3% 1×07: Cápsula

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O efeito de uma Causa fortalecida em Cápsula!

A penúltima hora da série nacional é desarmônica em sua concepção geral, porém feliz em nos permitir vislumbrar um final decente para uma série excessivamente criticada. Não adianta generalizar dizendo que o elenco é ruim e o roteiro é fraco, quando vemos uma produção ousada em sua concepção e que, apesar de algumas falhas, é capaz de surpreender ao abordar o tema distópico difundido por produções hollywoodianas aclamadas pelo público. Sendo que muitas delas, apresentam os mesmos ou até piores furos que vemos em 3%.

Não há como tapar os olhos para a falta de suspense com que o episódio trata inicialmente a Cápsula, retirada por Michele ao final de Vidro. Como personagem sensata e favorável a Causa que ela tem se demonstrado desde o primeiro episódio, Michata ignora as orientações a respeito de quando deve utilizar a cápsula, e a usa em favor de sua vingança pessoal. Obviamente, o abraço fake em Ezequiel não convenceria nem a Julia no fundo do MarBaixo.

Os 3% já foram eleitos e passaram por todos os testes, por isso temos álcool no lugar de água e copos no lugar da merchan das garrafinhas da Tupperware. Um momento nada oportuno para a grande espiã que sabia de menos agir contra Ezequiel. Correto estava Rafael em seu discurso bêbado: Não cair é o mais importante. Mas a infeliz e coincidente troca de copos fez Cesar, o entrevistador da protagonista, cair. Na minha opinião, não precisava mostrar o esforço na tentativa de salvar a vida do empregado, a queda não tinha volta.

Chegamos então, ao cenário clássico abordado nas esferas novelescas nacionais, quem matou Cesar? E o próprio Ezequiel assume a responsabilidade pelos interrogatórios, deixando a sua funcionária mais preparada, porém abalada de escanteio. A maneira com que o chefe conduz os questionamentos, aliviando a pressão, deixou a entender que de alguma forma ele também não está satisfeito com o Processo.

Rafael e Michele, os causadores da cápsula perdida em 3%
Rafael e Michele, os causadores da cápsula perdida em 3%.

Em um conselho formado por Nair, Matheus e figurantes mudos, surgem motivações vazias sobre a mudança dentro daquilo que é considerado o mais importante processo para ingressantes ao mundo perfeito chamado Lado de Lá. Por isso, cada vez mais, sinto Ezequiel disposto a virar a casaca e ajudar a Causa. A gota d’água foi usar um capturado da Causa para tirar Aline de seu caminho e ainda jogar sobre ela a culpa pela morte de Cesar.

Acreditava que Joana seria a provável acusada pelo processo, mas fiquei aliviado em estar enganado. O quarteto fantástico sente a pressão baixar e o caminho está aberto para a revolução. Rafael está decidido e tem um objetivo certo, o rapaz se junta a Joana como os personagens mais carismáticos do núcleo Rebelde de 3%.

João Miguel não é idiota e até o filhinho perdido da Julia deve ter percebido que a ferida recente de Michele não foi uma facada, havia uma Cápsula implantada ali. O problema do season finale residirá na união de forças dos 4 Efeitos contra a Causa, se Fernandinho seguirá seu coração partido manipulado e se Ezequiel está mesmo do lado revolucionário.

> Entrevista com o elenco de 3%!

Apesar de estar escrevendo a crítica do sétimo episódio, eu indico a série nacional, tendo ciência que se trata da primeira investida da Netflix no Brasil, com suas imperfeições e seus méritos. A série é melhor que dramalhões latinos, remakes australianos e realities de incansáveis temporadas, ao menos não espero menos do que isso no season finale. Faço parte dos 3% satisfeitos com o sci-fi.

  • Nabia

    Pra mim o que mais me incomodou nesse episódio foi a maneira como Rafael se livrou da capsula. Do jeito que ele fez, qualquer um poderia fazer, e qualquer camera, das milhares que tem no local, pegaria o momento. Sem falar que Michele (ou Michata) poderia ter feito o mesmo.

    Ezequiel tava doidinho para se livrar da Aline, a ponto que ele preferiu proteger a Michele a denuncia-la…Curioso.

    Parabéns pela crítica Tiago! Numa coisa concordo com vc: 3% pode não ser lá essas coisas, mas certamente é uma inovação no mercado. E melhor do que muita coisa já vista nacionalmente falando. Vejo a série como uma bela oportunidade para esse mercado de produção de séries nacionais crescer, e assim abrir diversas oportunidades. E como em todo o lugar, teremos séries boas e ruins.

    • carla machado

      Exato, Nabia. Eu não gostei, mas concordo :3% pode não ser lá essas coisas, mas certamente é uma inovação no mercado.

  • Guga Ulguim

    eu achei a solução pra incrimanar a aline muito mal feita, aquele podia ser facilmente qualuqer pessoa vestida de forma maltrapilha além de que o discruso dele foi extremamente questionavel e fácil de argumentar sobre ele estar sendo obrigado a ler algo.

  • Alex Machado

    Achei ,ruim como foi desenvolvido o seriado , mas é uma história bacana, só queria que fosse mais bem dirigida..

  • Fernando Ubaldo

    Essa série me decepciona a cada episodio corrido… Na hora que Ezequiel começa os preparativos para o interrogatório é algo horrível. Fora que o sistema de lá é horrível a ponto de não detectar que tal coisa fosse acontecer, mas venhamos e convenhamos, né?! Tinha que ter esse cliffhanger.
    Percebe-se claramente que eles jamais irão aprender que MUUITA coisa poderia ser abordada nesse episódio, mas assim como fizeram em todos os anteriores, focaram SOMENTE num determinado assunto…

  • João Carlos

    Esse episodio deu uma pisada no freio. Achava que teria mais una prova, pois por mais que as outras provas foram surreais achei um pouco fácil a conclusao.
    O episódio estava morno até a morte do Cesar. Achei uma sacada de mestre do Ezequiel usar a morte para culpar a Aline. E como lá no piloto ele tinha um suspeita na Michele não tinha a duvida que seria ela. Deixou expectativas altas para a finale.