para nos transportar através de um espectro de emoções plausíveis, indo de seu comportamento arredio a caçada de inumanos, ao sorriso durante o embate com os bandidos. São fatores que impulsionam o público a querer sempre mais, fazendo de sua cena algo que nem mesmo a série de um velocista conseguiu fazer. E novamente, não é apenas orçamento, é o cuidado com a identidade do personagem e a construção do momento, méritos que o time de MAoS continua a arrecadar.

Agents of S.H.I.E.L.D. --- "Uprising"
Agents of S.H.I.E.L.D. — “Uprising”

Do outro lado, porém, temos a busca de Daisy pelo grupo responsável pela perseguição a inumanos, máfia e assassinatos, mesmo que de uma maneira mais centralizada no lado místico e um pouco de fora da verdadeira ação do episódio. Na altura do campeonato já ficou bem claro que existe um forte protagonismo para Chloe Bennet, dividindo ao lado de Clark Gregg o posto de personagem com mais relevância para a trama. Entrelaçar sua história a do Ghost Rider foi a forma encontrada para conseguir balancear o tema novo introduzido neste ano, o sobrenatural, e ao mesmo tempo nos garantir uma história paralela ao que está acontecendo na agência.

Porém, a história ainda sofre de alguns problemas de ritmo, discrepante do restante do episódio, tão tenso e bem conduzido. Daisy é uma boa personagem, assim como Robbie, mas os clichês envolvidos na trama dos dois é um pouco desinteressante quando analisamos todo o trajeto da série até aqui. Vê-la fragilizada, ferida e abatida é algo ingrigante, pois oferece novas possibilidades para a personagem, mas a aproximação com ar romântico não é exatamente um favor para nenhum dos dois poderosos. Neste caso ainda é necessário esperar mais um pouco para que a história se desenvolva apropriadamente, mas já de cara é um tanto indigesto, especialmente após a fala do irmão mais novo do vigilante flamejante, algo um tanto quanto superficial e batido no mundo de interações entre mocinhas problemáticas e mocinhos com passado conturbado.

E dentro de tudo o que aconteceu durante o episódio ainda tivemos a apresentação da S.H.I.E.L.D. para o mundo, novamente uma agência com respaldo governamental e fora das sombras de uma vez por todas. Esse foi um passo importante para a trajetória da série e também para a compreensão da Marvel como um universo coeso e unificado, mas vai além e revela a relevância dos inumanos para este mundo. A história é bem similar a dos mutantes, atualmente uma propriedade da FOX, algo que poderá levantar sinais de alerta para os fãs mais antigos, mas que oferece toda uma discussão ideológica e política para a série, pontos válidos para o roteiro.

Uprsing termina com uma nova dinâmica e restabelece o status de alguns personagens ao que acompanhamos no começo da temporada. Porém existe um novo pano de fundo, um que com certeza chacoalhará a estruturas do mundo destes agentes secretos. Entre inteligências artificiais, fantasmas e motoristas fantasmas, o plano de abertura da série já foi totalmente apresentado. Agora é esperar para ver se os roteiristas conseguirão convergir todos esses assuntos em uma grande e coesa história principal. Alguém duvida?

Easter eggs e outras informações

– Durante o episódio o nome do tio do Ghost Rider foi revelado, Elias. Nas histórias em quadrinhos Eli é o nome do espírito que possui Robbie e o traz de volta a vida, conferindo ao rapaz os poderes do Motorista Fantasma.

– A presença de uma senadora fazendo lobby contra os inumanos não é algo novo para o leitor de revistas em quadrinhos da Marvel, e faz uma conexão direta a outro nome conhecido, mas dos X-Men. No lado dos mutantes o Senador Robert Edward Kelly foi responsável por uma propaganda agressiva contra a raça conhecida como Homo Superior.

– Não existe nenhuma personagem com o nome Rota Nadeer na Casa das Ideias, contudo uma semideusa do mundo do Thor atende pelo nome Rota.

– Fitz chutando bundas no episódio. Tem coisa melhor?

– “Sabe o que é uma ótima fonte de luz? A cabeça em chamas de um cara”.

– Um blackout em várias partes do mundo, incluindo a capital dos Estados Unidos. A oficialização da S.H.I.E.L.D. Vídeos divulgados para o mundo com a palavra inumano. Uma senadora fazendo lobby contra uma raça de pessoas com superpoderes. Vai ficar difícil para o MCU não fazer alguma conexão, por menor que seja, com os eventos de Agents of S.H.I.E.L.D.

  • Ricardo

    Quem era aquela estátua ou múmia com que a senadora conversava no fim do episódio?
    Agora uma observação: a Marvel está conseguindo trabalhar os Inumanos da forma como a Fox deveria trabalhar os X-Men. O preconceito aos Inumanos na série está mais natural do que o mostrado aos mutantes no cinema!

    • Aquele era o irmão da senadora, dentro de um casulo de transição após exposição ao elemento terrígeno dos inumanos.

      • Ricardo Heydersoon

        Pensei isso, mas pq ele demorou tanto tempo pra sair, parece que ele tá lá faz muito tempo. E pq ela é tão critica com os Inumanos se o irmão dele é e provavelmente ela, se não tiver ativado eles, também tem os genes Inumanos? Quantos misterios…

        • Wiccano

          Ela disse que ele estava no casulo a muito tempo, então ela achou uma forma de parar a Terrigenese, acredito eu.

    • Luciano

      Eu não acho que a série esteja trabalhando bem esse questão de preconceito, na minha opinião parece ser uma trama jogada nessa season. O cinema acertou muito mais nessa temática, apesar de eu odiar que desde o primeiro filme os mutantes já são conhecidos pelo resto do mundo. Em nenhum momento no cinema ou até agora na TV, a gente viu aquelas clássicas cenas de vizinhos duvidando de vizinhos, um fechando a porta na cara do outro, o preconceito abordado de forma mais intimista. Nesse episódio até teve aquela cena com a Yo-yo, mas como a personagem não tem um background fora do grupo de espiões a cena não teve o peso que poderia ter. O cinema ainda está na frente na minha opinião.

      O que eu também não to gostando de Shield abordando esse tema é que ele tá restrito aos Inumanos. Em um universo que se diz coeso como o da Marvel não faz sentido. Um dos grandes erros no quadrinhos é o fato de só os X-men sofrerem preconceitos, enquanto outros super seres são vistos como heróis. Guerra Civil estreou a poucos meses, Luke Cage e Jessica Jones também abordaram (ou fizeram um gancho) nesse tema mas Shield continua focando apenas nos Inumanos. Para série e o próprio MCU, seria muito mais proveitoso eles continuarem se referindo a esses super seres como aprimorados. Eu não consigo comprar essa raiva que o grupo Watchdogs sente pelos Inumanos.

      Por mais difícil que seja um crossover entre cinema e TV, essa obsessão que Shield tem pelos Inumanos é algo que prejudica a própria série na minha opinião e que não estão sabendo trabalhar.

      • Ricardo

        Concordo quanto à obsessão da Shield pelos Inumanos. Mas entendo que, tirando os Vingadores, eles não conheciam mais ninguém com poderes. Tanto que a Dayse questiona se Robbie Reyes também é um inumano. Agora que a série está trabalhando com essa questão mais ampla, de que há mais aprimorados no mundo.
        Agora o fato de nas HQs apenas os mutantes sofrerem preconceito e outros poderosos não, já foi explicado pela Marvel que o preconceito se dá porque os mutantes são o próximo passo da cadeia evolutiva e nascem com o gene X, já outros aprimorados são apenas humanos que ganharam poderes de alguma forma.
        Já o conceito de preconceito acho que não foi muito bem trabalhado no cinema. No primeiro filme dos X-Men até arriscam alguma coisa com o senador Kelly e aquela mãe que não deixa o filho chegar perto do Ciclope, mas depois não explorou mais nos outros filmes. Agents está trabalhando bem esse conceito do preconceito. Se não parar nesse episódio dá pra trazer bons resultados!

        • Luciano

          Não acho que seja só agora que apareceram aprimorados. A Shield já lidava com essas questões a um bom tempo. O Caveira Vermelha era um aprimorado, os experimentos realizados com o soro do super soldado, o Homem Formiga e Vespa que trabalhavam com a Shield e na própria série com o Blackout, aquele rapaz da primeira temporada que tinha poder de controlar o tempo ou o, infelizmente esquecido, Deathlok. São vários os casos de seres aprimorados que já ocorreram na história do MCU ao longo dos anos. Por isso não entendo essa mania de referenciar os Inumanos, sendo que seria muito mais simples de explicar e mais abrangente também se referir a eles como aprimorados.

          Já no caso dos mutantes nos quadrinhos nunca foi super explorado essa questão dos mutantes serem o próximo passo da evolução humana. Entendo que é difícil eles tratarem esse assunto, afinal os mutantes foram criados como uma metáfora ao preconceito. Provavelmente nem se passava pela cabeça do Jack Kirby e Stan Lee uma união de todo o universo Marvel, iria precisar de vários retcons para organizar tudo, os quadrinhos são uma bagunça. Mas como adaptações para outras mídias já possuem uma base muito mais concreta devido a esses assuntos terem sido trabalhados antes na nona arte acho que poderiam abordar com muito mais coesão no cinema e TV. Nos filmes dos X-men existe um bom número de cenas que abordam preconceito, a história da Vampira no primeiro filme, o irmão do Homem de Gelo denunciando a localização dos mutantes na sua casa ou o Anjo cortando suas asas e depois sendo obrigado a passar por experimentos pelo próprio pai. São abordagens muito fortes e bem trabalhadas. Concordo com você em relação ao senador Kelly, o preconceito aos olhos do público em geral nunca foi bem estabelecido, mais existia alguma coisa aqui e ali. Shield, por enquanto, ainda não acho que está fazendo um trabalho melhor, o que talvez mude nos próximos episódios.

          • Ricardo Heydersoon

            A questão é ter pessoas aprimoradas em um universo, outra é ter pessoas aprimoradas surgindo de todos os lado. É tipo, temos os Vingadores, ok, eles estão lá longe, nos olhando de cima. Mas agora o fato de ao redor do mundo tá surgindo pessoas com poderes, como por exemplo o seu vizinho, cria uma histeria, sem contar que na temporada anterior eles eram referidos como se fossem vitimas de uma “contágio alienígena” o que é suficiente pra deixar qualquer um com medo. Em relação a fixação de AoS por Inumanos, é pq é cânone da série a série apresentou e até agora só existe Inumanos na série então nada de anormal a série trabalhar com aquilo que já apresentou.

  • Ronaldo

    Agents está tão redondinho que em nada lembra os tropeços da season 1. Espero que o Mephisto apareça, mais ainda se ele estiver como o diretor da Shield.

  • Gabriel

    “Vai ficar difícil para o MCU não fazer alguma conexão, por menor que seja, com os eventos de Agents of S.H.I.E.L.D.”.

    O resenhista ainda ignora a capacidade do MCU em ignorar os eventos da série. Eles fazem isto com tanta diligência que já se tornaram mestres nesta arte.

    • A S.H.I.E.L.D. voltou, né? Vai ficar bem difícil mesmo, mas não impossível.

  • gabriel nunes

    A temporada segue crescendo o ritmo, todos episódios bons até agora 🙂
    Só espero que Ghost Rider não seja o tema de 22 episódios.

  • Junito Hartley

    Ainda bem que os caras arrumaram um jeito de aparentemente separar a Dayse do motorista fantasma, se fosse na CW ia ser mais um casal. Sobre o episodio foi legal, as cenas de açao foram otimas e bem coreografadas, destaque pra cena do lobby do predio em que a câmara vai girando conforme a luta vai acontecendo, lembrando o primeiro filme dos vingadores.

    • Discordo de você Junito, se fosse CW Daisy e Robbie não seriam um casal, e sim um triângulo, teria mais algum interessado na Daisy para o drama ser maior.

      • Daniel Cardoso

        kkkkkkkkk

  • Julio C. Costa

    Eu agora percebo que a mudança de horário da série fez muito bem, as cenas de porrada estão mais interessantes e realmente Fitz descendo o sarrafo é lindo demais de se ver, já em contrapartida essa Dayse sobrevivente de apocalipse ta estranho hein.
    Mas vamos seguindo.

  • Guilherme Moysés

    Achei esse episódio absolutamente fantástico

  • lcp21

    se depender da audiência, vai ser cancelada.

  • Tom

    Faz pouco tempo já que resolvi assisti agents of shield tudo em maratona só por conta do Ghost rider e me deparei com uma série ótima já que mantinha certa ignorância com MAos.
    Tomara que o Fitz morra nessa temporada, não aguento mais ele kkk Uma dúvida: O Fitz não tinha problemas com memória?! como ele se recuperou totalmente?! Será que perdi algo?! kk
    Enfim mais uma ótima review.

    • Wiccano

      Ele melhorou ao longo dos episódios, começou quando abandonou a Simmons falsa e fez amizade com o Mack.

    • Daniel Cardoso

      Como alguém quer a morte do Fitz?? kk

    • Gabriel

      O Fitz ainda tem sequelas do afogamento. Não é tão evidente quanto no início mas ainda dá para perceber em algumas cenas que tem dificuldade em encontrar a palavra adequada e é complementado pela Simmons.

      Também gostaria que o Fitz morresse mas por um motivo completamente diferente. Adoro este personagem assim como os demais do núcleo principal mas não acho que faz bem para a série manter um grupo de pessoas cuja sobrevivência no season finale estará garantida antes mesmo da temporada começar.

    • Alex DAvila

      No meu caso eu nao aguento a May que pessima atriz aff rs

  • Fabio Junior

    Alguem é muito marvete hahahahahahahaha

  • A decisão de deixar Robbie e Daisy de lado foi acertada, fez bem em focar apenas na SHIELD e organizar as peças. E a série deve ter recebido um aumento no orçamento porque estão mandando ver no CGI, os efeitos estão incríveis. As cenas de ação em um plano escuro também funcionaram bem e entram na lista de melhores lutas da série até aqui. Em 3 episódios MAoS já conseguiu organizar suas peças e preparar o terreno para os dois plots da primeira parte da temporada, os fantasmas do laboratório, e a senadora conspirando com os Watchdogs, já está praticamente tudo pronto para desenvolver essas histórias.

  • Sthefani Cordeiro

    Como sempre estou aqui acompanhando suas reviews e concordo com vc quanto Daisy e Robbie: tomara que não os transformem em um par romântico. Gostei da introdução do Ghost Rider e espero que não estraguem o que tem tudo pra ser uma boa interação.